Saulo Pereira Guimarães
Exame.com
Além de controlador único para Vivo e Tim, analistas apostam que negócio pode terminar com uma operadora a menos (ou a mais) para o Brasil
Divulgação
Blue Man Group, que divulga a TIM: operadora pode ser diluída
entre concorrentes ou terminar nas mãos da Vodafone
São Paulo – Após a Telefônica aumentar sua participação na Telecom Italia na última semana, o mercado se pergunta se o governo vai (ou não) aprovar o negócio. As companhias europeias são donas da Vivo e da Tim, respectivamente – operadoras que, juntas, respondem por 55,8% do mercado brasileiro de celulares.
"É grande a possibilidade da Anatel impor restrições a existência de um controlador único para as duas empresas no Brasil", afirma Luis Gustavo, estrategista da Futura Corretora. Segundo ele, a agência reguladora não permitiria a sobreposição de frequências pelas operadoras.
Telefônica: multinacional estaria disposta
a não intervir nas decisões da Tim no Brasil
"A Telefônica está tomando precauções para facilitar a aprovação do negócio no Brasil", defende Ari Lopes, analista da consultoria de telecomunicações Informa. De acordo com Lopes, o acordo prevê que a multinacional espanhola não interfira nas decisões da Tim no país.
"O mercado brasileiro de telefonia móvel é um dos mais competitivos do mundo e isso é um ponto positivo", afirma o analista. Para Lopes, um possível efeito do negócio é a venda da Tim Brasil pela Telecom Itália.
O destino da Tim
Vivo: marca da Telefônica no Brasil
é líder de mercado, com 28,6% das linhas
Em caso de venda da Tim, Claro, Vivo e Oi poderiam formam um consórcio para compra da empresa. Segundo Lopes, uma operação como essa teria mais chance de ser aprovada pelo governo e não mudaria o tamanho das fatias de mercado das companhias. Outra possibilidade seria a entrada de uma nova companhia no Brasil – como a Vodafone.
"Seria a última chanca da empresa entrar no nosso mercado", explica Lopes. Hoje, ele está dividido entre Vivo (28,6%), Tim (27,2%), Claro (24,9%) e Oi (18,6%) – segundo dados de julho fornecidos pela Anatel. Empresas de menor porte operam a porcentagem restante. Ao todo, são 266,9 milhões de linhas no país.
Desde que a Telefônica anunciou o acordo que permite o aumento gradual de sua participação na Telco (conglomerado que controla a Telecom Italia) de 46% para até 66%, muitos boatos já circularam. De acordo com Reuters, o negócio deve ser aprovado no Brasil. Ainda segundo a agência, o acordo poderia gerar queda de qualidade no já precário serviço de telefonia móvel do país.

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