Adelson Elias Vasconcellos
Atenção para esta frase:
"Serei sempre intransigente na defesa dos direitos humanos.”
A frase acima foi proferida em 01º de janeiro de 2.011, em seu discurso de posse, por ninguém menos do que Dilma Rousseff, a 1ª mulher a assumir a presidência da República do País.
Exatamente um ano e um mês depois daquele dia, Dilma vai à Cuba. A ilha cujos irmãos ditadores são responsáveis pela morte de 100 mil cubanos, afora os mais de 1 milhão de refugiados espalhados pelo mundo.
Indagada sobre a situação cubana, e já fazendo coro à declaração imbecil de seu ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, para quem a questão de direitos humanos em Cuba não é emergencial (vá dizer isto para os dissidentes morrendo de fome, vá!), dona Dilma esqueceu do discurso, do compromisso de primeiro dia, e entre tergiversações (expressão tão ao gosto da presidente), direitos humanos já virou outro papo, a coisa não é bem assim, comparou a situação de lá com a brasileira, o que representa um tremendo desrespeito ao Brasil, onde pelo menos há liberdade, democracia, direitos humanos, estado de direito e ninguém vai preso por pensar diferente dos ditadores (que por aqui eles foram varridos para o lixo da história).
Ou seja, a presidente do Brasil, que deveria elevar as nossas virtudes para dar destaque ao país, engrandecer seu regime de liberdades preferiu rebaixar nossa condição política para equipará-la a um republiqueta de quinta, comandada por uma ditadura ferrenha e assassina.
Não, Dona Dilma, a senhora e seus pares petistas podem até ser amigos de Fidel e Raul Castro. Podem até terem um dia sonhado implantar igual regime macabro no Brasil, como as ações de guerrilha e terrorismo à época da nossa ditadura militar não desmentem, mas, por favor, respeite o pavilhão nacional, e não nos misture e nem nos iguale a lixo. O povo cubano é pobre e vive sem liberdade sequer de pensar diferente, não por ter sido esta a sua escolha. Quem determinou no que a ilha iria se transformar foi o moribundo Fidel Castro, que preferiu as asas protetoras do poder soviético, na época militarmente tão forte quantos os norte-americanos, porque através da proteção militar e econômica, Castro conseguiria se manter no poder a ferro, fogo e assassinato de seus opositores.
Pudessem, por certo, ter a oportunidade de optarem, provavelmente os cubanos teriam escolhido melhor sorte que as trevas de uma tirania. Fidel Castro, ele sozinho, por sua única, arbitrária e exclusiva vontade escolheu por milhões de cubanos. Quem pode fugir do regime, e conseguiu atravessar o oceano, foi em busca de liberdade. Mais de um milhão de cubanos moram e vivem nos Estados Unidos, que, diga-se por justiça, acolheu a todos.
O bloqueio econômico norte-americano foi erguido como defesa daquele país contra a ameaça militar soviética, uma vez que Fidel autorizara os soviéticos a instalarem em Cuba mísseis apontados para os Estados Unidos.
O mundo inteiro conhece e sabe que os norte-americanos financiaram mundo afora vários regimes ditatoriais, dentre estes o do Brasil também. Estes países não sofreram com bloqueios econômicos. Se era ditadura que Cuba pretendia para si, que o fizesse optando pelo melhor lado, aquele que lhe garantisse melhor qualidade de vida aos seus cidadãos.
Não apenas isto: Fidel não se conteve em implantar seu regime de terror naquela ilha. Quis irradiar para o continente latino sua tirania, tenho acolhido em suas bases militares inúmeros aventureiros, guerrilheiros e terroristas, treinando-os para desestabilizar as nações vizinhas. A isto, senhora presidente, intromissão indevida nas políticas internas dois demais países.Isto é terrorismo.
Não falar em direitos humanos para respeitar a política interna daquele país é uma coisa, Dona Dilma: mas se o fizesse, não seria intromissão alguma, porque estaria absolutamente no direito de cobrar dos mesmos irmãos ditadores, uma resposta a intromissão que eles patrocinaram nas políticas internas dos demais países.
Quem escolheu o lado para lutar foi Fidel, independente da vontade de seu povo que não teve ou não lhe ofereceram outra alternativa. Quem escolheu os parceiros para dar as mãos e fortalecer a amizade foi Fidel Castro, e não houvesse a hecatombe econômica da antiga União Soviética, e os Castros não teriam porque reclamar do bloqueio econômico americano.
Mas há outros “poréns”, senhora presidente. O Brasil é um país em pleno desenvolvimento, mas está longe de ser um país rico e próspero. Seu povo tem alarmantes índices de abandono e descaso. Metade da sua população sequer pode contar com saneamento básico. Assim, que o governo petista estenda a mão de forma humanitária para exportar alimentos para os cubanos, ou para o Haiti, por exemplo, creio ser um ato altruísta e humanitário plenamente justificável. Contudo, desviar dinheiro público, arrancado de forma brutal do suor dos brasileiros que lutaram bravamente para reconquistar suas liberdades democráticas, para investir em um moderno terminal portuário em Cuba, conhecendo-se a situação de abandono e sucateamento da maioria de nossos portos, acredite presidente, é esbofetear os votos que lhe foram confiados para a realização de programas e projetos com o objetivo de melhorar a vida dos brasileiros.
Somos simpáticos ao povo cubano por toda a sua história e formação. Somos fraternos na união de interesses culturais que nos aproximem mais, dentro da nossa histórica postura de relações internacionais, tão característica desde a proclamação da república. Contudo, inaceitável que o nosso regime democrático, por mais mazelas que ainda carregue, por mais aprimoramentos que ainda precise desenvolver, não pode ser covardemente desrespeitado ao ser igualado e rebaixado à uma reles tirania.
Temos questões de direitos humanos a resolver em nossa terra, sim, mas são questões pontuais sem correlação de nenhum tipo com ideologia política, ao contrário de Cuba. Aqui ninguém precisa entrar em greve de fome para protestar contra a a falta de liberdade de ir e vir, ou até mesmo de livre pensar. Nossas cadeias estão entupidas de presos, às vezes em condições miseráveis e lastimáveis, mas nelas (por enquanto), se alojam apenas bandidos praticantes de crimes comuns (os mesmos cometidos por Cezare Battisti a quem o governo petista deu proteção), mas não aloja ninguém por questões políticas, por divergência de pensamento.
Portanto, dona Dilma, se já é um desrespeito ao povo brasileiro investir dinheiro dele numa tirania, em obras que fazem falta ao nosso próprio país, maior desrespeito é igualar a democracia e o pleno estado de direito brasileiro a um regime tirânico e sem liberdades, sem direitos humanos, sem que se seu governante respeite, minimamente, a vontade soberana de seu povo.
Assim, faça amizade com o tirano que quiser, paparique o ditador que bem entender, mas, por favor, tenha mais respeito para com a democracia brasileira! É bom não esquecer nunca, Dona Dilma, por mais óbvio que possa parecer: a senhora foi eleita para governar o Brasil para os brasileiros, e não para afiançar tiranias irmãs siamesas da ideologia petista.
*(Postada originalmente em 01.02.2012 - 00.41 horas)
*(Postada originalmente em 01.02.2012 - 00.41 horas)
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