sexta-feira, setembro 24, 2010

Sinais trocados

Villas-Bôas Corrêa, publicado no blog do jornalista

Este Blog nasceu de um presente do meu filho Marcos de Sá Corrêa, com a generosa intenção de estimular o pai octogenário a usar a Internet. Com sessenta anos de profissão, sempre batucando com os indicadores que entortaram, resisti à rendição a Internet. E hoje não quero outra ida. O Blog veio depois, boiando em água mansa. E foi uma extraordinária experiência.

Os colaboradores foram chegando um a um. E com eles o saudável hábito do diálogo, sempre cordial e respeitoso. Para a mais estimulante das surpresas, em poucos meses chegamos a mais de 60 mil acessos (acessos, não necessariamente leitores). Cultivei o que virou mania de entrar na conversa e fui criando amigos que não conheço pessoalmente, nem de retrato.

Não sei quantos somos. Mas, até a campanha eleitoral mergulhar na cloaca da baixaria, com o presidente Lula desatinado, não se sabe porquê, se a sua candidata Dilma Rousseff, depois da passagem pela chefia da Casa Civil, na gerência da ex-ministra Erenice Guerra, com licitações viciadas e outras proezas notórias, continua liderando as pesquisas, mesmo perdendo alguns pontinhos, mas com o José Serra a léguas de distância.

Se não é o caso de um distúrbio mental, por estafa da campanha, não encontro explicação para a virada pelo avesso. A ardorosa defesa da censura a imprensa, carimbo da ditadura, pegou como moléstia contagiosa até em amplos setores da mídia impressa e televisiva. Passeatas, manifestos, declarações, a praga corre o país e ensandeceu o PT.

É claro que depois de passar por duas ditaduras, a do Estado Novo e a ditadura militar dos cinco generais-presidente, não me daria ao ridículo de apoiar este ensaio de um governo forte. E que sempre se emporcalha na roubalheira. Como as últimas que detonaram a sucessora de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra e pipocam nas denúncias em cascata.

E até neste modesto Blog, visitantes entraram pelos fundos e sem a menor cerimônia. Passaram do deboche à grosseria, na defesa do iluminado guru Lula da Silva e da sua candidata, imposta de cima para baixo, sem nunca ter recebido um voto.

Não vou me expor ao ridículo de expulsar os intrusos. Cada um reagirá como quiser.

No que me toca, terei o cuidado de não ler provocações nem me irritar com bestialógicos. E continuarei a defender a liberdade de imprensa, sem a qual não há democracia e a exercer o dever da análise crítica, uma marca da minha geração que é a do Carlos Castello Branco, do Heráclio Salles, do Odylo Costa, filho; do Benedito Coutinho, do Murilo Mello Filho, do Wilson Figueiredo, do Prudente de Morais Neto; da Dora Kramer, do Ricardo Noblat, do Ferreira Gullar, um dos maiores poetas do mundo e uma centena de jornalistas que honram a profissão.

Esta onda golpista vem e passa. Desta vez, os militares não repetem o erro e o desgaste do Estado Novo e da ditadura militar.