terça-feira, setembro 14, 2010

Caso Erenice e o detalhe ignorado

Certamente, a turma da imprensa que está fuçando sobre o mais novo escândalo na praça, e prá variar, envolvendo a turma do PT,  parece que ou leram parte da reportagem da revista Veja sobre as armações de dona Erenice Guerra & Cia Familiar, ou, se leram a reportagem, passou lotada num aspecto de significativa importância. E a gente percebe isto seja pelo que está sendo escrito ou, pelas perguntas que têm sido feitas à dona Dilma Rousseff.

Assim, convido o leitor a rever a matéria da Veja. Está lá tudo perfeitamente descrito, localizando no tempo cada evento deste episódio lamentável. Desde o contato inicial do representante (ou sócio?) da MTA,  Fábio Baracat com a turma do lobby até o pagamento inicial, feito em 17 de dezembro de 2009, dona Erenice não era ministra da Casa Civil. Quem chefiava a Casa Civil, neste período em que os fatos narrados aconteceram era justamente ... DILMA ROUSSEF. Ou seja, quem deveria responder pelos atos de dona Erenice Guerra era a atual candidata governista à sucessão de Lula. Se como a própria Dilma sempre afirmou, Erenice foi seu braço direito desde os tempos em que atuaram no Ministério das Minas e Energia e, mais do que isso, sua amiga, ou Dilma foi traída (o que seria inacreditável!), ou, se sabia, foi conivente com o tráfico de influência, tonarndo-se ela própria, tão ou mais culpada do que a própria  Erenice.

No debate realizado pela Rede TV/Folha de São Paulo, domingo à noite, as perguntas foram como se Erenice, na época dos fatos narrados por Fábio Baracat, já fosse ministra da Casa Civil, o que não é verdade, já que Dilma se desligou da função somente em abril deste ano, de acordo com o que determina a lei eleitoral, para concorrer como candidata da coligação governista. 

Dada a proximidade de ambas, é crível acreditar que Erenice tenha feito toda esta tramóia, com participação do próprio filho, sem que Dilma, em tempo algum, tenha sequer desconfiado de alguma coisa, ou sequer tenha conhecido mesmo todas as ações de sua assessora e amiga? Mesmo que tal hipótese pudesse ser admitida, e dado a ação traíra de Erenice, não há mesmo como ser mantida no cargo.

Mas seria interessante que a imprensa pressionasse um pouco seus questionamentos junto à Dilma Rousseff, uma vez que, e isto opróprio texto da reportagem de Veja deixa evidente,  tudo se deu enquanto Dilma ainda era ministra-chefe da Casa Civil, o que faz com que o episódio assuma outra conotação, muito mais grave ainda.