sexta-feira, setembro 24, 2010

A fraude vergonhosa do Ministério da Cultura

Comentando a Notícia

Encarregada pela escolha do filme brasileiro a ser indicado para concorrer ao Oscar 2011, o Ministério da Cultura, demonstrando todo o espírito “democrático” de que é tomado, resolveu abrir uma enquete ao público brasileiro, para que ele indicasse qual filme de sua preferência deveria ser o indicado a ser nosso representante.

Recentemente, o Ministério publicou em seu site o resultado da enquete. Leiam a nota, volto depois.

Filme “Nosso Lar” é o vencedor de enquete

Por meio de uma enquete que ficou disponível no site do Ministério da Cultura entre os dias 8 e 20 de setembro, o público elegeu “Nosso Lar” como o filme brasileiro que gostaria de ver concorrendo ao Oscar 2011. No total, a enquete recebeu quase 130 mil votos. O filme preferido pelo público obteve quase 89 mil votos, o equivalente a 70% da votação.

O resultado será uma indicação para auxiliar a Comissão de Seleção (composta por membros indicados pelo MinC, pela SAv, Ancine e Academia Brasileira de Cinema) na decisão de qual filme brasileiro recomendar para concorrer ao prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira, no Oscar 2011.

O objetivo desta enquete foi o de estimular as pessoas a assistirem a produção nacional de cinema, apontando seus filmes favoritos.

A Comissão de Seleção se reunirá na próxima quinta-feira, dia 23 de setembro, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Às 12h00, fará o anúncio do longa escolhido, seguido por uma coletiva de imprensa.

Confira a votação:

1. Nosso Lar - (70,0%, 88.894 Votos)
2. Chico Xavier - (12,0%, 14.881 Votos)
3. Os Famosos e os Duendes da Morte - (8,0%, 10.437 Votos)
4. O Grão - (2,0%, 2.431 Votos)
5. Antes que o mundo acabe - (2,0%, 2.035 Votos)
6. Lula, o Filho do Brasil - (1,0%, 1.646 Votos)
7. Cinco Vezes Favela, Agora Por Nós Mesmos - (1,0%, 1.227 Votos)
8. As Melhores Coisas do Mundo - (1,0%, 1.147 Votos)
9. Utopia e Barbárie - (1,0%, 843 Votos)
10. Carregadoras de Sonhos - (1,0%, 659 Votos)
11. O Bem Amado – (0,0%, 582 Votos)
12. Reflexões de um Liquidificador - (0,0%, 520 Votos)
13. Em Teu Nome – (0,0%, 448 Votos)
14. É Proibido Fumar – (0,0%, 423 Votos)
15. Bróder - (0,0%, 375 Votos)
16. Quincas Berro D’água - (0,0%, 350 Votos)
17. A Suprema Felicidade - (0,0%, 202 Votos)
18. Olhos Azuis - (0,0%, 182 Votos)
19. Sonhos Roubados - (0,0%, 163 Votos)
20. Hotel Atlântico - (0,0%, 70 Votos)
21. Os Inquilinos - (0,0%, 62 Votos)
22. Cabeça a Prêmio - (0,0%, 56 Votos)
23. Ouro Negro - (0,0%, 54 Votos)

(Assessoria de Comunicação SAv/MinC)

VOLTEI:
Pois bem, vejam lá: a enquete recebeu quase 130 mil votos, o que não é pouco, e o filme “Nosso Lar” foi o preferido do público recebendo 70,0% de preferência. Filme com retumbante sucesso de crítica e bilheteria, “Nosso Lar” seja pela abordagem do tema, quanto pela qualidade de sua produção, teria, portanto, amplo apoio do público brasileiro se fosse o indicado.

Porém, contrariando a expectativa do público, e traindo completamente sua própria enquete, adivinhem qual filme foi o escolhido? Adivinhou: “Lula, o filho do Brasil”, que aparece na enquete em modestíssimo 6º lugar, com inexpressivos 1,0% de votos e que, na bilheteria, sequer atingiu 50% de público que o filme “Nosso Lar” recebeu em tão pouco tempo, e com muito menos “apoio oficial”.

Não só isso: o filme, “Lula, o filho do Brasil”, foi duramente criticado pela abordagem pasteurizada com que narra a biografia do “Cara”. E para que não se diga que estamos sendo preconceituosos, leiam a crítica que o filme recebeu na vizinha Argentina:

"A incrível história de vida de Lula da Silva merecia um filme melhor, mais interessante e mais profundo que 'Lula, el hijo del Brasil'".

Esta é a avaliação da crítica Natalia Trzenko, publicada nesta quinta-feira no jornal argentino "La Nacion", sobre o filme "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto, que está estreando em Buenos Aires.

"Cada episódio da vida do presidente do Brasil é mostrado como se fosse um manual de História escrito por seu biógrafo oficial", continua a crítica, que deu ao filme a cotação "regular". O roteiro é considerado "limitado e superficial" pela crítica, que só livrou a cara de Gloria Pires, que, na avaliação do jornal, interpreta "com maestria" o papel de dona Lindu.

Na nota do Ministério da Cultura disponível em seu site que informou ao público o indicado a representar o Brasil no Oscar, na categoria Melhor Filme Estrangeiro, também se pode ler os comentários que não pouparam de críticas a escolha, como também alguns ficaram indignados em razão de que o resultado enquete, promovida pelo próprio Ministério, acusara uma preferência diferente pelo público. Se, na hora da escolha, a opinião de público e crítica é solenemente ignorada, se no resultado da enquete popular o escolhido aparece em modestíssima 6ª colocação, para que a enquete, então?

Quando se noticiava sobre qual filme brasileiro seria indicado para nos representar, em um grupo de amigos, afirmei categoricamente que se tratava de um joguinho de cartas marcadas, tipo aquelas licitações viciadas que neste governo são costumeiras, e que servem apenas para enganar bobo, porque duvidava que alguém do Ministério da Cultura fosse escolher outro filme que não o do Lula.

Repito: se o critério de escolha como o próprio Ministério informou foi o “...que nos pareceu mais bem feito...”, que não quer dizer absolutamente nada, o próprio Roberto Farias acabou não deixando dúvidas quanto ao verdadeiro motivo pela escolha feita, ao afirmar que “...Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida...”. E daí, isto torna o filme melhor?

Abaixo leiam a nota do Ministério da Cultura informando a escolha do nosso representante no Oscar, frustrando de forma absoluta uma preferência de público, tanto na enquete realizada pelo próprio ministério, quanto ao que se vê nas bilheterias. Até pode acontecer doo filme do Barreto ser premiado, o que não invalida o fato de que se trata de uma produção fraca, com enredo fraco e superficial, assim também entendido pela crítica.

Fica claro que o Ministério da Cultura se orientou em sua escolha pela politicagem rasteira, aquilo que popularmente chamamos de “babação de ovo”, e não por critérios técnicos. E, mesmo contando com amplos incentivos, divulgação e publicidade, um filme que narrava a vida de um presidente popular, não conseguiu sequer atrair a atenção dos próprios correligionários de Lula. E olha que só faltou distribuírem ingressos de graça.

Não faz nem se pratica cultura, senhor Ministro, mediante bajulação servil ao poder. Até pelo contrário.

Segue a nota do Ministério do Culto ao Poder.

"Lula, o Filho do Brasil" concorrerá à indicação de Melhor Filme em Língua Estrangeira

O presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias, anunciou que, por opinião unânime da Comissão de Seleção, o longa-metragem “Lula, o Filho do Brasil” (dir. Fábio Barreto; Brasil, 2009) vai concorrer a uma indicação à categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, na 83ª Premiação Anual, promovida pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences - Oscar 2011. A decisão foi divulgada no final da manhã desta quinta-feira (23), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

“Votamos no filme que nos pareceu mais bem feito, que honra a cinematografia brasileira e tem como atriz Glória Pires, que se torna uma excelente candidata ao prêmio de Melhor Atriz”, explicou Roberto Farias. “Nossa posição não tem nenhuma ligação política. Lula é uma estrela aqui e fora daqui, internacionalmente conhecida”, completou.

Agora o filme concorrerá com produções de mais de 95 países à indicação final. Os cinco longas selecionados para concorrer ao Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira serão anunciados em 25 de janeiro de 2011. A cerimônia de premiação será realizada no dia 27 de fevereiro de 2011.

Ao todo, 23 filmes brasileiros disputaram a chance para tentar uma vaga em um dos prêmios mais cobiçados da sétima arte foram: “A Suprema Felicidade”, “Antes que o Mundo Acabe”, “As Melhores Coisas do Mundo”, “Bróder”, “Carregadoras de Sonhos”, “Cabeça a Prêmio”, “Cinco Vezes Favela - Agora Por Nós Mesmos”, “Chico Xavier”, “É Proibido Fumar”, “Em Teu Nome”, “Hotel Atlântico”, “Lula, o Filho do Brasil”, “Nosso Lar”, “O Bem Amado”, “O Grão”, “Olhos Azuis”, “Os Inquilinos”, “Os Famosos e os Duendes da Morte”, “Ouro Negro”, “Quincas Berro D’água”, “Reflexões de um Liquidificador”, “Sonhos Roubados” e “Utopia e Barbárie”.

Comissão de Seleção
Este ano, pela primeira vez, a Comissão de Seleção foi ampliada e o Ministério da Cultura não foi a única instituição a indicar os membros dessa comissão que escolheu o concorrente brasileiro. O grupo é composto por nove representantes, indicados pela Academia Brasileira de Cinema (ABC), Agência Nacional de Cinema (Ancine) e pelo Ministério da Cultura (MinC). Veja a lista:

• Roberto Farias - Cineasta, presidente da Academia Brasileira de Cinema
• Clélia Bessa - Produtora de cinema e professora da PUC-RJ
• Elisa Tolomelli - Produtora, diretora e roteirista de cinema
• Mariza Leão Salles de Rezende - Produtora de cinema e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual do Rio de Janeiro (SICAV)
• Leon Cakoff - Crítico de cinema, criador e diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
• Márcia Lellis de Souza Amaral (Tata Amaral) - Cineasta
• Cássio Henrique Starling Carlos - Jornalista e crítico de cinema
• Frederico Hermann Barbosa Maia - Assessor do Ministério da Cultura
• Jean Claude Bernardet - Cineasta, crítico cinematográfico, escritor, teórico e professor da UnB e da USP

O filme
Lançado oficialmente no dia 1º de janeiro de 2010, “Lula, o Filho do Brasil” conta a trajetória pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (interpretado por Rui Ricardo Diaz) desde seu nascimento, em 1945, quando, no sertão pernambucano, Dona Lindu (Glória Pires), uma mulher simples e de fortes valores morais, dá à luz o seu sétimo filho, Luiz Inácio da Silva, e enfrenta o abandono do marido e as dificuldades de criar seus filhos sozinha na “cidade grande”. Em 1980, Lula se torna o maior líder sindical do país e emerge como uma força política renovadora. Uma vida marcada por dificuldades, perdas e uma notável capacidade de superação.

“Lula, o Filho do Brasil” conta a saga da família Silva, semelhante a de tantas outras famílias Silva do Brasil. Ainda no elenco: Cléo Pires (no papel de Lurdes), Juliana Baroni (Marisa Letícia), Milhem Cortaz (Aristides), Lucélia Santos (Professora) e Antônio Pitanga (Seu Cristóvão), entre outros.
(Comunicação Social/MinC)