O Globo
Só no Nordeste, duas falhas deixaram moradores em luz em menos de 35 dias
RIO — O apagão que atingiu os nove estados da região Nordeste e áreas de Tocantins, Pará e Distrito Federal é o quinto de uma série de falhas no fornecimento que teve início em setembro.
Em 22 de setembro — duas semanas depois de a presidente Dilma Rousseff anunciar uma redução de até 16% na tarifa de energia elétrica residencial — um problema nas interligações Sudeste/Norte e Sudeste/Nordeste prejudicou o fornecimento de energia em parte do Nordeste.
Embora os técnicos do ONS e do Ministério de Minas e Energia (MME) tenham considerado aquele apagão de pouca gravidade, 6 milhões de consumidores ficaram sem luz por 23 minutos em seis estados da região. O blecaute retirou 30% da energia do Nordeste — três mil megawatts (MW).
No dia 3 de outubro, um curto-circuito em um transformador de Furnas em Foz do Iguaçu, deixou às escuras 2,667 milhões de clientes de 13 estados do país, inclusive no Rio. A falha gerou uma explosão e fogo no equipamento, contido pela brigada de incêndio da subestação. Segundo o ONS, o incidente causou perda de carga na usina de Itaipu.
No Rio, 575 mil consumidores ficaram no escuro por volta das 21 horas, ou 8,6% dos 6,7 milhões de clientes no estado. Na área de distribuição da Light, a Zona Oeste do Rio, Nova Iguaçu, Seropédia e Itaguaí foram alguns dos locais afetados. Na região da Ampla, ficaram sem luz clientes de Araruama, São Gonçalo, Niterói, Campos e Petrópolis.
Apenas um dia depois desse apagão nacional, um blecaute atingiu 70% do Distrito Federal por pelo menos duas horas. Segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), um incêndio no cerrado afetou uma linha de transmissão importante da região, que entrou em curto. Por segurança, as subestações foram desligadas automaticamente.
Congresso Nacional, Esplanadas do Ministério e até o Supremo Tribunal Federal ficaram parcialmente no escuro. No total, 560 mil unidades — lojas, residências e escritórios —ficaram sem energia em Brasília e nas cidades vizinhas. A luz foi religada aos poucos e, no fim da tarde, apenas duas cidades do entorno do DF permaneciam sem luz.
Tanto no Palácio do Planalto, como no Palácio da Alvorada, onde a presidente estava reunida com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, houve um pico de energia, e os geradores entraram em ação. Nos anexos do Planalto, foi acionado o esquema de emergência, com iluminação apenas essencial.
Na sexta-feira passada — logo no dia em que seria exibido o último capítulo da novela “Avenida Brasil” — várias regiões de Brasília voltaram a sofrer com falta de luz. O fornecimento de energia foi interrompido volta das 14h30m nas cidades-satélites Águas Claras, Riacho Fundo II, Santa Maria e Recanto das Emas, sendo retomado nessas áreas às 15h20m. Já Brasília (Asa Norte, Lagos Sul e Norte) e as satélites de Sobradinho e Planaltina ficaram sem luz das 15h20m até as 15h50m, com instabilidade no fornecimento nesse período.
A CEB informou que uma falha em uma subestação causou o problema e reforçou, em nota enviada no final da tarde, que “não foi encontrado em seu sistema supervisor nenhuma falha que pudesse causar os desligamentos de suas subestações”.
