domingo, fevereiro 05, 2012

Mudança em ministérios é 'natural', afirma Gilberto Carvalho. O que não é natural é serem tantas por corrupção

Comentando a Notícia

O senhor Gilberto de Carvalho, Secretário da Presidente da República, deve achar que a opinião pública, prelo menos grande parte dela, deve ser formada por arrematados imbecis, que acreditam na palavra oficial de uma autoridade, como se fosse a única e exclusiva expressão da verdade.

Aprendemos estes anos todos, principalmente com o petismo no governo federal, que  o oficialismo vai se tornando sinônimo de cinismo, quando não de coisa muito pior.

Aponte-me o senhor Gilberto Carvalho quando e com qual presidente, foi preciso remover em um ano, tantos ministros por corrupção. É claro que os tempos são outros, que a velocidade com que a informação chega à sociedade sobre atos praticados pelas autoridades é infinitamente mais rápida do que 50 anos atrás. Mas também os valores são outros, o grau de tolerância da sociedade ou de boa parte dela também é menor com a roubalheira, mas é certo que nunca tantos foram removidos de seus cargos acusados de corrupção e ações criminosas. Prefiro este adjetivo “criminoso” do que aquele com que o petismo  tenta disfarçar seu banditismo, usando crime como sinônimo de "mal feito". Mal feito? Uma ova, só se for pela má qualidade do crime praticado que, de tão ruim ou mal conduzido, deixou rastros e acabou descoberto. Mas, gostem ou não, queiram ou não, o ato de corrupção e outras safadezas hoje tão comuns no seio político, são crimes tipificados no códigos de leis do país, e não simples "mal feitos". SÃO CRIMES, SIM SENHORES!

Assim, quando o senhor Gilberto Carvalho, em entrevista ao programa "Bom Dia Ministro", afirma que as mudanças realizadas pela presidente na Esplanada seguem um "padrão normal, em que ela procura sempre buscar o melhor em cada uma das áreas do governo", não passa de pura lorota. Dilma bem que tenta resistir às denúncias. E mesmo quando as evidências são inquestionáveis, tentando fazer um jogo de resistência contra o que chamam de denuncismo da imprensa, acaba gerando uma crise política que tem paralisado a ação de seu governo. 

Com a saída de Negromonte do Ministério das Cidades, e às exceções de Haddad da Educação para concorrer à Prefeitura de São Paulo, e Nelson Jobim da Defesa, que pediu demissão após tecer duras críticas a auxiliares próximas de Dilma, são sete ministros que caíram não por extrema competência, mas por corrupção mesmo. E há que se registrar, também, que grande parte das acusações foram levantadas pela Imprensa, não pelos mecanismos de controle e fiscalização que, somente após as primeiras denúncias, é que acabaram se interessando pelo assunto e, fruto das investigações, corroboraram com tudo o que a imprensa já havia apurado.  

Disse ainda o senhor Gilberto Carvalho: "Nós entendemos que é natural que haja mudanças no ministério", citando o exemplo da saída de Fernando Haddad do ministério da Educação --ele deixou a pasta para se dedicar à campanha pela Prefeitura de São Paulo. Poderia o secretário ter acrescentado Nelson Jobim.  

A situação de Negromonte agravou-se na semana passada após a Folha revelar a participação dele e do secretário-executivo, Roberto Muniz, em reuniões privadas com um empresário e um lobista interessados num projeto do ministério.

O ministro ainda elogiou o PDT, cujo presidente, Carlos Lupi, deixou recentemente o Ministério do Trabalho após suspeitas de irregularidades na pasta. "A indicação será da presidenta sempre em consulta ao partido", afirmou Carvalho sobre o substituto de Lupi --desde sua saída, o cargo é ocupado por Paulo Roberto Pinto, antes secretário executivo.

Ora, o senhor Gilberto Carvalho pode elogiar quantos partidos quiser, afinal é do próprio jogo político a tentativa de prestigiar os partidos que compõem a base de apoio do governo. Contudo, o que não consegue explicar é a quantidade de ministros derrubados, em tão pouco tempo, com acusações variadas de corrupção e tráfico de influência, algo inédito na história republicana do país, e ainda apelar cinicamente para tentar nos fazer crer como algo “natural”. 

Natural seria se as saídas de suas excelências se dessem por outras razões como a de Haddad, e isto sim, em anos eleitorais, é muito comum e natural. 

Além disto, cai por terra a propalada capacidade gerencial da presidente, afinal, o ministério é dela, ela pode até não ter indicado alguns de seus ministros, mas aprovou e empossou os indicados, assumindo sobre eles a responsabilidade. Além disto, vai por água abaixo o espírito ético, porque os que caíram só foram demitidos diante da pressão da sociedade e com a paralisia governamental diante da crise política instalada mercê a resistência em mandar embora seus colaboradores suspeitos. 

E a fila dos desempregados não aumentou ainda mais, e mesmas razões, em razão da presidente resistir em demitir gente do próprio partido, caso de Pimentel da Indústria e Comércio, e Fernando Bezerra da Integração, diante da crise que se instalaria com o Eduardo Campo do PSB. 

Espera-se que, com ministério renovado, o governo Dilma comece de fato. Porque, como se viu até aqui, estes treze meses serviram apenas para administrar crises palacianas. 

Posso estar enganado, mas creio que dona Dilma tenha sido escolhida não apenas para isto. Acho que o país merece, precisa e espera que ela faça algo mais.

Aliás, como bem lembrou o Noblat em seu blog, “...Por que elogiar uma presidente que em 13 meses demitiu sete ministros suspeitos de corrupção? Deveria ser criticada por não saber escolher seus auxiliares”. 

Na mosca!!!