quinta-feira, agosto 02, 2007

Estão atendendo os interesses de quem ?

Falando sobre o novo mapa de conexões aéreas proposto pelo governo, o ministro da Defesa Nelson Jobim informou que os passageiros deverão “enfrentar desconforto” nos aeroportos do país. Completou dizendo ser necessário o fortalecimento das companhias regionais.

Este é um resumo das informações no noticiário do Terra. Leiam a íntegra e em seguida comentaremos.

Jobim: passageiros vão enfrentar desconforto
Ernani Alves, Redação Terra
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu nesta quinta-feira que os passageiros deverão enfrentar "desconforto nos aeroportos brasileiros" com o novo mapa de conexões proposto pelo governo. Entre as medidas que seriam adotadas pelo plano, estão a concentração de vôos para o Norte e Nordeste, no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, e de saídas e chegadas internacionais no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro.
Jobim participou na manhã de hoje da abertura do Fórum Nacional sobre a crise aérea, na sede do BNDES, no centro do Rio, onde fez uma exposição sobre o plano do governo para a reorganização do tráfego aéreo do País. O ministro da Defesa disse que é necessário fortalecer as companhias regionais no mercado dominado por apenas duas empresas, TAM e Gol.
O ministro da Defesa visita nesta tarde o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio, onde encontra o comandante da Marinha, almirante Moura Neto. Na parte da noite, ele janta com o governador Sérgio Cabral para discutir a possibilidade das Forças Armadas ajudarem no combate a violência no Rio.

Mas peraí: para que tipo de interesses estão desenhando este novo mapa de conexões ? Em qualquer país civilizado do mundo, quando se fala em mudanças em serviços que atendam enorme quantidade de pessoas, o mínimo que se tem é justamente o contrário. Não basta apenas dizer que se tratam de medidas visando a segurança. Isto é insuficiente. As medidas devem justamente atender ao mandamento maior de qualquer mercado ou atividade: a oferta de serviços mais qualificados para os usuários. Um novo desenho, qualquer que seja ele, não pode ficar restrito apenas ao desconforto dos passageiros. Isto não é serviço, isto não é solução, isto não é atendimento com qualidade, além de ser um desrespeito.

Toda e qualquer solução que se tenha em mente para ser adotada, deve contemplar não apenas um lado da questão. Os aeroportos não podem virar pocilgas com má qualidade de atendimento e desconforto. Se é tudo isto que o ministro Jobim tem para oferecer, então ou não ofereça nada, declare-se incompetente para enfrentar o problema do caos aéreo, pegue o boné e solenemente volte pra casa.

Não é assim que as coisas devem ser resolvidas. O caos aéreo teve seu começo justamente aí, no desconforto para os passageiros frutos da omissão, negligência, incompetência, irresponsabilidade e falta de investimentos em segurança tanto nos terminais aeroportuários quanto nos sistemas de controle de tráfego aéreo. Se é para melhorar, então que se ofereça aos passageiros alternativas ou compensações que amenizem os “desconfortos” que as medidas propostas pelo governo irão lhe causar. E não simplesmente atirar no colo dos usuários de transporte aéreo os problemas e achar que está tudo bem.

Nossos governantes e autoridades já deveriam saber que foram colocados em postos que lhes garante uma série de privilégios inacessíveis para a grande maioria da população que paga impostos e os sustentam, justamente para encontrar soluções para qualificação dos serviços, e não simplesmente achar que os usuários destes serviços devem aceitar qualquer porcaria ou droga de medida que ditas autoridades entendam ser “convenientes”.

Reparem que nos fundo das medidas, o governo irá atender a todas as reivindicações das empresas aéreas, como linhas de crédito em condições especiais para aquisição de novas aeronaves, reajuste de tarifas, etc. Ou seja, o custo deve recair sobre os passageiros que no final pagarão a conta. E o conforto, o atendimento, a segurança, não se dará nenhum tratamento específico? Ou seja, o caos deverá permanecer até quando ? Se assim é, então pra que governo ?

O ministro Nelson Jobim deveria saber que o exercício de qualquer cargo público implica em dar o melhor de si em favor daqueles que sustentam o Estado para que este lhes ofereça melhor qualidade de vida, e não unicamente transtornos, dores de cabeça, caos. É para isto que lá estão, e não para engolirem como prato pronto e servido qualquer aberração e absurdos que o poder queira oferecer. Em suma, o que as pessoas esperam, no mínimo ao menos, de governantes e autoridades de governo, é RESPEITO, coisa da qual o governo de que agora faz parte o senhor Nelson Jobim, anda distante há muito tempo. Aliás, respeito nunca foi prioridade desta gente. Não é por outra coisa que o país vive eterna anarquia e esculhambação. Não há país que se desenvolva desgovernado ladeira abaixo como tem feito o senhor Luuiz Inácio e sua quadrilha desde que assaltaram o poder!!!