quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Projeto "bolsa geladeira" vai sair da gaveta. ATENÇÃO: o programa não é inédito.

Vocês já devem ter lido esta notícia aqui no COMENTANDO A NOTÍCIA algumas vezes, ao longo de 2008. O presidente Lula se reunirá nesta quarta-feira com ministros e empresários para discutir o projeto que incentiva as famílias carentes a trocarem geladeiras velhas por novas. A proposta, apelidada de "bolsa geladeira", busca diminuir o alto consumo de energia dos aparelhos velhos, trocando-os por eletrodomésticos que consomem menos.

A idéia inicial era colocá-lo em prática em fins de outubro do ano passado. A idéia só não vingou pelo temor que se tinha de queimar o filme, tendo em vista as eleições municipais. Mas Lula alimenta a idéia desde março do ano passado. Mesmo entre julho e agosto, ele chegou a determinar que o programa fosse implementado mas, na medida em que a crise financeira foi agravando-se, entendeu melhor esperar um momento mais adequado. Entende ele que este é o melhor momento, não para o sucesso do programa, como também para a capitalização do ônus político. Vocês sabem: este é um governo que direciona suas ações sempre mirando-se no próprio espelho...

Mas o projeto não é novo, não. Ele foi implementado no Mato Grosso do Sul há mais de um ano pela concessionária de energia elétrica daquele estado. Portanto, tanto quanto já ocorrera com o Bolsa Família e o Programa do Álcool Combustível e até do Biodiesel, resta saber se Lula adotará o programa se apresentando na praça como o pai da criança. Menos mal que o Jornal da Globo na edição desta quarta-feira, resolveu mostrar o DNA do Bolsa-Geladeira para todo o país. Agora, resta aguardar o discurso de lançamento do programa com o foguetório tão característico dos palanques que Lula arma para o lançamento de qualquer coisa. É de se esperar que ele deixe de lado, ao menos desta vez, a mania de cumprimentar com o alheio clonado o programando como se fosse apenas seu...

Em tempo: pelo projeto inicial do governo federal, as geladeiras seriam oferecidas às famílias de baixa - prevê-se um total de 10 milhões de geladeiras - que serão financiadas em prazos longos e juros baixíssimos. Porém, no programa implementado no Mato Grosso do Sul, quem fornece as geladeiras é a própria concessionária e a custo zero para as famílias agraciadas.

A seguir o texto da reportagem de Claudia Gaigher para o Portal G1 com o link para acessar o seu vídeo exibido no Jornal da Globo.

Programa de distribuidora de energia de MS serve de inspiração para o Governo Federal

A intenção é trocar de 10 milhões de geladeiras antigas da população de baixa renda, num prazo de dez anos: um milhão por ano.

Em uma casinha ainda em construção, a geladeira velha, estava desligada pra economizar energia.

Em outra, o teste de consumo na geladeira de dona Rufina revelou que o eletrodoméstico era o vilão da conta de luz.

E segundo a companhia de energia, o simples fato de trocar a geladeira velha por uma nova pode significar uma redução de 25 a 50% no valor final da conta.

Teresa e Rufina fizeram isso e ficaram satisfeitas. E reduzindo o consumo médio de energia, é possível se enquadrar na tarifa social, que é mais barata.

Há um ano dona Ernestina recebeu a geladeira nova. E a diferença na conta de luz foi gritante. Caiu de R$ 140 por mês para R$ 80 por ano, uma economia de R$ 600 por ano.

O programa da distribuidora de energia de Mato Grosso do Sul serviu de inspiração para o Governo Federal, que nesta quarta-feira se reuniu em Brasília. A intenção é trocar de 10 milhões de geladeiras antigas da população de baixa renda, num prazo de dez anos: um milhão por ano.

“Hoje na tua conta de luz, 0,5% é o Fundo de Eficiência Energética que é para ser usada exatamente em programas como esse. Do um milhão por ano, até 150 mil você resolve com isso, agora falta os outros 850 mil”, declara Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente.

A distribuidora, que atua em quatro regiões do Brasil, já substituiu mais de 22 mil geladeiras velhas e diz que para a empresa o resultado também vale a pena. “Isso significa uma economia de uma usina térmica de 2,5 megawatts, isso significa que se deixou de investir, se deixou de gastar, R$ 7,5 milhões na construção dessa usina e se economiza por ano em energia que não foi usada R$ 2,4 milhões por ano", fala Sidnei Simonaggio, vice-presidente da Rede Energia.

(Clique aqui e assista ao vídeo da reportagem.)