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Com intervenção da ministra, o estilista Pedro Lourenço poderá captar dinheiro para dois desfiles da Semana de Moda de Paris, nos meses de outubro e março
(José Cruz/ABr)
A ministra da Cultura, Marta Suplicy
Em decisão publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, o Ministério da Cultura (Minc) autoriza o estilista Pedro Lourenço a captar 2,830 milhões de reais pela Lei de Incentivo à Cultura (conhecida como Lei Rouanet) para a realização de dois desfiles na Semana de Moda em Paris, em outubro de 2013 e março de 2014. A Lei Rouanet permite que empresas ou pessoas físicas recebam isenção fiscal, direcionando parte do Imposto de Renda devido por elas a eventos ligados à cultura, desde que esses eventos tenham alguma forma de acesso ou participação popular -- o que não é o caso de um desfile feito para 300 pessoas na Europa.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a intervenção da ministra da Cultura, Marta Suplicy, foi essencial na aprovação do projeto. De acordo com o jornal, a discussão sobre o projeto de Lourenço começou em junho e seguiu até 7 de agosto, quando o plano recebeu parecer negativo da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (Cnic). No dia 12, a empresa que apresentou o projeto, Aias Produtora de Eventos, recorreu da decisão e, dois dias depois, Marta reverteu a decisão da Cnic, liberando a captação.
A ministra não quis se pronunciar sobre o assunto e divulgou uma nota justificando a decisão: “O Brasil luta há muito tempo para se introduzir e ter uma imagem forte na moda internacional. Essa oportunidade tem como consequência o incremento das confecções e gera empregos. E é um extraordinário 'soft power' no imaginário de um Brasil glamouroso e atraente”.
O texto do projeto, intitulado "Mostra de moda brasileira em Paris: Internacionalização da criatividade, Pedro Lourenço", afirma que a intenção dos desfiles é a “exposição de artefatos e de criações artísticas” de Lourenço com inspiração nos valores culturais e estéticos da cantora Carmen Miranda. “A exposição de artefatos e de criações artísticas pretende mostrar duas coleções contemporâneas de moda feitas por um designer brasileiro, pensadas através da ótica do jovem e internacionalmente renomado estilista Pedro Lourenço, que interpretará valores culturais e estéticos da performer e cantora Carmem Miranda e que os traduzirá para os dias atuais em duas mostras diferentes desfiladas na semana de moda de Paris”, diz o resumo.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Fica difícil sabermos se a ignorância de Marta Suplicy é maior ou menor do que a sua estupidez!
Torrar dinheiro público com desfiles de moda é o fim da picada. Até parece que:
• o Brasil é rico;
• tá ganhando rios de dinheiro;
• não temos nenhuma carência;
• nosso povo tem o melhor serviço de saúde do planeta;
• todos têm educação de primeiro mundo;
• nossos museus estão bem instalados e contando com esquemas de segurança contra roubo de última geração;
• nossas estradas são um primor;
• todos os mais de 5.500 municípios brasileiros contam com bibliotecas modernas, bem equipadas e com um acervo belíssimo e vasto;
• 100% dos jovens e crianças iniciam e concluem o ensino superior ou técnico, com qualidade de primeiro mundo;
• nossos professores ganham salários elevados e justos;
• nossa segurança pública é eficiente e a criminalidade vem caindo;
• nossa renda per capita está entre as cinco maiores do planeta;
• e o país suporta a mais decente carga tributária do mundo.
Crie vergonha, minha senhora. Dinheiro público deve beneficiar a todos, indistintamente, e não apenas a “estilistas” de sua roda particular de amigos.
Ter esta senhora a frente de qualquer área pública, não só a Cultura, mas qualquer outra, é um descalabro. A justificativa que deu para ter ignorado o parecer contrário, além de irresponsável, é um despropósito.
E para finalizar: se a tal comissão existe para emitir parecer sobre o qual se basearão as decisões do ministério, e a ministra simplesmente desconhece tais pareceres, e decide de forma monocrática e autoritária, então se desfaça o tal comitê. Pelo menos não se perderá mais dinheiro e tempo.
