domingo, outubro 28, 2012

Técnica pode evitar doenças genéticas de herança materna


Exame.com
Com Agência EFE

Os especialistas conseguiram substituir o DNA mitocondrial defeituoso pelo genoma mitocondrial livre de mutações danosas de um doador

AFP
 Dupla hélice de DNA: 
o DNA mitocondrial, localizado fora do 
núcleo das células, é herdado sempre por via materna

Londres - Uma equipe internacional de cientistas conseguiu substituir um DNA mitocondrial defeituoso por outro saudável em óvulos humanos, um avanço que pode ajudar a evitar a aparição de doenças genéticas de herança materna.

Este trabalho, publicado nesta quarta-feira pela revista científica "Nature", é obra de uma equipe da Universidade de Oregon (Estados Unidos), liderada pelo cientista japonês Masahito Tachibana.

Os especialistas conseguiram substituir o DNA mitocondrial defeituoso pelo genoma mitocondrial livre de mutações danosas de um doador e obtiveram assim um óvulo capaz de produzir com normalidade blastócitos - embriões de até cinco dias de vida - e células-tronco embrionárias.

O bebê que nascesse deste óvulo teria todos os traços genéticos de sua mãe biológica, mas levaria o genoma mitocondrial da doadora e estaria livre das doenças que, de outro modo, lhe teria transmitido sua progenitora, segundo explicou o pesquisador Shoukhrat Mitalipov em entrevista coletiva.

Este DNA mitocondrial, localizado fora do núcleo das células, é herdado sempre por via materna e é o responsável pela transmissão de doenças genéticas incuráveis que afetam especialmente os órgãos e tecidos com maiores necessidades energéticas, como o cérebro, o coração, o pâncreas e os rins.

Entre elas destaca-se a síndrome Melas, um transtorno degenerativo que causa episódios similares a apoplexias; a síndrome MERF, que provoca ataques epilépticos e atrofia muscular, e a atrofia óptica de Leber, que causa a perda quase completa da visão.

Nos Estados Unidos nascem a cada ano até quatro mil crianças com uma doença mitocondrial, para as quais só existem tratamentos que aliviam os sintomas e atrasam sua aparição.

Anteriormente ao experimento com óvulos humanos, a equipe da Universidade de Oregon conseguiu aplicar sua técnica com sucesso em óvulos de macacos que posteriormente fertilizaram, o que desembocou no nascimento de quatro crianças saudáveis, detalhou o cientista.

O trabalho publicado hoje representa o primeiro passo de uma pesquisa que, em humanos, poderia traduzir-se em um tratamento genético que evite a aparição de doenças de herança materna, embora ainda precise superar os testes clínicos, ressaltou Mitalipov.