Felipe José Kayser Furlan (*), Zero Hora
A decisão vergonhosa de retirar dos prédios da Justiça os crucifixos só retrata a calamitosa perseguição que o Estado abraça em prol do ateísmo persecutório. Reprovam a manifestação social, cultural e livre de quaisquer amarras legais dos cidadãos de um país cuja população é composta em sua maioria por católicos. Haja visto que a pasma sociedade gaúcha agora é obrigada a assistir a remoção de um símbolo que, longe de qualquer tipo de legislação, figurava nos prédios de sua justiça tão somente pela força do costume social.
A manifestação religiosa a qual o Estado alude sequer figura como afronta ao texto constitucional, pois não há qualquer comando do Estado conduzindo a presença dos crucifixos, há sim, desde esta decisão vexatória, a determinação estatal em desrespeito a laicidade impondo assim a perseguição direta e oficialmente.
Não se pode apoiar tal atitude advinda de uma justiça que promove em larga escala a presença constante da deusa pagã Têmis como seu símbolo. Lança agora um discurso burocrático para atender a causa da Liga Brasileira de Lésbicas em recurso de uma decisão que, em dezembro do último ano, não acolheu o pedido de remoção dos crucifixos por entender que não havia postura preconceituosa.
Presenciamos a eliminação da identidade cultural do povo brasileiro. Tentam alegar que a presença dos crucifixos fere aqueles que não professam a fé católica, contudo, estarem eles presentes não significa adesão do Estado a tal crença, mas sim o reconhecimento de uma tradição historicamente construída dentro da cultura de nosso país. Não se trata de impor a religião católica nem sequer de ofender a sensibilidade daqueles que não a seguem, mas simplesmente de não se admitir que o povo brasileiro seja tolhido de um pedaço de sua história e de uma forte tradição.
A decisão ignora o papel marcante da cristandade na formação deste país e na construção da identidade de seus cidadãos. Testemunhamos a anulação de nossas tradições, base de nossa sociedade.
Recentemente vislumbramos o valor da Cruz ao vê-la emergida dos destroços do World Trade Center, em Manhattan, nos Estados Unidos da América. Também lá se presenciou esforços dos ateus em removê-la de seu lugar no atual memorial do 11 de Setembro. O crucifixo nos remete ao amor à Deus e é símbolo universal do amor ao próximo. Curiosamente lutamos apenas contra os símbolos católicos. A quem interessa realmente a remoção dos crucifixos?
Descartamos o humanismo em favor do relativismo. Não esquecemos da defesa constitucional na antiga União Soviética a respeito da liberdade religiosa e, contudo, aquele Estado vivenciou e alimentou uma intensa perseguição religiosa.
Qual o próximo passo? Acabar com os feriados religiosos? Implodir o Cristo Redentor? Estamos a um passo da barbárie.
*Professor de Direito