terça-feira, setembro 14, 2010

Conversa vai, conversa vem...

Maria Helena R. R. de Souza

Leio na Folha um artigo de Fernando Rodrigues, O lobby livre, sobre o Caso Erenice.

Primeiro ele comenta sobre os lobistas que circulam pelo Congresso, sem nada que os identifique como lobistas. E diz:

"O Brasil não tem lei regulamentando a atividade. Nesse vácuo, proliferam o compadrio, o tráfico de influência e as reuniões sem registro entre agentes públicos e grupos de interesses variados".

No que ele está coberto de razão. Por não regulamentarmos o lobby no Brasil é que aqui acontecem coisas do arco da velha. O lobby é uma instituição que veio para ficar no mundo inteiro; quanto mais às claras for, menos danosa. Mesmo regulada e documentada, sabemos que um lobista e seus contactados causam muitos problemas em vários lugares do mundo.

Agora imaginem aqui onde ele oficialmente não existe!

Continuo com o texto de Fernando Rodrigues:

(...) Um filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, trabalhou na intermediação de contratos entre uma empresa privada e o governo federal. A ministra negou haver irregularidades. A oposição quer a demissão de Erenice. O caso vai longe.

Um aspecto emblemático nesse episódio é a sem-cerimônia como governistas tratam o fato de o filho de uma ministra ter celebrado um contrato de lobby com uma empresa privada. Empresa essa cujos interesses estão imbricados com as normas e as regras sob área de influência direta da mãe (a ministra) do lobista (o filho).

O destaque colorido, evidentemente, é meu. Fruto de meu espanto.

Então o filho da ministra-chefe da Casa Civil faz um contrato de lobby com um empresário que atua em área afeta ao comando e às ordens da ministra e todos comentam o caso como se fosse a coisa mais natural do mundo?

Quer dizer: o sigilo fiscal é corriqueiro ser vazado, segundo o ministro Mantega; o sigilo da filha do candidato da oposição vazou e a culpada é uma funcionária aloprada; e agora um aloprado júnior, filho de dona Erenice, faz uma baita travessura e pronto?

É isso?

Afinal, que país é este?

Corriqueiro ter os dados na guarda do Estado vazados?

Afastada a alopradinha de Mauá, tudo volta ao normal?

E o Aloprado Jr., bastará dona Erenice expulsá-lo de casa?

É isso?

Ô,Tiririca, você está certo. Pior que isso não fica!

Bem, quer dizer, só se o Tiririca... não, melhor nem pensar!