quarta-feira, dezembro 23, 2009

Dilma sem telex

Sebastião Nery

SÃO PAULO – Jorge Amado dizia que Eduardo Portela nasceu para ser cardeal : Cardeal Portela, primaz do Brasil. Baiano, correu mundo, formou-se em Recife, estudou em Roma, Paris, Madrid, Santander. Ainda muito jovem, já era critico literário do Diário de Pernambuco.

Veio para o “Correio da Manhã” e assumiu o “rodapé de critica literária” do “Diário do Comercio”, quando Santiago Dantas o dirigiu. Professor de Cultura Brasileira na Faculdade Nacional de Filosofia e de Literatura na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, diretor da Biblioteca Nacional e diretor-geral adjunto da UNESCO, onde fui testemunha de seu prestigio, quando andei por lá como Adido Cultural do Brasil em Paris.

Portela
Ministro da Educação no governo do general Figueiredo, acabou caindo por “abrir demais” o debate político nas Universidades Federais e no movimento estudantil, quando saiu do Ministério deixando a frase :

- “Não sou ministro, estou ministro”.

Uma noite, veio a São Paulo para um debate com estudantes. Terminou, foi para o aeroporto de Congonhas, que estava fechado, sem teto. Voltou, foi para o Maksoud Plaza Hotel, à uma e meia da manhã. O chefe da recepção, português de Angola, era radical:

- V. Exa. tem bagagem?

- Não. Vim de Brasília para voltar, não há avião.

- Não tendo bagagem tem que pagar adiantado.

Puxou o talão de cheque para pagar.

- Cheque de Brasília? Não pode. Cheque de fora não aceitamos. Só se for de São Paulo.

Ministro
Portela não sabia o que fazer, àquela hora.Valdir Luciano, primo do ministro Jair Soares, passava lá, ouviu a conversa por acaso, interferiu :

- Esse é o ministro Eduardo Portela, da Educação.

- Não pode ser. Se fosse ministro, teria vindo telex de Brasília. Toda vez que vem ministro para cá, vem telex. Se não veio telex, não é ministro.

Valdir fez um cheque de São Paulo, pagou, Eduardo Portela foi dormir. Às três e meia da manhã foi acordado. O angolano tinha apurado a gafe que havia cometido, mandou um cartão de desculpas, uma cesta de frutas e um champanhe.

O ministro recebeu, agradeceu e foi dormir o sono do poder irreconhecido. Sem telex, ninguém era ministro.

Lula
A ministra Dilma Roussef quer ser presidente da Republica sem telex. Ela jura que é a candidata de Lula. Lula diz que é mesmo. Mas o pais não acredita. Ninguém acredita nela. Falta o telex da confiança do povo.

Há um ano e meio agarrada nos braços de Lula, encarrapatada nele, carregada por ele de baixo para cima e de cima para baixo, presente a todas as entrevistas, participando de todos os comícios, fazendo todas as viagens, até mesmo fingindo que chefiava a delegação brasileira a Copenhague, sem entender nada daquilo e fazendo o fiasco que fez, ela não vira candidata.

Depois de um ano e meio de campanha, quando saíram as pesquisas anteriores e ela não conseguia passar dos 20%, o palacio do Planalto alegava que era preciso esperar o programa de TV do PT, que seria feito apenas por Lula e ela, para Lula dizer e o povo ver que ela é a candidata.

Vox Populi
Veio afinal o programa. Lula passou o tempo todo falando e insistindo na candidatura dela, e não adiantou nada. Nesse fim de semana, saíram as pesquisas dos dois derradeiros institutos que ainda não haviam divulgado suas sondagens do ultimo trimestre: Vox Populi e Data Folha.

E são resultados reveladores. Fazendo campanha há um ano e meio, Dilma não conseguiu realmente crescer. Sem fazer campanha, sem sequer ter dito que é candidato, Serra mantém o dobro dos votos dela.

Números da pesquisa Vox Populi para a revista “Isto É” :

- “Serra 38%, Dilma 20%, Ciro 12%, Marina 9%”.

Quando Ciro não participa da pesquisa (e Ciro não vai mesmo ser candidato), Serra chega a 44%, Dilma 21% e Marina 10%”.

Data-Folha
Com pequena variação, o “Datafolha” confirmou o “Vox Populi”:

- “Serra 37%, Dilma 23%, Ciro 13% e Marina 8%.

Sem Ciro, Serra vai a 40%, Dilma 26%% e Marina 11%.

No segundo turno, pelo Datafolha, Serra 49%, Dilma 34%.

Sem o telex do povo, ninguém acredita na candidatura de Dilma.

A Nuvem
Louvor em boca própria é vitupério, advertiu Camões. Mas meu ultimo livro vai voando muito bem : “A NUVEM – O Que Ficou Do Que Passou – 50 Anos de Historia do Brasil” (Geração Editorial – SP).

Com gratificante sucesso nas livrarias de todo o pais, estou lançando em calorosas noites de autógrafos nas principais capitais. E pretendo chegar a mais de 20 Estados. Já o autografei em Recife, Salvador e no Rio. A imprensa das três cidades registrou toda a repercussão.