terça-feira, dezembro 26, 2006

O avanço da pré-história

por Ives Gandra Martins, no Jornal do Brasil
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A reeleição do histriônico presidente da Venezuela, para o que ele espera seja seu mandato perpétuo, as manifestações caudilhescas do iletrado presidente da Bolívia e as demonstrações de apreço ao maior genocídio das Américas - que, em Cuba, matou, sem julgamento, mais pessoas do que seu êmulo chileno - estão a demonstrar que o continente sul-americano não corre nenhum risco de melhorar. Estamos condenados, como diz o escritor Vargas Llosa, a viver na pré-história, com líderes como Chávez, Morales ou Fidel.
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Impressiona-me, todavia, que o presidente Lula, que governa mais de metade da América do Sul, de líder inconteste do mundo emergente, em 2003, tenha tido seu papel reduzido a ator coadjuvante, nesse cenário menor, onde vicejam a demagogia, as esmolas ditas sociais e a ignorância, para gáudio dos minúsculos líderes de palanque, de pendores verborrágicos.
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Debatendo, recentemente, com o professor Delfim Netto, em evento patrocinado pelo Instituto ETCO, analisamos as perspectivas do governo Lula para seu segundo mandato. Defendia eu, com certo ceticismo, que o presidente precisaria substituir as amarras ideológicas e sentimentais, pelas alavancas da eficiência e do progresso, sabendo escolher os melhores, e não os mais amigos, para governar bem e fazer o país crescer de novo. Precisaria ter o descortino que o governo comunista da China tem demonstrado, no campo econômico, não tendo receio de adotar, abertamente, uma economia de mercado, sem desnecessários entraves burocráticos, excessivos encargos trabalhistas e confiscatória carga tributária.
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Estamos, gradativamente, perdendo o trem da história. O crescimento pífio - sem chances de se reverter enquanto a esclerosada máquina administrativa, as benesses presidenciais oficiais, o incorrigível hábito dos detentores dos três poderes de se auto-outorgarem benefícios remuneratórios, os preconceitos das autoridades em relação aos empresários e a todos aqueles que geram riqueza e desenvolvimento - parece ser, segundo os principais analistas, o destino do país.
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Parcela ponderável de brasileiros gostaria que o presidente Lula percebesse que o Brasil é maior, em tamanho e possibilidades, do que todos os seus vizinhos; que não deve se submeter a esta visão retrógrada, do século 19, de que a tecnologia é perniciosa à agricultura e que o progresso da ciência só vale a pena para os filmes de efeitos especiais.
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E parcela ponderável de brasileiros sentir-se-ia mais confortável se o presidente passasse a ser líder - não segundo a cartilha imposta por Chávez, Kirchner, Morales e Fidel - mas de um país, que, entre as quatro maiores economias das nações emergentes (Rússia, China, Índia e Brasil), é aquele que oferece melhores condições naturais, econômicas, sociais e culturais que qualquer dos outros três. O Brasil tem tudo, se o presidente quiser, para superá-los em breve no tempo, mas poderá ser superado pela mediocridade de seus não-confiáveis aliados, que ainda acreditam na ressurreição da economia do período de neanderthal.
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No debate com Delfim Netto, mostrou-se ele confiante de que o presidente Lula saberá fazer as escolhas certas e levar o país a um patamar melhor do que o atual.
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Para o bem do Brasil, que ele esteja certo!