Carlos Brickmann
A favor do bingo legal:
Cada pessoa é livre de fazer o que quiser, desde que não prejudique os outros. Joga o que é dela. O bingo cria empregos, abre alternativas de diversão, gera impostos e só será instrumento de lavagem de dinheiro se for mal fiscalizado. Mas açougues, indústrias, tudo o que for mal fiscalizado pode lavar dinheiro.
Contra o bingo legal:
É atividade antissocial, que vicia e gera problemas de saúde pública. A pessoa não joga o que é dela: joga o que é de sua família e cria nova fonte de endividamento, que atinge esposa e filhos. Abre caminho para o crime organizado; os recursos que gera são tão altos que dificilmente haverá fiscalização que funcione.
A favor ou contra?
Este colunista tem um sábio colega que o ensinou a acompanhar o movimento dos projetos de lei nas casas legislativas: não dá para ver um por um, nem pegar as espertezas eventualmente escondidas. Então, deve-se verificar quem os assina. Se for parlamentar do bem, OK; se for do mal, lupa no projeto, que é sujeira.
Quem é contra o bingo legal?
Entre outros, Fernando Gabeira, Marcelo Itagiba, Antônio Carlos Biscaia.
Quem apoia o bingo legal?
Entre outros, Paulinho da Força, João Dado, Régis de Oliveira.
E não é esquisito ver deputados com vontade de trabalhar perto do Natal?
Do mal vem o bem
O deputado Paulinho da Força propõe que os impostos pagos pelos bingos sejam destinados à saúde. O projeto atual propõe que os impostos sejam divididos entre Cultura, Esporte e Saúde (mas há que sugira que a Segurança também receba algum). O deputado Régis de Oliveira propõe que os bingos fiquem a 500 metros, no mínimo, de escolas e templos. Se o bingo é tão bom, por que não pode ficar perto de templos? Se não pode nem ficar perto de quem busca um contato com Deus, seu poder maligno deve ser imenso - então, por que tolerá-lo?
Gente fina
Bons policiais costumam dizer que, pelo modus operandi, a maneira de agir, é possível identificar o autor de um crime. Como é o modus operandi do pessoal do jogo? João Alckmin, radialista de São José dos Campos, SP, move dura campanha contra as máquinas caça-níqueis clandestinas na região do Vale do Paraíba (algumas delas, como provou, ligadas a policiais). Já sofreu dois atentados a bala. Um deles foi filmado, mas nem assim a Polícia achou o criminoso.
Serra voltou!
Depois de longo período de silêncio e de uma viagem internacional, José Serra retornou triunfalmente ao twitter, com a palavra de ordem a seus eleitores:
"Melhor desempenho que já vi de Isabelle Huppert: no filme francês White Material (Minha Terra África). Pessimismo desesperador sobre a África."
Você é rico...
Um levantamento do portal Contas Abertas mostra que boa parte da verba indenizatória, aquele monte de dinheiro público entregue aos senhores deputados para que custeiem suas despesas nas respectivas bases eleitorais, acabou sendo usada mesmo é na campanha. De R$ 2 bilhões de verba indenizatória pagos a empresas que contribuíram para a campanha, R$ 636 milhões voltaram a Suas Excelências na forma de doações. Em alguns casos, foi vexaminoso: os envolvidos nem disfarçaram. Um deputado do Paraná pagou a uma empresa, em fevereiro deste ano, pelo aluguel de um automóvel, R$ 8 mil. A empresa lhe doou exatamente R$ 8 mil. Uma deputada baiana gastou com uma agência de publicidade o total de R$ 42.500,00. Recebeu como doação, da mesma agência, R$ 40 mil.
... e não sabia
Você, caro leitor, paga caro: de acordo com o levantamento, nove deputados tiveram tudo o que gastaram como verba indenizatória, nos últimos dois anos, devolvido como doação. É uma operação de troca: você paga, eles se elegem.
Ele sempre ganha
O senador João Capiberibe e sua esposa, a deputada federal Janete Capiberibe, ambos do PSB do Amapá, foram eleitos mas não serão diplomados. Contra eles há dois fatos - um vagamente ridículo, outro extraordinariamente grave.
1 - O fato vagamente ridículo é que ambos foram acusados de comprar dois votos, pela extraordinária quantia de 26 reais, pagos em duas prestações, mais um lanche. Sairia mais barato comprar diretamente do que fazer campanha e convencer os eleitores. O cinegrafista que "documentou o fato" afirmou oficialmente que participou de uma fraude. Não adiantou: eles ficaram de fora.
2 - Agora, o fato grave: eles pertencem, na política do Amapá, ao grupo contrário ao do senador José Sarney. É uma posição difícil. O governador eleito do Maranhão, Jackson Lago, seu adversário, perdeu o cargo na Justiça, deixando-o para a segunda colocada na eleição - exatamente a filha de Sarney, Roseana.
A herdeira
Dilma seguiu o exemplo de Lula e vestiu o uniforme do Inter. O Inter perdeu.