sexta-feira, abril 13, 2007

Cuba revê economia socialista para solucionar problemas

Havana. Economistas e especialistas cubanos discutem pela primeira vez desde a revolução de 1959 alternativas para combater a "ineficiência, o roubo e a má qualidade" dos serviços socialistas, informou ontem a imprensa oficial. A iniciativa é do presidente interino Raúl Castro, irmão de Fidel, que estimula debates sobre os problemas da ilha desde que assumiu o governo há oito meses.

"Encontrar novos métodos que possibilitem incrementar a eficiência econômica e acabar com a corrupção são os principais objetivos que um grupo de profissionais quer alcançar e que pela primeira vez inicia um projeto para analisar a propriedade no país", informou o Juventude Rebelde, jornal da União de Jovens Comunistas. O Partido Comunista cubano encarregou economistas para preparar estudos com propostas para as deficiências em vários setores.

"A propriedade socialista em Cuba enfrenta ameaças externas e internas. Para combatê-las com êxito é necessário que a ciência busque as causas dos problemas", disse o economista Ernesto Molina, do Instituto Superior de Relações Internacionais, durante o encontro.

A criação de uma Comissão sobre as Relações da Propriedade Socialista foi anunciada em outubro do ano passado pelo governo. Depois do anúncio, os jornais publicaram uma série de reportagens sobre o desvio de recursos e os maus serviços nas lojas do Estado.

O Juventude Rebelde diz que as irregularidades impediram o desenvolvimento dos serviços. Há anos os cubanos reclamam da qualidade de serviços estatais. Alguns economistas propuseram a criação de cooperativas como saída ou mesmo uma pequena abertura para a propriedade privada, como na China. Mas representantes do governo cubano se opõem à fórmula chinesa.

O jornal pediu paciência aos cubanos. "Os primeiros resultados do estudo amplo e complexo sobre a propriedade em Cuba serão conhecidos em três anos", informou. A economia do país, inspirada no modelo comunista da União Soviética, é fortemente controlada pelo Estado, que proporciona os insumos e estabelece os preços dos produtos.

Afastado do poder desde julho do ano passado, Fidel, 80 anos, publicou dois artigos nas últimas semanas. Um deles sobre aquecimento global e outro sobre os riscos dos biocombustíveis. No segundo texto, o líder socialista criticou a parceria dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George Bush para a produção de etanol, classificada de "internacionalização do genocídio".