quarta-feira, outubro 07, 2009

Os Jogos Olímpicos de 2016, vistos com lucidez

Giulio Sanmartini, site Prosa & Política



Lula está abusando das falácias, pensando que governa (?) um bando de imbecis. Para justificar os astronômicos gastos dos Jogos Olímpicos ele se valeu de uma frase de efeito: “Nós temos que perguntar não quanto o Brasil vai gastar, mas quanto o Brasil vai ganhar com a realização das Olimpíadas. É acreditando assim que a gente vai fazer uma grande Olimpíada. Ao invés de a gente utilizar a palavra gasto, nós precisamos utilizar a palavra investimento”. Mas se a banda não toca assim, é má fé dizer que gastar e investir são as mesmas coisas.

Quanto maior o gasto, menor o investimento. Gasto em propaganda, em consultoria, em missões desnecessárias, em diárias absurdas, fora as famosas comissões embutidas em todas as obras. O Brasil só vai ganhar com as Olimpíadas se fizer exatamente o contrário do que Lula está pregando, não confundindo gasto com investimento.

Quase todos os jornalistas brasileiros escreveram opinando sobre os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, mas penso que o artigo mais lúcido e sem patriotadas é o de Clovis Rossi que segue abaixo:

”Não deixa de ser pedagógico o fato de as Nações Unidas terem divulgado o seu IDH apenas 48 horas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter decretado que o Brasil passara a ser um país de “primeira classe”, porque o Rio fora escolhido para sede da Olimpíada de 2016.

Não, presidente, o Brasil é de 75ª classe, a sua classificação no IDH, vexatória como sempre.

Aliás, toda vez que sai um ranking internacional que mede algum aspecto do desenvolvimento humano, o Brasil passa vergonha.

Ficou, desta vez, quase empatado com a Bósnia-Herzegovina. Ajuda-memória: a Bósnia-Herzegovina é aquele pedaço da antiga Iugoslávia que passou faz pouco menos de 20 anos por um genocídio –e nada é mais devastador para o desenvolvimento humano que uma guerra como aquela.

O Brasil, ao contrário, não tem uma guerra desse tipo desde a do Paraguai, no remoto século 19. Não obstante, empaca no desenvolvimento humano desde sempre.

O que torna ainda mais desagradável o resultado é o fato de que, nos 15 anos mais recentes, o país teve dois governos de eficiência acima do padrão usual e de proclamadas intenções sociais –algumas realizadas, outras nem tanto ou nada.

O Brasil de fato passou a ter, nos últimos anos, um peso internacional inédito na sua história, mas o IDH só dá total razão ao que escrevi domingo, para a Folha: “Nada de perder a perspectiva: os que fizeram a viagem [rumo à primeira classe] são poucos, pouquíssimos políticos, um bom número de diplomatas e funcionários públicos graduados, um número crescente, mas ainda pequeno de empresários. É uma vanguarda que, se olhar para trás, verá que a grande massa ainda come poeira”.

A ONU assinou embaixo. E de quebra desmontou a falácia dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) como as grandes potências de um futuro próximo. A Rússia ficou pouco acima do Brasil, no 71º lugar; a China, bem abaixo, no 92º. A Índia, então, é de terceira classe no capítulo desenvolvimento humano (134º posto)”..