por Timothy Halem Nery, economista
Publicado no Diego Casagrande
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A “novela das oito”, tradicionalmente campeã de audiência, sempre apresentou temas polêmicos para seus telespectadores. Aliás, a polêmica é combustível poderoso para turbinar o “ibope” dos programas de televisão e rádio, assim como o das colunas de jornais e revistas.
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Publicado no Diego Casagrande
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A “novela das oito”, tradicionalmente campeã de audiência, sempre apresentou temas polêmicos para seus telespectadores. Aliás, a polêmica é combustível poderoso para turbinar o “ibope” dos programas de televisão e rádio, assim como o das colunas de jornais e revistas.
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Confesso que, embora não faça parte do grupo de telespectadores fiéis às novelas, algumas vezes me surpreendo acompanhando tais produções. Na maior parte do pequeno tempo que me permito assistir televisão, tenho o hábito de assistir debates, entrevistas, programas esportivos e musicais., mas isso não vem ao caso.
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Atualmente um dos temas polêmicos abordados na “novela das oito” é a educação. Utilizando como referência o caso das crianças portadoras da Síndrome de Down, apresenta para a sociedade alguns dos conceitos que estão sendo defendidos e colocados em prática pelos teóricos educadores no Brasil. Sobre o caso específico, prefiro não me manifestar. No entanto, sobre o que vem acontecendo com a educação fundamental e o nível médio no nosso país, tenho a obrigação de expor minhas impressões.
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Trabalhei, durante o ano de 2005, como orientador de programas educacionais que têm como objetivo despertar o espírito empreendedor nos jovens. Foram nove meses vivenciando o ambiente escolar, tendo passado em mais de setenta turmas de 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e de 1º ano do ensino médio, da rede pública.
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O quadro é realmente preocupante. Conceitos como inclusão, cooperação e socialização estão presentes em praticamente todas as escolas, e vão ditando o ritmo e definindo o rumo das políticas educacionais. Existe uma guerra declarada à competição. Os teóricos educadores partem da idéia de que competição exclui automaticamente a inclusão, a cooperação e a socialização. Absurdo! Essa idéia carrega um viés ideológico esquerdista extremado.
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A meu ver, enquanto falam em teorias de inclusão, a prática demonstra claramente a exclusão. Por exemplo: uma escola tem quatro turmas de 7ª série, com 25 alunos cada uma. Do total de cem alunos, os professores e a direção chegam ao consenso de que 25 alunos são realmente interessados e se destacam positivamente entre os demais. Todos os educandos continuarão na mesma escola no próximo ano, então na 8ª série. Com base nessas informações, o que você espera para o ano seguinte? O quê? Você espera que uma turma seja formada com os 25 alunos citados, possibilitando que se desenvolvam ainda mais? Não pense assim. Você está excluindo os demais!
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Pode parecer piada. Mas não é. Essa é a realidade do sistema educacional brasileiro. É como condenar um cidadão que sempre pagou seus impostos em dia por sonegação. Ou condenar alguém à morte por estar vivo. Quanto exagero? Pode ser, mas a injustiça existe.
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Talvez a maior parte dos teóricos não tenha o costume de entrar nas salas de aula, acompanhar a rotina de uma escola e conversar com os estudantes. Eu já fiz isso. Quando questionei estudantes de 7ª e 8ª séries, individualmente, sobre a questão aqui abordada, não tive surpresa com as respostas. Os alunos dedicados aos estudos entendem que realmente são prejudicados em muitas situações durante o ano letivo, e têm clara noção sobre a relevância da educação. Os alunos que não levam os estudos tão a sério acreditam que “tanto faz”, e obviamente não percebem a importância da educação para suas vidas..O Estado deve criar uma série de incentivos, proporcionando aos que estudam de verdade oportunidades de esportes, lazer, cultura e outros benefícios. Esses incentivos devem gerar um ambiente de competição saudável, estimulando os jovens a refletir e entender a importância da educação. Passar a mão por cima da cabeça dos que “não querem nada com nada” é incentivar a ignorância.
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Prefiro ainda não acreditar na possibilidade de que tudo o que está acontecendo com a educação brasileira nas últimas duas décadas seja algo planejado. Mas devo confessar que os indícios existem. As políticas sociais adotados pelo Governo Federal são todas baseadas na dependência, sem nenhum tipo de contra-prestação por parte do indivíduo. É a perpetuação da pobreza e do analfabetismo funcional. Ah, isso também é inclusão!
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O sistema educacional que aí está condena todos à mediocridade, cabendo a cada aluno, individualmente, lutar com todas as suas forças para vencer na vida. Acredito que a competição, quando bem trabalhada, com critérios objetivos e acesso irrestrito, pode gerar resultados expressivos e animadores.