Na lentidão da tragédia da aviação civil, em vez de 6 meses, teremos que esperar 6 anos
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Nessa tumultuadíssima crise da aviação civil, para começo de conversa, é preciso identificar o que é governo. Infraero é governo? Anac é governo? A FAB é governo? E se coloquei bem visível aviação civil, é porque na aviação militar não existe o menor solavanco, mesmo que o céu não esteja de brigadeiro.
Outra pergunta que é feita há 6 meses e ninguém responde: a tragédia do avião da Gol, com 154 mortos, foi conseqüência do descontrole dos controladores? Ou foi o sinal visível e colocado diante do cidadão-contribuinte-eleitor de que as coisas estavam trágicas e se transformando em calamidade, sem que ninguém percebesse?
De qualquer maneira, ninguém responde coisa alguma, civis e militares se desentendem publicamente, diante da presença desatenta e até imprudente do governo. E como no presidencialismo (bi ou pluri) o presidente é o governo ou o governo é única e exclusivamente o presidente, nada se resolve por causa da arrogância implícita e explícita do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, presidente pelo segundo mandato.
O presidente Lula conseguiu fechar o triângulo da insegurança. Antes do dramático desastre da Gol, insegurança só no chão, principalmente no Rio e em São Paulo. As mortes passaram a ser contadas por horas ou por dias, quando antigamente só eram somadas por semanas ou meses.
Quando ninguém esperava, a aviação brasileira, o caminho mais fácil e mais seguro para viajar por este vasto País, que cuidou do transporte aéreo bem antes do ferroviário, rodoviário ou hidroviário, os ares deixaram de ser seguros. Ninguém explica nada, mas viajar hoje é um clamor público. Por essa insegurança e pelo receio de não partir e conseqüentemente não chegar.
Complicando e tumultuando o problema. Chegou a terceira insegurança. Essa, pessoal, do próprio Lula, que tem horror à decisão e paixão pela omissão. Deixou que tudo se resolvesse sozinho, enquanto ele viajava por ares tranqüilíssimos, indo até mesmo a Camp David, a bela mansão oficial dos presidentes americanos. E foi de lá que Lula resolveu agir, e desastradamente.
Apesar da comunicação ter progredido assombrosamente, o presidente deveria ter esperado para voltar ao Brasil (pouco mais de 24 horas) para tomar a decisão polêmica que tomou. E que desagradou aos dois lados, conseguiu jogar militares contra civis e civis contra militares, vá lá, um estado de espírito que existe desde 15 de novembro de 1889.
Esse choque entre controladores civis subordinados a militares. E autoridades militares com formação muito mais espartana do que ateniense, comandando civis, precisava de muita coisa. Começando com bom senso e se estendendo por uma dose racional e razoável de autoridade presidencial.
Nos EUA, quando soube que os civis fizeram greve (chamada de motim) e foram punidos e presos pelos militares, imprudentemente Lula veio com a ordem que não tinha nenhuma convicção ou força para consolidá-la: "Soltem todos". Lula voltou, foi "emparedado", era tamanho o absurdo que o próprio Lula tomou conhecimento da bobagem que havia feito. E voltou atrás, coisa que um presidente tem que evitar de todas as maneiras.
PS - A manifestação ao brigadeiro Saito não foi precisamente um triunfo dele e sim a consagração da derrota para o próprio Lula. Agora, está nos jornalões: "Lula deu carta branca à Aeronáutica". E os controladores?
PS 2 - Lula começou a naufragar (como se a crise fosse na Marinha e não na Aeronáutica) quando designou o ministro Paulo Bernardo para coordenar. Este é incapaz de saber a diferença entre um submarino, um avião supersônico ou um tanque das "panzer divisiones" do general Guderian.
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Nessa tumultuadíssima crise da aviação civil, para começo de conversa, é preciso identificar o que é governo. Infraero é governo? Anac é governo? A FAB é governo? E se coloquei bem visível aviação civil, é porque na aviação militar não existe o menor solavanco, mesmo que o céu não esteja de brigadeiro.
Outra pergunta que é feita há 6 meses e ninguém responde: a tragédia do avião da Gol, com 154 mortos, foi conseqüência do descontrole dos controladores? Ou foi o sinal visível e colocado diante do cidadão-contribuinte-eleitor de que as coisas estavam trágicas e se transformando em calamidade, sem que ninguém percebesse?
De qualquer maneira, ninguém responde coisa alguma, civis e militares se desentendem publicamente, diante da presença desatenta e até imprudente do governo. E como no presidencialismo (bi ou pluri) o presidente é o governo ou o governo é única e exclusivamente o presidente, nada se resolve por causa da arrogância implícita e explícita do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, presidente pelo segundo mandato.
O presidente Lula conseguiu fechar o triângulo da insegurança. Antes do dramático desastre da Gol, insegurança só no chão, principalmente no Rio e em São Paulo. As mortes passaram a ser contadas por horas ou por dias, quando antigamente só eram somadas por semanas ou meses.
Quando ninguém esperava, a aviação brasileira, o caminho mais fácil e mais seguro para viajar por este vasto País, que cuidou do transporte aéreo bem antes do ferroviário, rodoviário ou hidroviário, os ares deixaram de ser seguros. Ninguém explica nada, mas viajar hoje é um clamor público. Por essa insegurança e pelo receio de não partir e conseqüentemente não chegar.
Complicando e tumultuando o problema. Chegou a terceira insegurança. Essa, pessoal, do próprio Lula, que tem horror à decisão e paixão pela omissão. Deixou que tudo se resolvesse sozinho, enquanto ele viajava por ares tranqüilíssimos, indo até mesmo a Camp David, a bela mansão oficial dos presidentes americanos. E foi de lá que Lula resolveu agir, e desastradamente.
Apesar da comunicação ter progredido assombrosamente, o presidente deveria ter esperado para voltar ao Brasil (pouco mais de 24 horas) para tomar a decisão polêmica que tomou. E que desagradou aos dois lados, conseguiu jogar militares contra civis e civis contra militares, vá lá, um estado de espírito que existe desde 15 de novembro de 1889.
Esse choque entre controladores civis subordinados a militares. E autoridades militares com formação muito mais espartana do que ateniense, comandando civis, precisava de muita coisa. Começando com bom senso e se estendendo por uma dose racional e razoável de autoridade presidencial.
Nos EUA, quando soube que os civis fizeram greve (chamada de motim) e foram punidos e presos pelos militares, imprudentemente Lula veio com a ordem que não tinha nenhuma convicção ou força para consolidá-la: "Soltem todos". Lula voltou, foi "emparedado", era tamanho o absurdo que o próprio Lula tomou conhecimento da bobagem que havia feito. E voltou atrás, coisa que um presidente tem que evitar de todas as maneiras.
PS - A manifestação ao brigadeiro Saito não foi precisamente um triunfo dele e sim a consagração da derrota para o próprio Lula. Agora, está nos jornalões: "Lula deu carta branca à Aeronáutica". E os controladores?
PS 2 - Lula começou a naufragar (como se a crise fosse na Marinha e não na Aeronáutica) quando designou o ministro Paulo Bernardo para coordenar. Este é incapaz de saber a diferença entre um submarino, um avião supersônico ou um tanque das "panzer divisiones" do general Guderian.