Editorial do Jornal do Brasil
O governo federal enfrenta grandes dificuldades gerenciais para tirar do papel as obras de infra-estrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa demora nos projetos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e usinas hidrelétricas pode ser verificada até pelo ritmo lento das despesas do programa. Apenas 13,8% do total reservado para o PAC foram efetivamente gastos de janeiro a junho.
Apesar da recente liberação da licença ambiental para as usinas do Rio Madeira, o panorama do setor energético não é tranqüilo. A demora nessa definição aproximou a possibilidade cada vez menos hipotética de uma crise de desabastecimento energético já em 2009. Mesmo se todos os trâmites formais forem acelerados, não se pode mais garantir que essas e outras obras previstas consigam enfrentar a crise, exceto se a matriz energética temerariamente der prioridade às termelétricas movidas a gás boliviano, o que não é o caso.
Na área portuária, o responsável pela nova Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, já chamou de "piada de brasileiro" a paralisação na dragagem dos portos nacionais com dinheiro em caixa. As obras necessárias receberam investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2010, mas ainda não foi gasto nenhum centavo ainda. A má gestão portuária e o excesso de burocracia levaram Brito a procurar novo modelo de licitação.
As concessões na infra-estrutura rodoviária ainda não aconteceram e a modelagem das licitações pode demorar. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) prudentemente não contrata novos projetos enquanto não forem esclarecidas as supostas irregularidades descobertas em certas obras, inclusive em algumas contratadas com a empreiteira Gautama.
A confusão nos céus do país não se resume à inércia do Ministério da Defesa e ao conflito entre controladores de vôo e brigadeiros da FAB.
No meio do caminho existe a Infraero, sob investigação até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, entre outras coisas, quer saber o que foi feito do dinheiro destinado à melhoria da estrutura aeroportuária. E o Tribunal de Contas da União (TCU) já encontrou indícios de irregularidade nas contratações da Infraero ao menos para obras nos aeroportos de Vitória, Congonhas, Brasília e Galeão.
Ao Brasil não interessa o fracasso do PAC. A oportunidade histórica de estimular o desenvolvimento nesse período de afluência da economia global não pode ser jogada fora desastradamente, a exemplo do que ocorreu no pós-guerra. A iniciativa presidencial de lançar o PAC tem o grande mérito de inverter a lógica até então vigente, pela qual caberia ao Estado apenas assistir passivamente aos investimentos do capital produtivo. O presidente Lula teve a ousadia de comprometer seu governo e os seguintes na missão de promover e estimular o crescimento nos setores fundamentais para a economia.
Não foi outra a preocupação do presidente ao pedir um esforço conjunto de empresários e de todos os níveis do Executivo em favor do programa. Não será tarefa fácil, já que este mesmo governo não preparou o modelo de concessões de obras e de serviços públicos federais, embora já contasse com o sucesso das experiências estaduais de Minas Gerais e de São Paulo. Essa imprudência talvez se deva à ingenuidade de algumas áreas oficiais no primeiro mandato presidencial, que ainda imaginavam intervenções diretas do Estado brasileiro em todas as frentes da economia, custassem quanto custassem. Agora, é urgente recuperar o tempo perdido e imprimir velocidade à lenta máquina da União, antes que seja necessário lançar um PAC para acelerar o PAC.
O governo federal enfrenta grandes dificuldades gerenciais para tirar do papel as obras de infra-estrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa demora nos projetos para rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e usinas hidrelétricas pode ser verificada até pelo ritmo lento das despesas do programa. Apenas 13,8% do total reservado para o PAC foram efetivamente gastos de janeiro a junho.
Apesar da recente liberação da licença ambiental para as usinas do Rio Madeira, o panorama do setor energético não é tranqüilo. A demora nessa definição aproximou a possibilidade cada vez menos hipotética de uma crise de desabastecimento energético já em 2009. Mesmo se todos os trâmites formais forem acelerados, não se pode mais garantir que essas e outras obras previstas consigam enfrentar a crise, exceto se a matriz energética temerariamente der prioridade às termelétricas movidas a gás boliviano, o que não é o caso.
Na área portuária, o responsável pela nova Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, já chamou de "piada de brasileiro" a paralisação na dragagem dos portos nacionais com dinheiro em caixa. As obras necessárias receberam investimentos de R$ 1,1 bilhão até 2010, mas ainda não foi gasto nenhum centavo ainda. A má gestão portuária e o excesso de burocracia levaram Brito a procurar novo modelo de licitação.
As concessões na infra-estrutura rodoviária ainda não aconteceram e a modelagem das licitações pode demorar. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) prudentemente não contrata novos projetos enquanto não forem esclarecidas as supostas irregularidades descobertas em certas obras, inclusive em algumas contratadas com a empreiteira Gautama.
A confusão nos céus do país não se resume à inércia do Ministério da Defesa e ao conflito entre controladores de vôo e brigadeiros da FAB.
No meio do caminho existe a Infraero, sob investigação até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que, entre outras coisas, quer saber o que foi feito do dinheiro destinado à melhoria da estrutura aeroportuária. E o Tribunal de Contas da União (TCU) já encontrou indícios de irregularidade nas contratações da Infraero ao menos para obras nos aeroportos de Vitória, Congonhas, Brasília e Galeão.
Ao Brasil não interessa o fracasso do PAC. A oportunidade histórica de estimular o desenvolvimento nesse período de afluência da economia global não pode ser jogada fora desastradamente, a exemplo do que ocorreu no pós-guerra. A iniciativa presidencial de lançar o PAC tem o grande mérito de inverter a lógica até então vigente, pela qual caberia ao Estado apenas assistir passivamente aos investimentos do capital produtivo. O presidente Lula teve a ousadia de comprometer seu governo e os seguintes na missão de promover e estimular o crescimento nos setores fundamentais para a economia.
Não foi outra a preocupação do presidente ao pedir um esforço conjunto de empresários e de todos os níveis do Executivo em favor do programa. Não será tarefa fácil, já que este mesmo governo não preparou o modelo de concessões de obras e de serviços públicos federais, embora já contasse com o sucesso das experiências estaduais de Minas Gerais e de São Paulo. Essa imprudência talvez se deva à ingenuidade de algumas áreas oficiais no primeiro mandato presidencial, que ainda imaginavam intervenções diretas do Estado brasileiro em todas as frentes da economia, custassem quanto custassem. Agora, é urgente recuperar o tempo perdido e imprimir velocidade à lenta máquina da União, antes que seja necessário lançar um PAC para acelerar o PAC.