Adelson Elias Vasconcellos
Anuncia-se para a próxima semana, a edição de várias medidas com dois objetivos básicos: um, o de atenuar as consequências ruins para a indústria brasileira que a questão vem provocando, retirando da nossa indústria sua capacidade de competir. Paralelamente, se seguirá algumas medidas protecionistas, elevando tarifas de importação para alguns itens.
Outro bloco de medidas terá a missão específica de impulsionar o crescimento econômico, em razão da péssima notícia para o governo que foi a divulgação de crescimento em apenas 2,7%.
E, pela choradeira da presidente Dilma e algumas explicações e entrevistas concedidas pelo Ministro Mantega, da Fazenda, creio que se insistirá em partir para ações partindo para avaliações erradas e medidas inconsequentes que, se num primeiro momento poderão atenuar a questão cambial e dar um certo impulso ao crescimento econômico, não terão, contudo, o dom de resolver nossos problemas principais. E este artificialismo será fruto, exclusivamente, da cegueira ou da incapacidade do governo para avaliar com exatidão as causas do problemas para o pouco crescimento, e pior, acenar com medidas paliativas. Ou seja, o risco é mais do mesmo,com consequências pífias ali adiante.
Ora, o câmbio, está mais do que visto, se causa transtornos por um lado, por outro a perda de competitividade não deriva do câmbio. Além do que o câmbio só nos prejudica e se torna problema por culpa do próprio governo.
Competitividade só será conseguida se o país fizer as reformas que lhe compete fazer, e elas devem partir por iniciativa do próprio governo. Mas quem ali vai ter coragem de assumir tal encargo?
Nesta edição há inúmeros exemplos da covardia do governo Dilma em fazer o que o país mais precisa e mais reclama que seja feito: as reformas estruturantes, único caminho para restituir às empresas brasileiras, a competitividade perdida ao longo de anos de desmandos e falta de ação governamental.
Cortar impostos apenas para algumas atividades, por que não todas? Ou será que apenas aquelas que se dispuserem em contribuir para o caixinha do partido é que serão agraciadas? De outro lado, acena-se com desonerações da folha de pagamento, reduzindo a contribuição empresarial para um percentual menor sobre o faturamento, que já suporta o peso de outros como PÇIS e COFINS, afora CSLL e o próprio imposto de renda. Mostramos aqui a insatisfação de alguns empresários cujas atividades foram agraciadas com o benefício e que resultou em um pagamento acima do que faziam pelo sistema anterior. Ou seja, é bom que as empresas fiquem bastante atentas e calculem com precisão se realmente haverá vantagem com o benefício que o governo oferece.
Entre outras medidas, o governo acena também com a aplicação de imposto de importação sobre alguns produtos. Ou seja, além de praticar um protecionismo retrógrado, ainda vai se penalizar os consumidores por obrigá-los a pagar mais caro sem nenhuma vantagem a não ser encher os cofres do Tesouro de onde sairão, depois, não para qualificação de serviços essenciais, mas para a gastança desenfreada em inutilidades e elefantes, além de fazer a alegria da classe política com mais recursos para desvios, corrupção e negociatas de todo o gênero.
Infelizmente, conforme já afirmei em tantas vezes: ou o governo Dilma e sua equipe econômica não tem a menor ideia do que fazer, ou, se sabem, preferem não fazer com medo de sofrerem prejuízos na próxima eleição. Ou seja, de um modo ou de outro, o país fica prejudicado. Seja pela incompetência, ou porque o projeto dos petistas é de se perpetuarem no poder, mesmo que isto signifique prejudicar o crescimento do país. Assim, aqueles que se alinharem a este projeto estúpido, serão aquinhoados com benesses e vantagens. Já para os demais...
No governo petista, como se vê, nem todos são iguais perante a lei, porque a única lei que eles reconhecem e se curvam é de perpetuação no poder. O resto não conta.
Leiam o excelente artigo do Professor e Historiador, Marco Antonio Villa, publicado na edição de hoje do Estadão, e que o blog transcreveu no post anterior. O título já resume bem o teor que se segue: governo? Que governo?
Não há uma única vírgula a ser contestada considerando-se a realidade deste governo. E nada do que o historiador aponta nesta tragicomédia governamental é novidade aqui. Tudo, rigorosamente, se enquadra nas críticas que temos feito desde que Dilma chegou ao poder, amparada por falsa biografia de competência. Todos os grandes programas, PAC e Cia, portos e aeroportos, tudo rigorosamente passava pelo seu crivo e controle. E, no entanto, do jeito que se encontravam no final do governo Lula, permanecem empacados até agora. Nada sai do lugar, a improvisação é o princípio pendular em que a ação de governar se regula.
Se ao menos os demais poderes dessem um certo rumo, mas nem isto. Legislativo e Judiciário vão se digladiando para ver quem apodrece primeiro.
Torno a repetir o alerta dado aqui inúmeras vezes: se de fato, a presidente Dilma pretende deixar uma marca positiva de sua gestão, que faça uma escolha entre o projeto de poder do seu partido, ou um projeto de país para encaminhar o Brasil para um futuro melhor. Não conseguirá, por mais que tente, conciliar as duas coisas por uma ser totalmente contrária à outra. É bom fazer esta escolha logo: o Brasil segue sem rumo e as oportunidades de hoje poderão não se repetir amanhã, quando então nos restará apenas amargar o prejuízo e o chorar o tempo perdido.