terça-feira, setembro 14, 2010

Só afastar rato pequeno não resolve.

Comentando a Notícia

No Estadão.com, conforme se vê abaixo, decidiu afastar a servidora Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, da agência da Receita Federal de Mauá,SP, devolvendo-a ao SERPRO.

É bom lembrar que esta servidora é que informou à Delegacia de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, que o acesso – ilegal – era para atender ao pedido de “amigos e parentes” – quais amigos e quais parentes também não disse . No depoimento, Ana Maria contou ter sido orientada pela corregedoria da Receita a procurar os donos das declarações violadas e conseguir procurações autorizando as consultas, num procedimento que serviria para "maquiar" os acessos ilegais.

Ora, afastar a servidora, sem que se dê para se saber quem pediu para vio9lasse os sigilos, e quem da corregedoria a instruiu a “esquentar” os sigilos ilegalmente violados, é apostar que o fato será esquecido, enterrado e a devida apuração de responsabilidades e punição dos envolvidos.

Sabemos que o governo Lula tem sido assim ... muito competente em “sepultar” investigações comprometedoras contra seus aliados, principalmente, se no crime, estiver presente alguém do PT. Exemplos não faltam, são muitos.

E, no caso presente, o crime não é comum coisíssima nenhuma, como tentam insinuar tanto a Receita Federal, quanto os senhores Mantega e Lula além da própria Dilma. A coleção de versões mentirosas com que tentaram abafar o caso, e até esconder o crime, é algo mais grave ainda, a demonstrar a compulsão doentia do atual governo para dar seguimento ao seu projeto de estado policial.

Vale repetir aqui, o que venho afirmando desde 2006: Lula foi eleito sob a égide do regime democrático, do estado de direito e com instituições fortes e em conjunção com os ditames da Constituição do país. Tem por obrigação, ao deixar o poder, em deixar o país no mesmo estado em que o encontrou. Sua eleição se deu por opção da maioria da sociedade pelo projeto de GOVERNO que apresentou, e não por um projeto de PODER que ocultou.

Portanto, retirar a servidora do foco não terá o condão de “sufocar” a investigação. Tirá-la do eixo dos acontecimentos, sem que nada mais se apure, é confirmar que não apenas o crime teve propósitos eleitorais, como ainda corrobora que o senhor Lula não tem o menor respeito pela lei e pelas instituições do país. Portanto, sejam os verdadeiros culpados pelos crimes de violações dos sigilos, sejam aqueles que instruíram que as violações fossem “esquentadas”, são perguntas que cabe ao governo responder. Segue a notícia:

Servidora suspeita de violar sigilo é afastada da Receita Federal
(Com informações da Agência Brasil)

Ana Maria Rodrigues Caroto Cano disse em depoimento ter sido induzida a 'maquiar' violações

A funcionária Ana Maria Rodrigues Caroto Cano, uma das suspeitas pela quebra de sigilo fiscal de políticos próximos ao presidenciável tucano José Serra, não trabalhará mais na agência da Receita Federal em Mauá (SP). A Receita pediu nesta segunda-feira, 13, o retorno dela ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), órgão ao qual é vinculada.

Na sexta-feira (10), Ana Maria e o marido, o contador José Carlos Cano Larios, prestaram depoimento à Polícia Civil de São Paulo. De acordo com a Delegacia de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, a servidora admitiu ter sido responsável pela quebra de sigilo fiscal de contribuintes e afirmou que usava procurações para justificar o acesso ilegal aos dados. Ela e o marido chegaram a ser detidos, mas foram liberados em seguida.

Segundo a polícia paulista, Ana Maria disse ter acessado os dados fiscais a pedido de "amigos e parentes". No depoimento, ela contou ter sido orientada pela corregedoria da Receita a procurar os donos das declarações violadas e conseguir procurações autorizando as consultas, num procedimento que serviria para "maquiar" os acessos ilegais.

A assessoria de imprensa da Receita em São Paulo negou nesta segunda que a dispensa de Ana Maria seja uma punição pelas declarações da servidora à polícia. Ainda de acordo com a Receita, não há uma justificativa para o retorno da servidora ao seu posto inicial.

Tucanos.
A agência de Mauá da Receita foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos, de Verônica Serra e do genro do presidenciável tucano, José serra. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que junto com Ana Maria teria livre acesso a senha da chefe da Agência, a servidora Antonia Aparecida Neves Silva.

Ana Maria e o marido foram levados à delegacia após a polícia ter apreendido pedidos de autorização para acesso à declaração do Imposto de Renda de 23 contribuintes. Os documentos foram encontrados no escritório de contabilidade pertencente a Larios.