quarta-feira, setembro 25, 2013

Obra de Cumbica é investigada por ‘trabalho degradante’

Marina Gazzoni e Fernando Scheller
Estadão.com

Aeroporto Cumbica.Obras novo terminal

A obra de construção do novo terminal do aeroporto de Guarulhos é alvo de investigação do Ministério Público do Trabalho por “trabalho degradante”. A construção é  responsabilidade da construtora OAS e chegou a empregar cerca de 3.000 pessoas durante o seu pico. A previsão da GRU Airport, concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos, é inaugurar o terceiro terminal de passageiro em maio de 2014.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) convocou uma entrevista coletiva para divulgar as informações sobre o caso nesta quarta, 25, à tarde, junto com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/SP) e o Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região.

No comunicado à imprensa, o MPT informa que “a operação flagrou operários em situação de trabalho degradante e aliciamento de trabalhadores nos canteiros de obras da construtora OAS” na construção do terminal 3 de Guarulhos. Procurado, o MPT não deu mais detalhes sobre o caso.

Segundo o Estado apurou com fontes próximas à investigação, a OAS teria descumprido a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a contratação de operários migrantes. A convenção determina que as empresas ofereçam alojamentos adequados e informações realistas sobre as condições de trabalho.

Ministério Público flagrou cerca de 100 trabalhadores, vindos principalmente da Região Nordeste para trabalhar na obra, vivendo em alojamentos improvisados em barracos nas imediações do aeroporto, de acordo com uma fonte próxima ao caso. “Eles estão se amontoando em favelas. Há barracos com sete homens dormindo na lavanderia, sem colchão para todos”, disse.

O Ministério Público encontrou casos de trabalhadores que já tinham feito o exame admissional, mas aguardavam meses para serem contratados pela OAS. Enquanto isso, não recebiam salários e viviam em moradias precárias. “Era uma espécie de cadastro de reserva. Um estoque à disposição da empresa para ela contratar quando quisesse”, disse uma fonte.

A OAS disse, em comunicado, que “não mantém pessoas alojadas na obra e que os locais identificados como alojamento tratam-se de casas alugadas por pessoas que não têm vínculo com a empresa”. “A empresa não teve nenhuma participação no incidente relatado”, informa a nota.

A GRU Airport disse, em comunicado, que “segue todas as normas trabalhistas e exige rigorosamente que seus fornecedores adotem a mesma prática”. A GRU Airport disse também “que não poupará esforços para contribuir no esclarecimento de fatos que contrariem sua conduta institucional”.