sábado, novembro 25, 2006

Relato dois: como partidarizar o dinheiro público

68% dos custos da campanha de ex-presidente da Petrobras tiveram origem em empresas que têm negócios com a... Petrobras
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Por Reinaldo Azevedo
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Por Rubens Valente e Leandro Berguoci na Folha de hoje: “A campanha eleitoral do ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra (PT-SE) recebeu doações financeiras de cinco empresas que mantêm contratos e parcerias com a estatal. De R$ 846,6 mil captados pelo candidato derrotado a uma vaga no Senado pelo Sergipe, R$ 577 mil (68% do total) vieram dessas empresas. Dutra presidiu a Petrobras entre 2003 e 2005 e tentava retornar ao Senado, onde exerceu mandato entre 1995 e 2003. Uma das doadoras, a FSTP Brasil, é o consórcio que administra a construção das plataformas de exploração de petróleo P-51 e P-52. As obras prevêem US$ 780 milhões apenas em financiamentos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).A FSTP escolheu ajudar três candidatos no país, todos do PT. Dutra recebeu R$ 150 mil - os outros foram Luiz Sérgio (PT-RJ), com R$ 150 mil, e Rodrigo Neves (PT-RJ), que ficou com R$ 50 mil. Duas outras empresas só fizeram doações para Dutra, entre todos os candidatos a cargos nas eleições deste ano. O nome do escritório de advocacia Tauil & Chequer, sediado no Rio, foi grafado como ‘Tavil & Chegner’ na prestação de contas enviada ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). O escritório assinou três contratos com a Petrobras, no valor total de R$ 1,16 milhão somente entre 2005 e 2006 (único período tornado público pela Petrobras em seu site na internet). Todos os contratos foram feitos sem licitação, sob o argumento de que a disputa era ‘inexegível’.
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Dutra falou com a Folha sobre o caso. Vejam:
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Folha - Do arrecadado pela sua campanha, 68% vieram de empresas que têm negócios com a Petrobras.
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José Eduardo Dutra - Isso não é verdade. A maior contribuição é da Vale do Rio Doce, R$ 300 mil.
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Folha - A Vale tem várias parcerias com a Petrobras...
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Dutra - [Interrompendo] Ah, meu amigo. Eu sou empregado da Vale do Rio Doce, sou funcionário licenciado, e eu prefiro que você pergunte ao doutor Roger Agnelli [presidente da Vale] por que que contribuiu. E outra coisa: Eu prestei contas à Justiça Eleitoral. Não tenho nenhuma satisfação a dar à Folha de S.Paulo a respeito dessa prestação de contas. Ponto. Só isso.