quinta-feira, setembro 21, 2006

O terceiro capítulo da tramóia.



COMENTANDO A NOTÍCIA: Até aqui temos que não há dossiê coisíssima nenhuma contra Serra, existem sim um dossiê mas contando alguns pecados capitais de petistas, que justificam o alto valor que eles pagaram, temos também transcrito a posição que cada um dos envolvidos ocupação na Cosa Nostra, e uma entrevista do sindicalista Walter Cinchetto, que nos detalha como os comitês de inteligência montados pelos comitês de campanha do Lula trabalham no sentido de derrotar os adversários nos bastidores, e claro com pelo conhecimento do chefão que não apenas conhece mas consente, o que desmacara de vez a pose de estadista e homem sério com que Lula tenta se vender ao eleitorado.
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No foco de mais um turbilhão sobre o Planalto, Lula tem repetido, junto com Mercadante, Berzoini, Tarso Genro e até Dilma Rousseff transitando pelo "isento" ministro da justiça, a mesma cantilena do "a quem poderia interessar o dossiê?". Isto já se respondeu, ao PT. Por quê? Porque o dossiê atingia o PT. Serra, bem, em nosso arquivo, devemos ter umas dez ou doze fotografis do Lula e do Humberto Costa fazendo entrega de ambulâncias. E daí? Pois isto é tudo o que se tem do Serra. Convenhamos, não valem 1,7 milhões.
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Também já demonstramos que o interesse do PT em cima do Serra se dava em duas direções e dois calendários distintos: o primeiro, claro, o imediato, fazer Mercadante forçar a barra do segundo turno em São Paulo. Com Lula reeleito em primeiro turno, conforme indicam pesquisas, ele desce em São Paulo com toda a máquina pública, cofres cheios e abertos generosamente, uma canetinha Bic para assinar MPs a varrer, e entrega a Mercadante o governo paulista.
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Depois, se Serra ganha, ele se torna o candidato natural lá frente, em 2010 à sucessão de Lula, o que não seria interessante para as ambições petistas e do próprio Lula.
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De quebra, atinge Alckimin e põe uma pá de cal na candidatura do tucano.
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As respotas que os petistas queria e "exigem", estão aí, certo ? Agora é a nossa vez de perguntar. Leiam Reinaldo Azevedo, a seguir, com as mesmas dúvidas. Aceitamos que os petistas em esclarecer a verdade, possam servir-se deste espaço para aliviar nossas angústias, e com suas respostas, tenhamos o ponto final desta história enrolada. Claro, que antes eles deveriam explicar direitinho para nós, pobres mortais, como e de onde tiraram aquela polpuda mesada de 1,7 milhões de reais.
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Vai que é tuuuuuuuuaaaaaa, Reinaldão !!!!
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Agora sou eu que pergunto: "A quem interessava?"

Por Reinaldo Azevedo
Certos desvios acabam prosperando no jornalismo porque não se presta atenção a algumas coisas óbvias. Ontem, fiz uma espécie de roteiro explicativo aqui. Uma das mais esclarecedoras reportagens a respeito do assunto foi publicada pelo Globo ainda no dia 19, terça-feira. E tinha como fundamento o depoimento à PF de Gedimar Passos, o petista que é advogado e policial aposentado. Gedimar foi preso em companhia de Valdebran com o dinheiro que pagaria a armação contra Serra e Alckmin. Vale retomar aspectos da reportagem de Alan Gripp e Anselmo Carvalho Pinto.
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Incriminando o PT – Segundo Gedimar, o pacote negociado com os Vedoin incluía supostas informações que também comprometiam o PT. Esse dado desapareceu dos jornais. Ele é importante porque justifica que petistas se mobilizassem para obter a malandragem. A um só tempo, estariam se preservando e atacando os adversários. Se estava havendo chantagem, os chantageados, provavelmente, eram os petistas.
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Quem fabricou? – Logo, parece ser papo furado a suposição de que a picaretagem, chamada de dossiê, foi organizada por Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil. Por que um petista “venderia” um dossiê também contra o PT ao próprio PT? A participação deste senhor pode ter sido qualquer outra, menos essa. É uma cortina de fumaça para encobrir o fato de que os petistas tinham interesse no papelório. “A família Vedoin se dispôs a vender informações graves que comprometiam não só políticos de outros partidos, como políticos do PT”, disse Gedimar à PF.
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E o que seria o dossiê contra Serra? – Segundo Gedimar, naquela língua estranha dos depoimentos, “ocorre que a documentação mostrada aos jornalistas e aquela que foi protocolizada na Justiça se resumia em fatos já conhecidos da sociedade em geral, que se tornaram de pouca importância ao PT e ao órgão de imprensa [leia-se: a revista IstoÉ]; que, como os Vedoin estavam interessados em receber o restante do dinheiro, se apressaram e, ainda na cidade de Cuiabá, entregaram um CD-ROM que afirmavam que continha toda a documentação prometida; que os jornalistas, ao chegarem em sua base, verificaram que o CD nada continha” Na seqüência, ele diz que os Vedoin ficaram de entregar novos documentos e que ele os analisaria para liberar ou não outra parcela do dinheiro.
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Hamilton Lacerda – Agora já sabemos que o órgão de imprensa é a IstoÉ e que foi Hamilton Lacerda, assessor de Mercadante, quem negociou com a revista. Isso significa que ele estava, claro, por dentro do caso, incluindo as ameaças que Vedoin fazia aos petistas. A quais petistas? Bom, o fato é que um assessor de Mercadante estava no rolo. Os outros são homens de Lula.
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Se dossiê havia... – Se havia mesmo um dossiê, parece que não era exatamente contra o candidato tucano. Afinal, o homem encarregado de analisar o material não viu nada além do que todo mundo já sabia: fotos do ex-ministro da Saúde em cerimônia de entrega de ambulâncias.
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PT de São Paulo – Não é por acaso que petistas de outros Estados estão furiosos com “o PT de São Paulo”. Ocorre que o “PT de São Paulo” é o de Lula, que foi definitivo na vitória de Mercadante sobre Marta Suplicy na convenção. O mesmo Mercadante cujo assessor é peça fundamental do imbróglio. Pode até ser que os Vedoin tenham mesmo um dossiê... Resta saber contra quem. Assim, devolvo agora a pergunta que os petistas fizeram muito nestes dias: a quem interessava tudo isso?