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A brincadeira já perdeu a graça. Tudo bem que os brasileiros tenham achado legal viver algumas décadas desse ufanismo bobo em torno do petróleo nacional.
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Funcionou razoavelmente bem a idéia de que as chances do Brasil-potência seriam proporcionais à quantidade de cargos, rubricas e favores pendurados nos cofres públicos. Agora já está de bom tamanho.
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Os brasileiros pagam uma taxa de condomínio cara. Aí o síndico constrói uma casa de cinema na praia, e grita para os condôminos: “A mansão é nossa!” É claro que só quem freqüenta a casa de praia é a família e os amigos do síndico. Mas os condôminos, tomados por um orgulho bêbado, repetem em coro: “A mansão é nossa!”
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Nunca esteve tão claro. Quem pode bradar “o petróleo é nosso” são os amigos do PT e de Lula. O petróleo é deles. E das ONGs deles, dos amigos deles, dos afilhados deles, como mostra a reportagem de “O Globo”.
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Quanto custou aos brasileiros esse devaneio megalômano da Petrobras? Bilhões e bilhões de reais, cruzeiros, cruzados novos e velhos, um eterno almoço grátis lançado na conta de um povo orgulhoso e distraído.
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Desde a maravilhosa mágica da conta petróleo (depois PPE), que conseguiu transformar uma empresa em credora cativa de um país, até a manobra da “competitividade internacional”, que alinhou os preços internos aos dos petrodólares. Crise no Oriente Médio é hoje um grande negócio para a petroburocracia – aquela que tem suas aposentadorias milionárias garantidas por transfusão direta do Tesouro nacional.
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O escândalo das ONGs do PT não aumentou significativamente essa conta. Apenas acrescentou a ela o escárnio. Depois dos históricos rombos bilionários, agora são só alguns milhõezinhos para os panfletos, os broches e os charutos da companheirada.
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Falar em privatização da Petrobras é tabu no Brasil. Pois aqui vai a notícia: ela já foi privatizada. A diferença é que os drenos que a ligam aos cofres públicos continuam lá.
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A única solução razoável para essa estatal privada é vendê-la o quanto antes. Agora, depois do escândalo das ONGs, não se trata mais de uma urgência administrativa. Trata-se de uma urgência moral.