Policarpo Junior para a Revista Veja
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Colocado na linha de frente de uma das mais graves crises gerenciais do governo, o ministro da Defesa, o baiano Waldir Pires, está confirmando sua fama de ser sempre o último a saber das coisas – ou o penúltimo, para não fazer sombra a seu chefe. Ele já disse que não sabia que os controladores de tráfego aéreo no país eram mal pagos e trabalhavam em excesso. Também já disse que não sabia que a greve branca dos controladores era um subproduto da tragédia com o avião da Gol. Na semana passada, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, o ministro disse que o governo não contingenciou recursos para o setor, mas não soube informar quanto custaria para implementar as medidas de modernização necessárias para que o controle aéreo funcione com segurança. Diante de tanta desinformação e desconhecimento, é altamente provável que o ministro Waldir Pires não saiba também que o presidente Lula já consulta assessores próximos em busca de um nome para substituí-lo.
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Aos 80 anos, dono de uma biografia respeitada, Waldir Pires mostrou-se menor do que a crise. Não se entende com seus subordinados e, dentro do governo, tem sido apontado como responsável pelo prolongamento da crise por ter assumido a defesa dos interesses dos controladores, que estão no epicentro da confusão nos aeroportos. "O presidente gosta muito de Waldir Pires e é grato pela ajuda política que recebeu dele na Bahia quando brigou com Antonio Carlos Magalhães", afirma um interlocutor graduado do presidente Lula. "Mas, ainda assim, o presidente já foi convencido de que Waldir Pires não pode ficar no governo." Para driblar sua dificuldade atávica de demitir quem quer que seja, Lula deve fazer a troca no Ministério da Defesa apenas quando sair a reforma ministerial do segundo mandato.
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O passo que mais desgastou Pires foi seu apoio aos controladores – e esse gesto também decorreu de desinformação. O comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, soube por intermédio do serviço de inteligência que os controladores de vôo estavam certos de que seriam apontados como responsáveis pelo acidente da Gol e, por isso, resolveram fazer a greve branca denunciando as condições precárias de trabalho. Como os controladores são militares, a Aeronáutica tentou resolver o caso pela cartilha da caserna: convocou gente da reserva e aquartelou todo mundo. Mas o ministro, sem saber da motivação oportunista da greve branca, reuniu-se com os líderes da categoria, apoiou integralmente suas reivindicações e, com isso, deu nova força à paralisação. Os militares não perdoaram a ingenuidade política do ministro.
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Colocado na linha de frente de uma das mais graves crises gerenciais do governo, o ministro da Defesa, o baiano Waldir Pires, está confirmando sua fama de ser sempre o último a saber das coisas – ou o penúltimo, para não fazer sombra a seu chefe. Ele já disse que não sabia que os controladores de tráfego aéreo no país eram mal pagos e trabalhavam em excesso. Também já disse que não sabia que a greve branca dos controladores era um subproduto da tragédia com o avião da Gol. Na semana passada, em depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, o ministro disse que o governo não contingenciou recursos para o setor, mas não soube informar quanto custaria para implementar as medidas de modernização necessárias para que o controle aéreo funcione com segurança. Diante de tanta desinformação e desconhecimento, é altamente provável que o ministro Waldir Pires não saiba também que o presidente Lula já consulta assessores próximos em busca de um nome para substituí-lo.
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Aos 80 anos, dono de uma biografia respeitada, Waldir Pires mostrou-se menor do que a crise. Não se entende com seus subordinados e, dentro do governo, tem sido apontado como responsável pelo prolongamento da crise por ter assumido a defesa dos interesses dos controladores, que estão no epicentro da confusão nos aeroportos. "O presidente gosta muito de Waldir Pires e é grato pela ajuda política que recebeu dele na Bahia quando brigou com Antonio Carlos Magalhães", afirma um interlocutor graduado do presidente Lula. "Mas, ainda assim, o presidente já foi convencido de que Waldir Pires não pode ficar no governo." Para driblar sua dificuldade atávica de demitir quem quer que seja, Lula deve fazer a troca no Ministério da Defesa apenas quando sair a reforma ministerial do segundo mandato.
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O passo que mais desgastou Pires foi seu apoio aos controladores – e esse gesto também decorreu de desinformação. O comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, soube por intermédio do serviço de inteligência que os controladores de vôo estavam certos de que seriam apontados como responsáveis pelo acidente da Gol e, por isso, resolveram fazer a greve branca denunciando as condições precárias de trabalho. Como os controladores são militares, a Aeronáutica tentou resolver o caso pela cartilha da caserna: convocou gente da reserva e aquartelou todo mundo. Mas o ministro, sem saber da motivação oportunista da greve branca, reuniu-se com os líderes da categoria, apoiou integralmente suas reivindicações e, com isso, deu nova força à paralisação. Os militares não perdoaram a ingenuidade política do ministro.