segunda-feira, março 12, 2012

Setor de petróleo e gás perde executivos para outras indústrias

Isabel Kopschitz, O Globo

Estudo exclusivo mostra as maiores dificuldades para contratar mão de obra especializada na área

RIO - O setor de petróleo e gás está perdendo mão de obra de nível executivo para outras indústrias. Essa é uma das principais conclusões do estudo exclusivo feito pela empresa de recrutamento Asap sobre o setor. Segundo a pesquisa, realizada com 11 grandes empresas, para quatrodas companhias há uma dificuldade em encontrar profissionais para cargos gerenciais. A remuneração abaixo da expectativa é citada por sete das 11 empresas entrevistadas como o maior entrave para a contratação desses executivos. E 90% delas dizem ter perdido profissionais para outras áreas do mercado, devido a remunerações melhores.

Segundo Rafael Meneses, sócio-gerente da Asap e responsável pela coordenação do estudo, os dados são uma surpresa, porque mostram que a escassez de mão de obra não está afetando apenas a “base da pirâmide”, ou seja, as posições de nível técnico:

— A escassez é, em parte, consequência da falta de investimentos na formação executiva, há anos. O setor, que era quase imbatível, não está mais tão atrativo para os executivos, porque outras indústrias, como as de mineração, siderurgia, construção e até de bens de consumo, estão sendo mais agressivas na oferta salarial e de oportunidades de desenvolvimento de carreira.

Por um lado, diz Meneses, isso é um bom sinal, pois a resposta dos demais setores eleva o nível das condições ofertadas aos profissionais de nível gerencial do setor de petróleo e gás, no país.

O estudo revela ainda uma questão sabida historicamente, e que ameaça essa indústria: as posições que exigem nível técnico ainda são as mais difíceis de serem preenchidas. Dez das empresas ouvidas no estudo relataram isso como uma dificuldade.

— O quadro deve permanecer assim no Brasil ainda por um período de dez a 15 anos. Até porque o país está vivendo um boom na infraestrutura. Então, essa mão de obra de nível técnico está sendo muito requisitada — afirma Meneses. — A solução encontrada pelas empresas de óleo e gás para captar esses profissionais está sendo ir atrás deles nas escolas técnicas e universidades, e formá-los dentro de casa.

Apesar da escassez de profissionais, a maior parte das empresas está contratando menos estrangeiros do que antes, para cargos gerenciais. Para Meneses, isso é uma prova de que o Brasil está no caminho da autossuficiência, em termos de mão de obra executiva:

— Como as empresas do setor não tinham programas estruturados, o ‘atalho’ era buscar o executivo lá fora. Agora, está acontecendo um movimento mais forte de aproveitar talentos brasileiros, até porque é muito caro ficar contratando gente de fora.

O volume de contratações, segundo a pesquisa, permanece alto. Quatrodas 11 empresas contrataram mais de 350 funcionários nos últimos 18 meses. Apenas uma delas contratou até 50 empregados.

— Isso mostra que o setor continua muito bem, apesar da escassez de mão de obra — analisa o coordenador.

O estudo mostra, ainda, que, para reter profissionais, as empresas de óleo e gás estão investindo nos seguintes recursos, por ordem: programas de trainees e estágio; oportunidade de carreira internacional e parceria com instituições de ensino; e, em terceiro lugar, oferta de salários fixos e variáveis mais agressivos.