sábado, fevereiro 10, 2007

Sidney Sheldon: mestre culto da pretensão barata

The New York Times

Na estranha ficção de Sidney Sheldon “O Outro Lado da Meia Noite”, a heroína é uma ambiciosa atriz francesa chamada de Noelle Page. Ela está destinada a se tornar uma mundialmente famosa estrela de cinema, mas no começo da história ela permanece humilde. Bem, humildezinha. Em época de guerra em Paris como uma pequena coisa ambiciosa, ela vai em uma performance de Jean-Paul Sartre, “Sem Saída”.

Simplesmente sentando maravilhosamente na audiência, depois demonstrando suas bem conhecidas habilidades à tarde da noite, Noelle está preparada para impressionar e depois conquistar “um dos maiores ídolos da Europa”, a estrela da peça. Pouco sabe que ele será um pequeno degrau na escada para o topo.

Sartre e a febre da estrela: isso era Sheldon em seu risível, mas amável melhor. Ele era literato e assustador, e ele fez essa combinação difícil de resistir. Ele conquistou seus efeitos usando uma arma secreta: sua apreciação nostálgica de Thomas Wolfe, Sinclair Lewis, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, e suas habilidades de contar histórias. Embora equipado, e eternamente interessado no rico, poderoso, e trágico, ele trouxe a classe para acabar com ela. E ele fez isso com profissionalismo consistente, se tornando em um nome de marca legítima. Se isso soa como nenhuma grande conquista, pense em como quão raramente um autor faz isso certo.

Sheldon uniu dois mundos diferentes. Sua carreira inicial em filmes e televisão (trabalhando em roteiros para “O solteiro e a pequena” e “Bonita e valente”, e as séries para televisão como “The Patty Duke Show”, “Jeannie é um Gênio” e “Hart to Hart”) era popular quando o popular era inocente, ou ao menos conseguia parecer assim.

Depois seus livros, visivelmente mais generosos e benignos do que os de outros, autores de best-sellers mais estranhos, levaram ele para um mundo mais competitivo e mais cruel. Mesmo assim, ele teve sucesso. Uma razão foi que os autores podiam confiar nele. Compre um livro do Sidney Sheldon no aeroporto, e seu avião parecia voar mais rápido. Era realmente simples assim.

O estilo barato era amigo de Sheldon. “O outro lado da meia noite se tornou um dos melhores filmes lado b , ainda querido pelas suas besteiras. E se seu diretor, Charles Jarrot, também tornou seus talentos adaptáveis para televisão de livros de Danielle Steel, Jackie Collins, e Judith Krantz, ele tornou muito claro porque o material de Sheldon era o que melhor funcionava. Seus personagens eram simples, mas impressionantemente atrativos. Eles podiam escalar sem ter que se agarrar.

Sheldon sempre os inventava. Dentro do gênero que agora domina sua categoria de ficção, a habilidade de fazer isso se tornou crescentemente rara. Claro, ele tinha uma família real de calamidades de política americana em “O Céu está Caindo”. E havia um magnata todo poderoso grego com sua própria ilha em “O Outro Lado da Meia Noite”. Mas ele rodeava esses personagens com aqueles legitimamente fictícios. Ele investigava suas lutas com emoção real e atraente. Leitores eram hipnotizados pelas histórias de Sheldon para personagens sem ligação, não para caricaturas de mau gosto de celebridades reconhecíveis. Ele era capaz de sonhar com vidas mais interessantes do que a de Paris Hilton, e ele fez.

O fato de que ele era raramente levado a sério não manchava seu impacto. Ele tinha grande influência (e vendas de 300 milhões de livros) como um prazer culposo. Uma vez que os leitores começavam, os livros imploravam para serem terminados, e eles não tinham que ser bobos para chamar atenção. Somente duas histórias de Sidney Sheldon (incluindo “Linha de Sangue”, com um elenco brilhante incluindo Audrey Hepburn, Romy Schneider e Omar Sharif) funcionaram como filmes de longa-metragem. O resto, incluindo “Mestre do Jogo”, “Capricho dos Deuses”, “A Ira dos Anjos” e “As Areias dos Tempos”, eram perfeitamente adaptáveis ao formato das mini séries de televisão: eles eram muito prazerosamente tramados para serem comprimidos em um tempo de 2 horas. Até as subtramas menores eram muito divertidas para serem desperdiçadas.

Eventualmente o mundo começou a passar Sheldon. Como ambição crua, violência, sexo e voyeurismo se tornaram essenciais na ficção, seus antes desafiadores livros começaram a parecer positivamente gentis. Eles não tinham a malícia necessária para o mercado atual.

Eles também não tinham muitos que gostavam de ver o sofrimento dos outros também. Fora de moda, Sheldon conquistou um raro respeito pelo trabalho duro, acordos decentes, e conquistas reais – as mesmas qualidades que admiráveis em sua própria carreira.

Ele tinha um personagem público que enfatizava sucesso. Em seu web site, sidneysheldon.com, o leitor pede por informações internas (“Quer saber ainda mais sobre Sidney Sheldon? O que ele comeu no jantar?) necessárias para responder somente questões rudimentares sobre a criação de Sheldon (“Nomeie o primeiro romance escrito por Sidney Sheldon”) para olhar dentro do olho mágico. Se você passar por um teste de duas questões, você aprende exatamente o que estava no cardápio no dia 23 de abril de 2002, quando Sheldon e seu chefe tiveram um jantar para 8 convidados. Clique de novo, e você pode achar inúmeras receitas especiais, como um bife Wellington de Paul Burrel, mais conhecido como mordomo de Diana, princesa de Gales.

Com a morte de Sheldon na terça-feira, há duas maneiras de olhar para trás em tal auto-promoção. A primeira, uma visão inevitável é que Sheldon se tornou um exibido inveterado, seduzido pelas armadilhas da riqueza e do poder. A segunda e mais gentil: que ele tinha o entusiasmo de um de seus próprios personagens. A festa era fascinante, e ele queria que seus fãs soubessem disso. Ele não queria seus narizes pressionados contra o vidro. Ele queria convidá-los.

Janet Maslin