por Aluízio Amorim, Blog Diego Casagrande
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As últimas eleições parlamentares realizadas na Venezuela sem a participação da oposição, que decidiu se retirar da disputa, encerraram um episódio político raro em sistemas formalmente democráticos. Posteriormente, com o domínio do parlamento, Chávez vem obtendo poderes absolutos capazes de lhe conferir mandato vitalício.
Afinal, que leitura se pode fazer sobre tudo isso e o que tem a ver com o Brasil e com toda a América Latina? É isto que tentaremos responder neste artigo. Historicamente, o Brasil e os demais países que compõem o continente vêm sendo espoliados desde a época colonial. Todos foram colonizados pelo que havia de mais retrógrado na Europa, os povos ibéricos. Criou-se por aqui uma elite escravocrata, tanto é que o Brasil foi retardatário na abolição da escravidão.
Afinal, que leitura se pode fazer sobre tudo isso e o que tem a ver com o Brasil e com toda a América Latina? É isto que tentaremos responder neste artigo. Historicamente, o Brasil e os demais países que compõem o continente vêm sendo espoliados desde a época colonial. Todos foram colonizados pelo que havia de mais retrógrado na Europa, os povos ibéricos. Criou-se por aqui uma elite escravocrata, tanto é que o Brasil foi retardatário na abolição da escravidão.
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Todos esses países latino-americanos têm uma cultura senhorial que permitiu aos endinheirados acumularem por vários séculos, mantendo uma horda de miseráveis e remediados ao seu dispor. Os salários sempre foram baixíssimos e, ao longo do tempo, criou-se, evidentemente, mais pobreza do que classe média. Esse problema tornou-se mais agudo no final da primeira metade do século XX. O resultado imediato disso foram os sucessivos golpes de Estado na região, os quais representaram a derradeira tentativa das classes dominantes tradicionais de continuar no poder.
Todos esses países latino-americanos têm uma cultura senhorial que permitiu aos endinheirados acumularem por vários séculos, mantendo uma horda de miseráveis e remediados ao seu dispor. Os salários sempre foram baixíssimos e, ao longo do tempo, criou-se, evidentemente, mais pobreza do que classe média. Esse problema tornou-se mais agudo no final da primeira metade do século XX. O resultado imediato disso foram os sucessivos golpes de Estado na região, os quais representaram a derradeira tentativa das classes dominantes tradicionais de continuar no poder.
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Ocorre que o índice de pobreza teve um aumento assustador, fato que, por várias circunstâncias internas e externas, inviabilizou a hegemonia das elites. Quanto ao conceito de elite, devo acrescentar que me refiro àquela "tradicional", pois na atualidade observa-se o aparecimento de uma "nova elite" que inclui em sua agenda a responsabilidade social, participação dos trabalhadores nos lucros das empresas e ações assemelhadas, tudo isso ainda que de forma tímida.
Ocorre que o índice de pobreza teve um aumento assustador, fato que, por várias circunstâncias internas e externas, inviabilizou a hegemonia das elites. Quanto ao conceito de elite, devo acrescentar que me refiro àquela "tradicional", pois na atualidade observa-se o aparecimento de uma "nova elite" que inclui em sua agenda a responsabilidade social, participação dos trabalhadores nos lucros das empresas e ações assemelhadas, tudo isso ainda que de forma tímida.
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A velha máxima segundo qual "se não posso derrotar meu inimigo devo me aliar a ele", cai como uma luva no Brasil da atualidade no que respeita às elites tradicionais. Estas, que odiavam o PT, não tiveram outra alternativa senão compor com esse partido, apoiando Lula à Presidência. Foi uma estratégia para descompressão social sem risco de ruptura. E tanto é verdade que representantes dos setores empresariais de corte oligárquico estão lá ao lado do PT nos ministérios e no Banco Central. Furlan, mega-empresário da Sadia, por exemplo, foi comandado pelo ex-operário Lula, como também o ex-Presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles. Na vice-presidência está o maior empresário têxtil da América Latina, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, José Alencar.
A velha máxima segundo qual "se não posso derrotar meu inimigo devo me aliar a ele", cai como uma luva no Brasil da atualidade no que respeita às elites tradicionais. Estas, que odiavam o PT, não tiveram outra alternativa senão compor com esse partido, apoiando Lula à Presidência. Foi uma estratégia para descompressão social sem risco de ruptura. E tanto é verdade que representantes dos setores empresariais de corte oligárquico estão lá ao lado do PT nos ministérios e no Banco Central. Furlan, mega-empresário da Sadia, por exemplo, foi comandado pelo ex-operário Lula, como também o ex-Presidente do Bank Boston, Henrique Meirelles. Na vice-presidência está o maior empresário têxtil da América Latina, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, José Alencar.
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Para essas elites, isto é conveniente porque o PT, domesticado pelo grupo de Lula e José Dirceu foi fiador dessa estratégia de acalmar os pobres, que constituem a maioria dos brasileiros, dando-lhes ajuda paternalista. Esse mecanismo, acordado já na campanha de 2002, garantiu ao sistema financeiro que a política econômica seria mantida com seu viés monetarista ortodoxo. Esta foi a única opção para as elites tradicionais continuarem dominando, com a vantagem de não se exporem à crítica de setores radicais, coisa que lhes imporia o risco de perder os dedos e os anéis.
Para essas elites, isto é conveniente porque o PT, domesticado pelo grupo de Lula e José Dirceu foi fiador dessa estratégia de acalmar os pobres, que constituem a maioria dos brasileiros, dando-lhes ajuda paternalista. Esse mecanismo, acordado já na campanha de 2002, garantiu ao sistema financeiro que a política econômica seria mantida com seu viés monetarista ortodoxo. Esta foi a única opção para as elites tradicionais continuarem dominando, com a vantagem de não se exporem à crítica de setores radicais, coisa que lhes imporia o risco de perder os dedos e os anéis.
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Na Venezuela não houve este "pacto", daí a razão do afastamento dos oposicionistas do pleito parlamentar. Lá tentaram, em vão, esvaziar o poder de Chávez dando a impressão de que houve uma eleição fraudada. Mas depois retrocederam e a oposição armou um grande arco de partidos para combater, ainda que sem êxito, o ditador nas últimas eleições presidenciais.
Na Venezuela não houve este "pacto", daí a razão do afastamento dos oposicionistas do pleito parlamentar. Lá tentaram, em vão, esvaziar o poder de Chávez dando a impressão de que houve uma eleição fraudada. Mas depois retrocederam e a oposição armou um grande arco de partidos para combater, ainda que sem êxito, o ditador nas últimas eleições presidenciais.
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O esmagamento da classe média na América Latina começa, portanto, a desenhar uma correlação de forças políticas completamente nova. De um lado, os ricos. De outro, uma maioria de pobres. Esta maioria é que decidirá as futuras eleições. Talvez ainda seja muito cedo para prognósticos, mas o que se nota é que os grupos tradicionais de poder não têm mais a influência de outrora, muito menos condições de impor a sua política.
O esmagamento da classe média na América Latina começa, portanto, a desenhar uma correlação de forças políticas completamente nova. De um lado, os ricos. De outro, uma maioria de pobres. Esta maioria é que decidirá as futuras eleições. Talvez ainda seja muito cedo para prognósticos, mas o que se nota é que os grupos tradicionais de poder não têm mais a influência de outrora, muito menos condições de impor a sua política.
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A costura dessa aliança teve um perdedor: a classe média. É ela, e apenas ela, a real oposição ao governo petista, só que não mais contando com representação parlamentar. Perdeu a sua influência política e foi abandonada à própria sorte. Se a classe média sempre foi, em qualquer lugar do mundo, o lócus da geração da inteligência, é de supor-se que seu aniquilamento resultará em prejuízos no que se refere ao avanço do conhecimento e da modernização das instituições políticas, bem como na evolução e refinamento dos padrões culturais. É por isso que os setores mais bem informados da população brasileira se sentem covardemente traídos por Lula e o PT.
A costura dessa aliança teve um perdedor: a classe média. É ela, e apenas ela, a real oposição ao governo petista, só que não mais contando com representação parlamentar. Perdeu a sua influência política e foi abandonada à própria sorte. Se a classe média sempre foi, em qualquer lugar do mundo, o lócus da geração da inteligência, é de supor-se que seu aniquilamento resultará em prejuízos no que se refere ao avanço do conhecimento e da modernização das instituições políticas, bem como na evolução e refinamento dos padrões culturais. É por isso que os setores mais bem informados da população brasileira se sentem covardemente traídos por Lula e o PT.
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A única coisa que não estava prevista no concerto desse pacto era que o PT fosse com tanta sede ao pote, promovendo um esquema de corrupção avassalador. Mas, às elites, ainda é mais vantajoso dar prosseguimento à "operação abafa" montada nos tempos do mensalão e que implodiu a possibilidade do impeachment de Lula. As elites cedem os anéis para não perder os dedos. Temos, portanto, uma oposição apenas de fachada. E é por tudo isso que Lula continua sendo o favorito para as eleições de 2010.
A única coisa que não estava prevista no concerto desse pacto era que o PT fosse com tanta sede ao pote, promovendo um esquema de corrupção avassalador. Mas, às elites, ainda é mais vantajoso dar prosseguimento à "operação abafa" montada nos tempos do mensalão e que implodiu a possibilidade do impeachment de Lula. As elites cedem os anéis para não perder os dedos. Temos, portanto, uma oposição apenas de fachada. E é por tudo isso que Lula continua sendo o favorito para as eleições de 2010.
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Por enquanto, Lula é seu próprio sucessor, correndo livre e solto por conta da ausência completa de oposição, como se viu na eleição para a presidência da Câmara, onde o PT conseguiu montar uma contenda da qual a oposição ficou fora! A terceira via foi uma trágica pantomima, como nos tempos da ditadura militar, onde a Arena dava as cartas e o MDB entrava no jogo apenas para viabilizá-lo. Guardadas as devidas diferenças, porque a história não se repete, o quadro político é muito parecido, mas o contexto político é outro, e muito mais insidioso.
Por enquanto, Lula é seu próprio sucessor, correndo livre e solto por conta da ausência completa de oposição, como se viu na eleição para a presidência da Câmara, onde o PT conseguiu montar uma contenda da qual a oposição ficou fora! A terceira via foi uma trágica pantomima, como nos tempos da ditadura militar, onde a Arena dava as cartas e o MDB entrava no jogo apenas para viabilizá-lo. Guardadas as devidas diferenças, porque a história não se repete, o quadro político é muito parecido, mas o contexto político é outro, e muito mais insidioso.