Indicadores negativos
COMENTANDO A NOTÍCIA inicia hoje uma série de artigos que julgamos serem indispensáveis para aqueles que realmente levam a sério o futuro do Brasil. Vamos falar de educação, infra-estrutura, crescimento econômico, questão energética, e também fazer uma viagem no tempo do Brasil do início dos anos 90, o de 2002 após oito anos de FHC e o de 2006, após quase quatro anos de Lula. Começaremos pela educação.
Faz já alguns dias que venho querendo escrever este artigo cujo tema é da maior importância para o país, mas que parece que pouquíssimos o levam. Que o diga a eleição do primeiro turno: Cristovam Buarque candidato que passou o tempo todo falando praticamente só nisso, teve pouco mais do que dois por cento de votos de universo de 126,0 milhões de eleitores. Convenhamos que, além de ser muito pouco, é um demonstrativo inconteste de que a educação no Brasil ainda não é levada a sério, ou pelo menos na seriedade que seria a ideal.
Há pouco terminou o debate entre Alckimin e Lula no SBT, e esperei por ele para identificar em qual deles há uma inequívoca vocação e preocupação para levar o ensino a sério. E neste quesito, Lula perde de goleada. Primeiro, porque seu governo não dá a mínima para a educação, apesar do que ele propala. Segundo, porque não entende uma vírgula sequer do assunto. E terceiro, porque para um caudilho canhestro como ele, quanto maior a desinformação e deseducação do povo, mais ele ganha eleições e debates.
Vamos traduzir não em números, mas em informação, que vale mais. E o mundo é a nossa porta de entrada.
Comecemos pela taxa de analfabetismo. Leiam os números abaixo:
Brasil: 13,0 %
China: 9,0 %
México: 8,0 %
Rússia: 0,5%
Estes números representam a medida que se faz na população com idade igual ou superior a 15 anos. Uma constatação: estamos considerando aqui apenas países emergentes. O melhor do mundo é o Canadá, simplesmente, 0,0 % de analfabetos.
Vejamos o tempo de permanência nas escolas, considerando os mesmos países:
Brasil – 5 anos
China – 6 anos
México – 7 anos
Rússia – 10 anos
Apenas para ilustrar, o melhor do mundo no quesito é os Estados Unidos com 12 anos.
Seguindo em frente vejamos agora a participação de mão-de-obra especializada na força de trabalho (técnicos e profissionais com curso superior):
Brasil: 9,0 %
China: Não declara
México: 14,0 %
Rússia: 31,0 %
Aqui, o melhor do mundo é a Suécia, com 38% da força de trabalho especializada.
Quanto a repetência no ensino fundamental, temos:
Brasil: 21,0 %
China: 0,3 %
México: 5,0 %
Rússia: 0,8 %
No mundo todo, destaque para a Coréia com 0,2 %. Até vimos dados sobre aspectos gerais do ensino como tempo de permanência nas escola. Vejamos dados sobre qualidade de ensino. Numa escala de 1 a 7 vejam como nossos alunos se situam quando comparado com os de outros países nas áreas de ciências e matemática:
Brasil: 2,9
China: 4,2
México: 3,0
Rússia: 5,1
Destaque mundial para Cingapura com 6,5. Os dados são provenientes do Banco Mundial, Unesco e OCDE.
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COMENTANDO A NOTÍCIA inicia hoje uma série de artigos que julgamos serem indispensáveis para aqueles que realmente levam a sério o futuro do Brasil. Vamos falar de educação, infra-estrutura, crescimento econômico, questão energética, e também fazer uma viagem no tempo do Brasil do início dos anos 90, o de 2002 após oito anos de FHC e o de 2006, após quase quatro anos de Lula. Começaremos pela educação.
Faz já alguns dias que venho querendo escrever este artigo cujo tema é da maior importância para o país, mas que parece que pouquíssimos o levam. Que o diga a eleição do primeiro turno: Cristovam Buarque candidato que passou o tempo todo falando praticamente só nisso, teve pouco mais do que dois por cento de votos de universo de 126,0 milhões de eleitores. Convenhamos que, além de ser muito pouco, é um demonstrativo inconteste de que a educação no Brasil ainda não é levada a sério, ou pelo menos na seriedade que seria a ideal.
Há pouco terminou o debate entre Alckimin e Lula no SBT, e esperei por ele para identificar em qual deles há uma inequívoca vocação e preocupação para levar o ensino a sério. E neste quesito, Lula perde de goleada. Primeiro, porque seu governo não dá a mínima para a educação, apesar do que ele propala. Segundo, porque não entende uma vírgula sequer do assunto. E terceiro, porque para um caudilho canhestro como ele, quanto maior a desinformação e deseducação do povo, mais ele ganha eleições e debates.
Vamos traduzir não em números, mas em informação, que vale mais. E o mundo é a nossa porta de entrada.
Comecemos pela taxa de analfabetismo. Leiam os números abaixo:
Brasil: 13,0 %
China: 9,0 %
México: 8,0 %
Rússia: 0,5%
Estes números representam a medida que se faz na população com idade igual ou superior a 15 anos. Uma constatação: estamos considerando aqui apenas países emergentes. O melhor do mundo é o Canadá, simplesmente, 0,0 % de analfabetos.
Vejamos o tempo de permanência nas escolas, considerando os mesmos países:
Brasil – 5 anos
China – 6 anos
México – 7 anos
Rússia – 10 anos
Apenas para ilustrar, o melhor do mundo no quesito é os Estados Unidos com 12 anos.
Seguindo em frente vejamos agora a participação de mão-de-obra especializada na força de trabalho (técnicos e profissionais com curso superior):
Brasil: 9,0 %
China: Não declara
México: 14,0 %
Rússia: 31,0 %
Aqui, o melhor do mundo é a Suécia, com 38% da força de trabalho especializada.
Quanto a repetência no ensino fundamental, temos:
Brasil: 21,0 %
China: 0,3 %
México: 5,0 %
Rússia: 0,8 %
No mundo todo, destaque para a Coréia com 0,2 %. Até vimos dados sobre aspectos gerais do ensino como tempo de permanência nas escola. Vejamos dados sobre qualidade de ensino. Numa escala de 1 a 7 vejam como nossos alunos se situam quando comparado com os de outros países nas áreas de ciências e matemática:
Brasil: 2,9
China: 4,2
México: 3,0
Rússia: 5,1
Destaque mundial para Cingapura com 6,5. Os dados são provenientes do Banco Mundial, Unesco e OCDE.
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O fato é que a partir do desempenho brasileiro na área educacional, e ao longo dos últimos anos, os melhores cérebros do país têm buscado compreender as razões que levaram o Brasil, no passado apontado como uma nação fadada ao sucesso, a transformar-se numa espécie de lanterninha na corrida global pela prosperidade. Um grupo de pesquisadores do Banco Mundial acaba de fornecer uma peça-chave para decifrar parte da questão. O banco concluiu um alentado estudo, ao qual a Revista EXAME teve acesso, e nós reproduzimos, sobre as condições dos principais países emergentes para inserir-se na sociedade do conhecimento, considerada o estágio mais avançado do capitalismo. O resultado não poderia ser mais revelador. O sistema de ensino brasileiro levou uma surra -- foi o pior colocado em toda a amostra analisada, que inclui China, Índia, México e Rússia, entre outros. A constatação diz respeito diretamente às chances que o país tem de virar o jogo na competição internacional, na qual vem cedendo espaço sistematicamente. "Há muito tempo, sabemos que as deficiências do Brasil na educação afetam a distribuição de renda e o crescimento pessoal dos indivíduos", diz Alberto Rodríguez, especialista em educação do Banco Mundial e coordenador do estudo. "Com a pesquisa, ficou claro que essas deficiências também provocam a perda de competitividade do país em relação a economias com as quais disputa o mercado global." Tradução: enquanto a educação brasileira não der um salto qualitativo, o país continuará patinando -- e comendo poeira dos rivais. "Não tenho a menor dúvida de que o baixo crescimento do PIB brasileiro nos últimos anos está intimamente associado à baixa qualidade do ensino", diz o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade Harvard e estudioso dos efeitos da educação sobre o desenvolvimento das sociedades. "A educação é um dos motores do crescimento, e no Brasil esse motor funciona mal."
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A partir dos números acima exibidos, mostrou a pesquisa, é que o brasileiro aprende muito pouco na escola. Carrega por toda a vida uma herança pesada, materializada na forma de despreparo e ignorância -- e essa herança tende a ser repassada para a geração seguinte. Quando se analisam os dados sobre o desempenho brasileiro no terreno da educação, a primeira deficiência que salta aos olhos é o número de anos passados nos bancos escolares. O brasileiro estuda em média cinco anos, contra 11 do coreano, nove do argentino e dez da população da maioria dos países desenvolvidos. Estima-se que, se os brasileiros permanecessem na escola os 12 anos que ficam os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual. "A maioria dos brasileiros abandona a escola ainda na infância, especialmente por causa da repetência, que atinge uma taxa inacreditável de 21% dos alunos", diz Rodríguez, do Banco Mundial. Levantamentos mostram que, a cada hora, 31 estudantes brasileiros desistem de estudar. Nos anos 90, foi feito um esforço para manter as crianças na escola e ocorreram avanços, mas em ritmo aquém do necessário. Segundo estudo da Unesco, mantido o passo atual, o Brasil demorará mais de 30 anos para alcançar o nível educacional que as maiores economias têm hoje. É uma realidade assustadora no momento em que o mundo demanda gente cada vez mais capacitada e que economias como a chinesa ou a indiana -- concorrentes diretas do Brasil -- fazem um esforço hercúleo para educar e preparar parte de sua população para o mercado global. "O emprego do século 21 requer habilidades mentais", diz Célio da Cunha, representante da Unesco no Brasil para a área de educação. "Exige raciocínio rápido, capacidade de interpretação e de análise da informação. Atributos que só são adquiridos com ensino de qualidade."
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Quando Lula tanto em debates, palanques e em seu programa na tevê martela e centra como prioridade que todos tenham “diploma de ensino superior”, se esquece que o ensino superior é a última escala de uma longa jornada. Conforme veremos no capítulo seguinte, esta prioridade não passa de discurso. E nisso Alckmin está correto quando diz que precisa haver mudança no enfoque em relação à educação, com maior e melhor investimento no ensino fundamental. Esta é a receita que os países mais competitivos do que o nosso empregaram e com os quais superaram suas dificuldades.
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A partir dos números acima exibidos, mostrou a pesquisa, é que o brasileiro aprende muito pouco na escola. Carrega por toda a vida uma herança pesada, materializada na forma de despreparo e ignorância -- e essa herança tende a ser repassada para a geração seguinte. Quando se analisam os dados sobre o desempenho brasileiro no terreno da educação, a primeira deficiência que salta aos olhos é o número de anos passados nos bancos escolares. O brasileiro estuda em média cinco anos, contra 11 do coreano, nove do argentino e dez da população da maioria dos países desenvolvidos. Estima-se que, se os brasileiros permanecessem na escola os 12 anos que ficam os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual. "A maioria dos brasileiros abandona a escola ainda na infância, especialmente por causa da repetência, que atinge uma taxa inacreditável de 21% dos alunos", diz Rodríguez, do Banco Mundial. Levantamentos mostram que, a cada hora, 31 estudantes brasileiros desistem de estudar. Nos anos 90, foi feito um esforço para manter as crianças na escola e ocorreram avanços, mas em ritmo aquém do necessário. Segundo estudo da Unesco, mantido o passo atual, o Brasil demorará mais de 30 anos para alcançar o nível educacional que as maiores economias têm hoje. É uma realidade assustadora no momento em que o mundo demanda gente cada vez mais capacitada e que economias como a chinesa ou a indiana -- concorrentes diretas do Brasil -- fazem um esforço hercúleo para educar e preparar parte de sua população para o mercado global. "O emprego do século 21 requer habilidades mentais", diz Célio da Cunha, representante da Unesco no Brasil para a área de educação. "Exige raciocínio rápido, capacidade de interpretação e de análise da informação. Atributos que só são adquiridos com ensino de qualidade."
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Quando Lula tanto em debates, palanques e em seu programa na tevê martela e centra como prioridade que todos tenham “diploma de ensino superior”, se esquece que o ensino superior é a última escala de uma longa jornada. Conforme veremos no capítulo seguinte, esta prioridade não passa de discurso. E nisso Alckmin está correto quando diz que precisa haver mudança no enfoque em relação à educação, com maior e melhor investimento no ensino fundamental. Esta é a receita que os países mais competitivos do que o nosso empregaram e com os quais superaram suas dificuldades.