Villas-Bôas Correa, Jornal do Brasil
O jogo de empurra dos irresponsáveis pela crise de autoridade na novela do apagão aéreo não deixou em posição confortável nenhum dos personagens, com exceção do brigadeiro Juniti Saito, desde fevereiro no comando da Aeronáutica.
O papelão do governo, do presidente-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que sentou praça para driblar o ridículo do seu recuo, deixando os controladores de vôo a ver aviões, passa pela ministra Dilma Rousseff, soterra o omisso ministro da Defesa, Waldir Pires, o último a saber das coisas, e expõe o caipora ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o único encontrado, em Brasília, na tarde de sexta-feira, 30 de março, laçado por Lula em telefonema do Estados Unidos para apagar o incêndio, e usado como cortina para disfarçar os malabarismos presidenciais.
O que todo mundo está cansado de saber bateu recorde de leviandade: o governo inchado expôs-se na nudez da sua desorganização, da falência do comando e da desarticulação administrativa.
A crise vem de 2006 e comemorou a passagem do ano com a bagunça dos aeroportos, o cancelamento e o atraso de dezenas de vôos, com os passageiros abandonados como gado em currais de abate, sem informações, sem assistência.
O governo tratou a desordem instalada em todo o país com desculpas e confiou que o tempo encontraria a saída. Esforçou-se para impedir a instalação da CPI do Apagão.
A lerdeza presidencial consumiu seis meses para as mudanças no monstrengo ministerial, com o desperdício do tempo precioso para a arrancada para o segundo mandato. E tratou o episódio de transparente gravidade, com todas as advertências do risco de degenerar em crise institucional e fardada, como mais um aborrecimento que se contornaria com agrados, promessas e discursos recheados das metáforas ousadas que chegaram ao ponto depois do efe.
Negligência repassada pela herança abençoada do quatriênio inaugural. Gastou com largueza para construir, reformar, ampliar, embelezar aeroportos em todo o país. Claro: aeroporto tem visibilidade. Obra dá voto e despeja propinas pelos ralos da corrupção.
Quem se interessa pelo sofisticado sistema de controle aéreo? Os incautos usuários de aviões confiam nos que zelam pela sua segurança. Os técnicos esgoelaram-se nas advertências sobre o excesso de trabalho dos controladores e nos pedidos de recursos para a modernização da enfartada rede de radares.
O estopim da crise acordou os dorminhocos. E exibiu o estofo dos astros do elenco. Muitos erraram, foram enganados e pagarão a conta. Outros, como o ministro Paulo Bernardo, merecem a indulgência do esquecimento. A reação do comando da Aeronáutica era previsível e esperou a hora de assumir a responsabilidade de restabelecer a hierarquia e a disciplina.
O presidente Lula representou vários personagens no enredo. No primeiro ato vestiu o macacão de líder sindicalista e prometeu tudo aos controladores em greve. Alertado pela reação da Aeronáutica, deu meia-volta, volver, entregou a batata quente ao brigadeiro Juniti Saito, declarou-se traído pelos grevistas e prometeu "mais dinheiro para modernizar a Marinha, o Exército e a Aeronáutica".
E o sindicalista, no embalo da emoção, distinguiu as greves justas das que estigmatizou com palavras de fogo: "Acho grave e uma irresponsabilidade de pessoas que têm funções consideradas essenciais e delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional".
Ora, toda a greve paralisa setores importantes e perturba a vida da população. Pelo visto, daqui por diante, greve só de camelôs, baleiros e engraxates.
O jogo de empurra dos irresponsáveis pela crise de autoridade na novela do apagão aéreo não deixou em posição confortável nenhum dos personagens, com exceção do brigadeiro Juniti Saito, desde fevereiro no comando da Aeronáutica.
O papelão do governo, do presidente-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, que sentou praça para driblar o ridículo do seu recuo, deixando os controladores de vôo a ver aviões, passa pela ministra Dilma Rousseff, soterra o omisso ministro da Defesa, Waldir Pires, o último a saber das coisas, e expõe o caipora ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o único encontrado, em Brasília, na tarde de sexta-feira, 30 de março, laçado por Lula em telefonema do Estados Unidos para apagar o incêndio, e usado como cortina para disfarçar os malabarismos presidenciais.
O que todo mundo está cansado de saber bateu recorde de leviandade: o governo inchado expôs-se na nudez da sua desorganização, da falência do comando e da desarticulação administrativa.
A crise vem de 2006 e comemorou a passagem do ano com a bagunça dos aeroportos, o cancelamento e o atraso de dezenas de vôos, com os passageiros abandonados como gado em currais de abate, sem informações, sem assistência.
O governo tratou a desordem instalada em todo o país com desculpas e confiou que o tempo encontraria a saída. Esforçou-se para impedir a instalação da CPI do Apagão.
A lerdeza presidencial consumiu seis meses para as mudanças no monstrengo ministerial, com o desperdício do tempo precioso para a arrancada para o segundo mandato. E tratou o episódio de transparente gravidade, com todas as advertências do risco de degenerar em crise institucional e fardada, como mais um aborrecimento que se contornaria com agrados, promessas e discursos recheados das metáforas ousadas que chegaram ao ponto depois do efe.
Negligência repassada pela herança abençoada do quatriênio inaugural. Gastou com largueza para construir, reformar, ampliar, embelezar aeroportos em todo o país. Claro: aeroporto tem visibilidade. Obra dá voto e despeja propinas pelos ralos da corrupção.
Quem se interessa pelo sofisticado sistema de controle aéreo? Os incautos usuários de aviões confiam nos que zelam pela sua segurança. Os técnicos esgoelaram-se nas advertências sobre o excesso de trabalho dos controladores e nos pedidos de recursos para a modernização da enfartada rede de radares.
O estopim da crise acordou os dorminhocos. E exibiu o estofo dos astros do elenco. Muitos erraram, foram enganados e pagarão a conta. Outros, como o ministro Paulo Bernardo, merecem a indulgência do esquecimento. A reação do comando da Aeronáutica era previsível e esperou a hora de assumir a responsabilidade de restabelecer a hierarquia e a disciplina.
O presidente Lula representou vários personagens no enredo. No primeiro ato vestiu o macacão de líder sindicalista e prometeu tudo aos controladores em greve. Alertado pela reação da Aeronáutica, deu meia-volta, volver, entregou a batata quente ao brigadeiro Juniti Saito, declarou-se traído pelos grevistas e prometeu "mais dinheiro para modernizar a Marinha, o Exército e a Aeronáutica".
E o sindicalista, no embalo da emoção, distinguiu as greves justas das que estigmatizou com palavras de fogo: "Acho grave e uma irresponsabilidade de pessoas que têm funções consideradas essenciais e delicadas, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional".
Ora, toda a greve paralisa setores importantes e perturba a vida da população. Pelo visto, daqui por diante, greve só de camelôs, baleiros e engraxates.