domingo, outubro 28, 2012

Risco na energia: luz amarela está acesa para o verão gaúcho


Caio Cigana
Zero Hora

Especialistas alertam para ameaça de cortes de carga, o que é descartado pela CEEE

Foto: JAMES TAVARES / divulgação
Nos meses mais quentes, costuma ocorrer a queda do nível
 dos reservatórios e o Estado aumenta a dependência de envio de energia do centro do país

Após as regiões Norte e Nordeste enfrentarem um novo apagão na madrugada de sexta-feira, especialistas voltaram a alertar para o risco de o Rio Grande do Sul sofrer cortes de carga no verão, época de maior consumo. Negado pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), o perigo estaria relacionado à menor geração própria nos meses mais quentes, ao crescimento da demanda e à limitação para transferência de energia de outras regiões do país pelo Sistema Interligado Nacional.

– No verão de 2012, já estivemos no limite. O Rio Grande do Sul está com a luz amarela acesa. Este será o verão mais crítico dos últimos quatro ou cinco anos – diz o coordenador da área de energia da Agenda 2020, Ronaldo Lague, ressaltando que, enquanto o consumo gaúcho vem crescendo, não entraram em operação novas linhas de transmissão que reforçassem a conexão do Estado com o sistema nacional.

Para especialistas, além de mais aparelhos de ar-condicionado a cada ano, o que faz disparar o consumo em dias mais quentes, a indústria, em um ritmo de atividade superior ao verão passado, também pode puxar a demanda. Nos meses mais quentes, com a queda do nível dos reservatórios, o Estado aumenta a dependência da energia do centro do país.

– No verão passado, tivemos muita sorte e competência da CEEE e da Eletrosul. Ficamos próximos do limite, mas ninguém sentiu o problema. Este verão não sei como será – diz Paulo Milano, especialista em energia da consultoria Siclo.

Responsável pela maior parte da rede de transmissão no Estado, a CEEE refuta ameaça de corte.

– O Estado não corre risco de desabastecimento – diz o presidente da estatal, Sérgio Dias.

Além da previsão de um regime de chuvas dentro da média, ao contrário do ano passado, quando a seca forçou a parada de hidrelétricas, Dias afirma que há um planejamento para evitar transtornos e sustentar o crescimento do consumo.

No caso das hidrelétricas, o Operador Nacional do Sistema (ONS) está controlando o despacho de energia das usinas do Sul para evitar que os reservatórios baixem, caso os prognósticos não se confirmem e volte a ocorrer uma seca. Segundo Dias, há ainda a possibilidade de operação da termelétrica Sepé Tiaraju (160 MW) em Canoas e até a reativação da térmica AES Uruguaiana (639 MW).

– Está praticamente acertado com o governo argentino o fornecimento de gás para a usina de Uruguaiana entrar emergencialmente para estabilizar o sistema neste verão – afirma Dias, listando outras iniciativas, como a instalação de geradores em subestações.

A CEEE projeta que o pico de consumo no verão deva alcançar 6,3 mil MW. Dias sustenta que a capacidade de atendimento pode chegar a 6,8 mil MW.

Para Lague, da Agenda 2020, uma das saídas para diminuir a dependência seria aumentar a geração das termelétricas. Uma luz no fim do túnel pode vir do ONS, que, até janeiro, deve entregar estudo para a realização de leilão regional de energia para o Sul. A ideia, entretanto, é dar preferência ao gás como combustível.