domingo, julho 08, 2007

TRAPOS & FARRAPOS

A COERÊNCIA COM A IDEOLOGIA ANALFABETA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Lula joga fora mais uma oportunidade para o Brasil ingressar no seleto grupo do Primeiro Mundo.

Não preciso recorrer a nenhuma bola de cristal para constatar que estamos sendo empurrados para trás. Sob aplausos e aprovação de 70% da população. Claro que esta população mal sabe o que está acontecendo além do seu salário mínimo, de sua cesta básica ou de sua bolsa família.

Logo que Lula assumiu, em 2003, tivemos a primeira oportunidade de colocarmos um pé no primeiro mundo. Jogamos fora por besteira, por ideologismo capenga, ignorância mórbida de acharmos que a ALCA destruiria nossa economia. Ah, é ? Perguntem ao México. Ou melhor, nem precisam perguntar, bastante é que constatar que os mexicanos estão nos deixando pra trás. No continente, já havíamos sido suplantados pelo Chile. O México agora faz a festa, que jogamos fora. Correndo por fora, vem aí a Costa Rica.

Este ranço de atraso com ignorância tem provocado incontáveis prejuízos ao longo do tempo. Mas antes o país não tinha a economia que tem hoje, e o mundo vivia outro clima. Mas hoje não, não justifica permanecermos atirando no lixo as oportunidades que batem à nossa porta e teimamos em desperdiçar.

Depois da Alca, Lula teve outra chance, a de liderar países emergentes rumo às conquistas maiores do modernismo, da tecnologia e das aberturas das economias menores em razão do processo de globalização. Assim, o sudeste asiático, agitado que foi por inúmeras e seguidas guerras, vivia uma miséria colossal no início dos anos 60. E o Brasil já era candidato a país do futuro. Pois então, sabem o que aconteceu ? Pois o sudeste asiático cresceu, virou tigre asiático, enriqueceu, prosperou, virou tigre, deixou-nos para trás em educação, prosperidade e tecnologia. E nós ? Continuamos com o discurso do atraso, preocupados em firmar parcerias com Venezuela, Equador e Argentina e dando às costas para o mundo civilizado! E isto se dá porque continuamos a pensar com foco nos anos 60. Não saímos de lá. Sequer se percebe um movimento revitalizador que possa arejar e oxigenar o pensamento nacional, mesmo que não no curto prazo, mas para daqui cinco, seis, dez anos. Nada.

Pois, mais recente, tivemos a oportunidade de liderar as negociações com o G-8 (países mais ricos do mundo mais a Rússia), tentando buscar uma convergência que satisfizesse a todas as partes, onde todos pudessem sair ganhando, tornando as relações comerciais entre os países ainda mais prósperas do que já são no presente. E aí? Novamente cuspimos em cima da oportunidade, chutamos o balde e nosso representante abandonou a reunião e ainda saiu cantando marra.

Nesta semana, Lula resolveu endossar a ignorância e a mediocridade do camarada Amorim e, muito macho, afirmou que se os ricos não cederem no que o Brasil entende por condição básica, não haverá negociação. Ótimo, só que o mundo não precisa do Brasil e vai nos dar às costas para que nos deleitemos com o nosso atraso.

Assim como aconteceu quando Lula deu uma banana para Alca, os americanos colocarão em prática seu plano “B”. Naquela ocasião, começaram a afirmar acordos bilaterais de livre comércio com os países latinos, sempre em separado do bloco continental. Ficamos sozinhos, tanto na parceria quanto no discurso. Agora, de novo, os EUA se voltam para o seu plano “B”, e vão negociar sozinhos com os países asiáticos. Moral da história: vamos ficar isolados, mais uma vez.

Quem perde ? O Brasil, sem dúvida. Podendo avançar, vamos perdendo a rota, morrendo abraçados com parceiros como Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Argentina. Podendo crescer, nossa opção é viver com o atraso. Abaixo do que já somos. Perdemos o foco e o trem da história.

Nossa opção de nivelar por baixo, aliando-nos com quem nada acrescenta ao que já temos, é sem dúvida de uma colossal burrice. Assim, serão milhões de dólares que deixarão de entrar em investimentos diretos, investimentos capazes de gerar os empregos que não temos e que nos fazem falta. Serão milhões de dólares que deixarão de entrar fruto de exportações, em razão de que nossos produtos cada vez mais perderão competitividade, perderão em conseqüência mercados importantes. Ou seja, no fundo, estamos dizendo que ficaremos orgulhosos e felizes em continuar sendo o país do futuro. Que o presente se dane. Quem estiver na miséria que espere. Lula e seus asseclas precisam manter-se amarrados na sua ideologia, mesmo que isto nos custe mais anos de pobreza e miséria. Não importa: eles precisam ser coerentes com seu analfabetismo.

A seguir, em reportagem da Reuters conheçam como os EUA estão “preocupados” com as exigências de Lula para negociar. Se não queremos a parceria, tem quem quer, e claro, saberá lucrar com ela. Afinal, governante responsável se preocupa com o bem estar de seu povo, e não com a coerência de sua ignorância.

EUA trocam Brasil por países da Ásia-Pacífico
Da Reuters

Países podem aderir a acordo com EUA, Canadá, México e Chile. Brasil desistiu de negociar com EUA no último encontro.

Os Estados Unidos darão mais atenção a acordos comerciais regionais e bilaterais, incluindo um possível pacto com a região Ásia-Pacífico, se as negociações de comércio mundial fracassarem, disse a representante comercial norte-americana, Susan Schwab, a um jornal australiano.

Os comentários, uma semana depois do colapso das reuniões entre Estados Unidos, Índia, Brasil e a União Européia, na Alemanha, elevam a perspectiva de nações da Ásia-Pacífico aderirem ao pacto comercial da América do Norte, entre EUA, Canadá, México e Chile.

"Acho que vocês verão uma aceleração real de acordos bilaterais e regionais, incluindo algo como um acordo de livre comércio com a Ásia-Pacífico, se a rodada de Doha desaparecer realmente do cenário", disse Schwab, segundo a edição do jornal The Australian desta sexta-feira.

Schwab visitará a Austrália na próxima semana, para participar de um encontro de ministros da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), formada por 21 países. A rodada de Doha, lançada há quase seis anos para tentar incentivar o comércio global e tirar milhões de pessoas da pobreza, parou devido a debates sobre subsídios agrícolas e tarifas na Europa e nos EUA.

Brasil e Índia também relutam em abrir seus mercados a mais produtos agrícolas e industrializados sem cortes maiores no apoio agrícola na Europa e nos EUA. A Austrália, que apóia o livre comércio e maior abertura de mercados, principalmente para a agricultura, espera que o encontro da Apec estabeleça novas metas para a redução de barreiras comerciais internas.

Ah, para encerrar: diante desta “geniais” escolhas, Roberto Campos se vivo fosse, por certo, repetiria seu pensamento diante da possibilidade de Lula presidente:

"O Brasil tem duas saídas: Galeão e Cumbica".

O raio que até nisso o governo Lula adora andar para trás: cada dia está mais difícil de aviões levantarem vôo. Naquilo que mais nos parecíamos com o mundo civilizado, Lula está conseguindo reduzirmos ao tempo do teco-teco. Mas sem perder a coerência do discurso imbecil que defende.