quarta-feira, janeiro 03, 2007

E o ambiente, presidente?

Por Armando Mendes
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O presidente Luis Inácio Lula da Silva ignorou o meio ambiente ao anunciar seu programa para o segundo mandato, no discurso de posse no Congresso.
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O assunto aparece burocraticamente no parágrafo em que ele anuncia a intenção de aperfeiçoar as legislações sanitária e ambiental. E só.
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É o mesmo parágrafo em que o presidente anuncia "vigorosas medidas de desburocratização". Tudo no contexto das iniciativas para destravar o crescimento econômico, seu mote para os próximos quatro anos.
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Dá o que pensar. Naquele infeliz discurso sobre as travas que seguram a economia, depois de reeleito, Lula já culpava os cuidados com o meio-ambiente pela estagnação econômica, ao lado das aporrinhações do sistema democrático e de vilões menos votados.
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Agora, no discurso de posse, a democracia salva a pele. O presidente reconhece a importância da oposição e da tolerância com as convicções alheias.
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O meio-ambiente não teve a mesma sorte. Ficou órfão de pai e mãe. Não ganhou um parágrafo, nem umas poucas linhas, como ganharam a desigualdade, a educação, a saúde, a segurança pública.
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O assunto merece mais cuidado. Os cientistas que o estudam ainda têm mais dúvidas do que certezas, mas uma coisa ninguém discute: o que fizermos hoje ao ambiente terá um custo no futuro.
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Quando se fala em defesa do meio-ambiente, portanto, não se trata de impor uma “trava” externa ao crescimento econômico, mas sim de avaliar um custo social que será pago mais adiante. Um custo ainda difícil de calcular, mas que precisa ser levado em conta.
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Os anos 70 vão longe. Não vá o governo brasileiro – e um governo que ser quer progressista – agir agora como um tecnocrata da ditadura militar (ou um planejador soviético, para lembrar os desastres do lado de lá).