sexta-feira, abril 13, 2007

Segurança pública, a mentira

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Policiais, preparem-se para continuar morrendo como moscas.

Sempre que mais um de vocês for exterminado sem dó pela bandidagem e vocês ouvirem as autoridades falarem em força-tarefa, força nacional ou Exército nas ruas, podem ter certeza que o que vai ser feito para melhorar a segurança é mais ou menos o que vinha sendo feito antes: nada.

O secretário nacional de segurança, Antonio Carlos Biscaia, não tem o menor constrangimento em se pendurar nesse factóide de Força Nacional de Segurança Pública. Alguém minimamente sério pode acreditar que o Estado brasileiro, que não tem onde cair morto, vai criar um esquadrão formidável para fazer o que as polícias militares, civis e federal não estão fazendo?

Aí vem esse governador fanfarrão, Sérgio Cabral Filho, dizer que não quer passar quatro anos enterrando vítimas da violência. É curioso como essas figuras acreditam que a vida é um palanque. Uma frase de efeito, e está tudo resolvido.

Prezado Sérgio Cabral Filho, talvez não tenham lhe avisado: o governador é você. E o que ninguém agüenta mais é esse truque de dizer que vai chamar o Exército, meu caro. A população do Rio e de todos os estados brasileiros está esperando o dia em que os governantes parem de pedir ajuda aos marcianos e resolvam cuidar para valer das polícias aqui do planeta Terra.

Deve ser muito estimulante para os bons policiais do Rio de Janeiro, ansiosos por uma reforma institucional, por um enfrentamento da banda podre, por um salário digno do risco que correm, pela seleção e qualificação dos comandos, ouvir o governador dizendo que vai chamar o Exército.

Seria uma piada, se não fosse uma tragédia. A quem essas autoridades querem enganar? Até as baratas do Palácio Guanabara sabem que o Exército não pode, não sabe e não fará segurança pública nos grandes centros urbanos. Por sua vez, as moscas do Planalto (e elas estão em alta por lá) estão cansadas de saber que segurança pública no Brasil é Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Federal. Reformá-las, se for possível. Ou apenas dar a elas mínimas condições de trabalho. Decência.

Se os senhores Cabral, Biscaia, Genro e companhia não tiverem vontade (ou coragem) de fazer o óbvio, tudo bem. Não façam. Mas parem de insultar o cidadão com esse teatrinho da autoridade ultrajada.