Norberto Staviski
Novas exigências da Organização das Nações Unidas (ONU) para projetos de captura de gases de efeito estufa afetaram em cheio as empresas brasileiras. A tecnologia adotada até então, dominada pela indústria nacional, está sendo trocada pela de empresas alemãs, conforme relata a Sadia. A produtora de alimentos está revendo todo o seu projeto de captação de gases, aprovado pela ONU para Mudanças Climáticas no início do ano passado.
- Houve uma mudança brusca na metodologia da ONU para a suinocultura anunciada em setembro de 2006 e agora ela exige maior sofisticação no equipamento e maior rigor na medição do carbono capturado - afirma a diretora do Instituto Sadia de Sustentabilidade, Meire Ferreira. - O problema é que estas exigências estão atreladas à aquisição de equipamentos de empresas e de tecnologia exclusivamente alemãs, o que elevou muito os custos do projeto.
As mudanças nos critérios de cálculo de emissão da ONU reduzem em 50% o potencial de produção de carbono e elevam o custo do processo. Inicialmente, o objetivo da Sadia era o de instalar biodigestores - equipamentos que capturam gases do efeito estufa - nas 3,5 mil granjas integradas de suinocultores. A meta era vender 2,4 milhões de toneladas até o final de 2012, com os quais a empresa esperava receber cerca de R$ 80 milhões.
- Só vamos poder implantar os biodigestores do projeto em um terço das granjas - diz Meire.
A Sadia obteve R$ 60,5 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar todo o programa de seqüestro do metano produzido pela sua suinocultura integrada.
- Temos de buscar novas alternativas no BNDES ou uma nova fonte de recursos para os produtores restantes - informa.
O programa, que utiliza o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto, está sendo implantado nas regiões de Três Passos (RS), Concórdia (SC), Toledo (PR) e Uberlândia (MG). Até o momento, 92,5% dos integrados da Sadia aderiram ao 3S.
- A ONU, com suas medidas mais rigorosas, atrasou em pelo menos 10 meses o nosso projeto porque não sabíamos o que fazer - aponta a diretora. - De qualquer maneira, o prazo de entrega do primeiro lote e do crédito negociado estão mantidos porque a Sadia tem capacidade e bastante folga para honrar o compromisso.
O preço da tonelada do carbono está hoje entre 10 e 12 euros, mas o valor é estabelecido no ato de entrega - pelo preço do dia ele já bateu 20 euros. Numa primeira estimativa, feita com os critérios antigos da ONU, a empresa acreditava ter disponíveis para oferecer ao mercado cerca de 10 milhões de toneladas de carbono. Hoje, o número com base nos novos critérios ainda não está calculado.
Nos planos da Sadia, além de possibilitar a comercialização do crédito de carbono, o uso do sistema de biodigestores poderia incrementar a renda do pequeno produtor, oferecendo subprodutos como estoque de biofertilizante para uso agrícola, biogás para utilização como energia elétrica ou gás de cozinha, também reduzindo nas granjas o mau cheiro característico da suinocultura.
- A produção de energia para consumo próprio, por enquanto, também é inviável pelo alto custo dos equipamentos com o que o produtor não pode arcar - ressalta Meire. - Mas é uma alternativa que não desprezamos para o futuro.
Neste projeto, a matéria orgânica usada nos biodigestores é proveniente dos resíduos gerados pelos suínos. Esses dejetos são fermentados por bactérias em tanques cobertos, evitando a emissão na atmosfera de gás metano (CH4), 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2) ou gás carbônico.
Novas exigências da Organização das Nações Unidas (ONU) para projetos de captura de gases de efeito estufa afetaram em cheio as empresas brasileiras. A tecnologia adotada até então, dominada pela indústria nacional, está sendo trocada pela de empresas alemãs, conforme relata a Sadia. A produtora de alimentos está revendo todo o seu projeto de captação de gases, aprovado pela ONU para Mudanças Climáticas no início do ano passado.
- Houve uma mudança brusca na metodologia da ONU para a suinocultura anunciada em setembro de 2006 e agora ela exige maior sofisticação no equipamento e maior rigor na medição do carbono capturado - afirma a diretora do Instituto Sadia de Sustentabilidade, Meire Ferreira. - O problema é que estas exigências estão atreladas à aquisição de equipamentos de empresas e de tecnologia exclusivamente alemãs, o que elevou muito os custos do projeto.
As mudanças nos critérios de cálculo de emissão da ONU reduzem em 50% o potencial de produção de carbono e elevam o custo do processo. Inicialmente, o objetivo da Sadia era o de instalar biodigestores - equipamentos que capturam gases do efeito estufa - nas 3,5 mil granjas integradas de suinocultores. A meta era vender 2,4 milhões de toneladas até o final de 2012, com os quais a empresa esperava receber cerca de R$ 80 milhões.
- Só vamos poder implantar os biodigestores do projeto em um terço das granjas - diz Meire.
A Sadia obteve R$ 60,5 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar todo o programa de seqüestro do metano produzido pela sua suinocultura integrada.
- Temos de buscar novas alternativas no BNDES ou uma nova fonte de recursos para os produtores restantes - informa.
O programa, que utiliza o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previsto no Protocolo de Kyoto, está sendo implantado nas regiões de Três Passos (RS), Concórdia (SC), Toledo (PR) e Uberlândia (MG). Até o momento, 92,5% dos integrados da Sadia aderiram ao 3S.
- A ONU, com suas medidas mais rigorosas, atrasou em pelo menos 10 meses o nosso projeto porque não sabíamos o que fazer - aponta a diretora. - De qualquer maneira, o prazo de entrega do primeiro lote e do crédito negociado estão mantidos porque a Sadia tem capacidade e bastante folga para honrar o compromisso.
O preço da tonelada do carbono está hoje entre 10 e 12 euros, mas o valor é estabelecido no ato de entrega - pelo preço do dia ele já bateu 20 euros. Numa primeira estimativa, feita com os critérios antigos da ONU, a empresa acreditava ter disponíveis para oferecer ao mercado cerca de 10 milhões de toneladas de carbono. Hoje, o número com base nos novos critérios ainda não está calculado.
Nos planos da Sadia, além de possibilitar a comercialização do crédito de carbono, o uso do sistema de biodigestores poderia incrementar a renda do pequeno produtor, oferecendo subprodutos como estoque de biofertilizante para uso agrícola, biogás para utilização como energia elétrica ou gás de cozinha, também reduzindo nas granjas o mau cheiro característico da suinocultura.
- A produção de energia para consumo próprio, por enquanto, também é inviável pelo alto custo dos equipamentos com o que o produtor não pode arcar - ressalta Meire. - Mas é uma alternativa que não desprezamos para o futuro.
Neste projeto, a matéria orgânica usada nos biodigestores é proveniente dos resíduos gerados pelos suínos. Esses dejetos são fermentados por bactérias em tanques cobertos, evitando a emissão na atmosfera de gás metano (CH4), 21 vezes mais poluente que o dióxido de carbono (CO2) ou gás carbônico.