quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Expansão da base

O Globo, Editorial

O Brasil tem uma carga tributária excessivamente elevada, equiparável à de países escandinavos. Só que aqui as justificativas para tamanha carga são o passivo social e a ainda necessária presença do Estado em serviços básicos, inclusive na infraestrutura.

Não haveria margem para redução dessa carga em face das demandas sociais que pressionam as despesas governamentais.

O problema é que a tributação excessiva acaba sufocando o contribuinte e se transformando em um dos obstáculos à expansão das atividades produtivas, que são a fonte primária de geração de renda.

O governo, como agente econômico, é fundamentalmente um forte canal de transferência de renda dentro da sociedade (em princípio, com a nobre tarefa de promover justiça social, embora na prática os resultados sejam muito modestos, considerando-se o custo-benefício dessa tarefa).

A tributação excessiva, além de inibir atividades produtivas, estimula a informalidade, a sonegação.

A melhora da economia, juntamente com o uso, pelas autoridades fazendárias, de sofisticadas ferramentas tecnológicas que possibilitam um cerco à sonegação, vem ampliando o grau de formalização no país.

Com isso, a base de contribuintes tende a se ampliar, permitindo que a arrecadação aumente mesmo com a aplicação de alíquotas mais baixas e/ou desoneração de algumas atividades.

É por esse caminho que o Brasil deveria seguir. A remoção de obstáculos à formalização e a desoneração de investimentos multiplicarão a atividade produtiva e a base de contribuintes.

A arrecadação crescerá naturalmente, e o ideal é que, em algum momento, em ritmo inferior ao da média da economia, para que a carga tributária se reduza até patamares comparáveis aos de nossos competidores no mercado internacional.

Uma reforma que simplifique mais o sistema tributário brasileiro não saiu do papel , embora tenham ocorrido também avanços nos últimos quinze anos.