quarta-feira, setembro 25, 2013

Dilma critica EUA e faz discurso na ONU de olho em 2014

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Como esperado, presidente ataca espionagem americana. E aproveita parte do discurso para desfilar o que classificou como conquistas de seu governo

(AFP) 
Dilma Rousseff na 68 ª sessão 
da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York 

Ao falar na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff apresentou um discurso que mais parecia voltado aos eleitores brasileiros do que aos chefes de estado presentes. Como era esperado, Dilma focou sua participação em críticas ao programa de espionagem dos Estados Unidos - mas não faltou tempo para abordar temas como os protestos de junho e os "avanços" conquistados por seu governo. Já na abertura de sua participação, a presidente deixou claro a que veio, classificando a espionagem americana como violação dos direitos humanos. "Estamos diante de um caso grave de violação de direitos humanos e civis, de desrespeito à soberania nacional de meu país", disse. "Meu governo fará tudo o que estiver a seu alcance para defender os direitos humanos de todos os brasileiros e o fruto de engenhosidade das empresas brasileiras."

Dilma foi a primeira chefe de estado a discursar em Nova York, na abertura da sessão de debates da 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas - conforme a tradição de presidentes brasileiros abrirem o evento. Ela afirmou que o Brasil vai propor a criação de um marco civil da internet com validade internacional, que garanta a liberdade e a privacidade dos usuários. "O problema afeta a comunidade internacional e dela exige resposta. As tecnologias de informação não podem ser o novo campo de batalha. A ONU deve exercer um papel de liderança." Dilma falou antes do presidente dos EUA, Barack Obama. Ela disse que o país não abriga terroristas. 

"Jamais pode o direito e a segurança de um país ser garantido mediante a violação de direitos de cidadão de outro país. Pior ainda quando empresas privadas estão sustentando essa espionagem", disse Dilma. "O Brasil sabe se proteger, repudia o combate e não dá abrigo a grupo terrorista. Vivemos em paz com nosso vizinhos há mais de 150 anos". A agenda antiamericana integra a estratégia eleitoral de Dilma, que cancelou a viagem oficial que faria aos Estados Unidos em outubro após ouvir conselhos de seu marqueteiro João Santana e do ex-presidente Lula.

Depois de criticar os Estados Unidos, Dilma tratou de assuntos domésticos. Afirmou que seu governo reduziu de forma drástica a mortalidade infantil e tratou dos protestos que tomaram o país em junho. Segundo a presidente, as manifestações foram, na verdade, uma consequência positiva dos avanços de seu governo. "O meu governo não as reprimiu. Pelo contrário, ouviu e compreendeu as vozes das ruas. Porque nós viemos das ruas". Para Dilma, os protestos pediram mais avanços. "Sabemos que democracia gera mais desejo de democracia, qualidade de vida desperta anseio por mais qualidade de vida", declarou.

Dilma também cobrou uma solução diplomática para a guerra civil na Síria - sem intervenção militar, cogitada pelos EUA.  A presidente defendeu a ampliação do número de países do Conselho de Segurança da ONU, que segundo ela, perdeu "representatividade e legitimidade" e sofre de "paralisia". O Brasil é candidato a integrar o conselho.

“A crise na Síria comove e provoca indignação. Dois anos e meio de perdas de vidas e destruição, o maior desastre deste século. O Brasil está profundamente envolvido nesse drama. É preciso calar a voz das armas convencionais ou químicas do governo ou dos rebeles". A presidente também defendeu a criação de um estado palestino na questão entre Israel e Palestina, no Oriente Médio.

Esclarecimento - 
A presidente também cancelou a viagem de Estado que faria no dia 23 de outubro a Washington. Dilma considerou as denúncias de espionagem um atentado à soberania nacional e atrelou a visita à Casa Branca a uma resposta satisfatória do governo americano.

Em julho, documentos vazados pelo ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden revelaram que Brasil havia sido alvo de monitoramento dos EUA. Segundo os documentos, a NSA colheu informações sigilosas de empresas e de pessoas residentes ou em trânsito no país. Cerca de 2,3 bilhões de telefonemas e e-mails foram alvo de espionagem, com uso de programas de computador e auxílio de empresas privadas. Uma base da NSA chegou a funcionar em Brasília, de acordo com a denúncia. Snowden teve acesso às informações pela site interno da NSA.

Em agosto, reportagens feitas com base em documentos entregues por Snowden mostraram que as comunicações pessoais da presidente Dilma com assessores do governo e a estatal Petrobras haviam sido espionados pelo Departamento de Defesa do governo americano.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É muito fácil mentir para uma plateia que ali está não para contestar, mas só para ouvir.

Tem se tornado rotina nos discursos de Dilma e Lula, na abertura da Assembleia da ONU, contar vantagens mas, sobretudo, inventar o que não fizeram. Como esquecer a “saúde de primeiro mundo” que Lula aplicou? E, no entanto, ninguém lhe cobra a contradição de, poucos anos depois, o governo petista precisar importar médicos para atender a população! 

Ontem, não foi diferente. Dilma sabe que ali não estariam eleitores brasileiros, mas pressentia o quanto suas palavras repercutiriam no Brasil.

Ou, como entender  os “22 milhões retirados da miséria”? Já provamos aqui em diversos textos que esta “vitória” não passa de mero truque estatístico. Mas quem ali a contestaria?

Também dizer que o país está preparado para o terrorismo, é pura retórica. Desde quando estamos preparados, se nem lei antiterrorista temos em nosso arcabouço jurídico!  Ou, ainda, que não damos guarida a terroristas. Ok, e a turma das FARC’s é o quê, afinal? E as ações do MST e congêneres, se classifica em que gênero de crimes, cara senhora?

Quanto as críticas veementes à espionagem de agências americanas, digam lá: quem no mundo, não faz espionagem?  Até o Brasil a pratica. 

Adiante. As denúncias partiram de quem? De um espião arrependido, ok. Mas vasculhem o material fornecido e tentem encontrar ali um única descrição das tais conversas que teriam sido captadas pela NSA. Não há. Existem mapas, gráficos e outros elementos a tentar dar embasamento a uma denúncia. Porém, tratam-se de “documentos” que qualquer operador de nível médio consegue produzir em um PC. Rigorosamente, documentos descrevendo conversas que teriam sido interceptadas, não existe nada. 

Do mesmo modo se pode notar na tal denúncia sobre espionagem na Petrobrás. Por mais boa vontade que se tenha, ao analisar aquilo que o ex-espião divulgou, como prova provada da ação bisbilhoteira, não conseguimos encontrar um único documento que nos indique, claramente, quais informações teriam sido vasculhadas pela NSA.

Deixo bem claro que não estou negando que os americanos pratiquem e praticaram espionagem, tanto interceptando conversas telefônicas e e-mails, quanto xereteando informações estratégicas da Petrobrás. Contudo, aquilo que se apresentou como “prova”, a rigor, prova não é.  São apenas gráficos indicando, ou orientando, possíveis ações a serem feitas. Informação da Petrobrás não há nenhuma. 

Além do mais, seria passar atestado de total incompetência, um governante do Brasil, com a importância que o nosso país tem no cenário mundial, imaginar que não sejamos alvo de espionagem, seja dos Estados Unidos, ou da Inglaterra, China, Rússia, França, dentre outros.   

Quem não quer ter suas informações confidenciais invadidas por ações de espionagem que trate de se precaver. E, como veremos adiante, em texto do site Contas Abertas,  a verba destinada à Defesa Cibernética, que já é diminuta, ainda teve seu orçamento para o ano reduzida quase à metade. Que preparo é este, então? 

Referindo-se à guerra civil na Síria, dona Rousseff afirmou "...A crise na Síria comove e provoca indignação". Beleza, só que o governo brasileiro, até ser criticado pela comunidade internacional, negou-se em facilitar o ingresso de refugiados sírios em nosso país. Até então, onde estavam "a indignação e a comoção" da senhora Rousseff, guardadas no armário? 

Nada justifica a espionagem, certo? Porém, negar que ela existe desde a Antiguidade, é ignorar a própria história humana. Compete ao Brasil, através de seus governantes, agir para reduzir, ao mínimo, as portas abertas para invasão. Isto vale muito mais, protege muito mais, do que denúncias azedas. Precisamos aprender a agir como adultos, e não fazer papel infantil chorando em fóruns internacionais por qualquer besteira.  Por falar nisso, na semana passada, em um seminário, patrocinado por Brasil e Alemanha, e onde se trataria exatamente deste  tema, corroborando sua total incompetência neste campo, o governo brasileiro enviou como nosso representante, uma estagiária do Itamaraty. E depois vem reclamar de que, senhora Rousseff?

Não podemos ficar eternamente esperando pelos outros, para fazer por nós aquilo que é da nossa exclusiva competência.