domingo, julho 23, 2006

PERSPECTIVA E EXPECTATIVAS DO ATUAL QUADRO POLÍTICO

Uma coisa é acreditar no que é real, outra, bem diversa, é querer acreditar em algo que desejaríamos ver, mesmo não existindo. Durante meses, ao custo de milhões de reais em publicidade, uso eleitoreiro do orçamento, abertura de dezenas de faculdades não menos eleitoreiras, esquecendo-se que a prioridade é o ensino fundamental, qualificação do ensino médio e superior e não simples abertura de novas "ciladas" superiores, implantação esmola-eleitoreira chamada de Bolsa-Família, que deveria ser um grandioso programa social e não é, com farta e generosa (e porque não dizer criminosa) distribuição de recursos públicos para aliciamento, co-optação e silêncio de entidades ditas sociais (algumas talvez, outras nem tanto como MST e MLST), mesmo agora diante do patrulhamento e censura à informação desencadeada a partir do crescimento dos adversários, houve tempo, campo e recursos que desequilibraram a balança para apenas um lado. Claro, se houvesse deste lado o interesse de implantar ou dar prosseguimento a um projeto de governo, atendendo às reformas do aparato legal-criminal, a reforma tributária, previdenciária, nunca esquecendo da reforma política até para aperfeiçoamento das nossas instituições representativas da plena democracia, promovendo revolução no campo da educação com seriedade e não com lavagem cerebral e demagogias, se o quadro fosse esse, até se entenderia as ações manipuladoras em direção ao poder.
Contudo, e tristemente, o que vemos é que o quadro é de único e mentecapto projeto de poder, de assalto ao poder, de tentativa espúria de perpetuação no poder. E ainda mais doloroso: um projeto de poder dirigido para implantação de um neocomunisno socialista. Isto está latente, é visível, é sensível em todas as ações e palavras provindas daqueles que se assentam no poder executivo. Acreditaria em equiparação de condições, igualdade de oportunidades para todos os candidatos, se além do quadro acima (que é real), houvesse ainda a disponibilidade e acesso de informação a todos os habitantes deste imenso território chamado Brasil. Se em todos os grotões a informação fosse real, em tempo real, expressando unica e exclusivamente os acontecimentos havidos diariamente no poder central, aí, sim, seria possível saber para que lado o povo brasileiro quer que o seu país seja conduzido. Mas, como isto é uma utopia, até porque não interessa a elite política, PT inclusive e principalmente, mostrar a verdade nua e crua, então não posso ser romântico, porque o que se percebe é uma total desproporção das forças políticas que competem entre si para a chegada ao poder.
O que grande parte do universo pensante brasileiro critica e repele conforme atestam as centenas de blogs espalhados na internet com os milhares de comentaristas a eles ligados em tempo real, bem como inúmeras entidades representativas como os agropecuaristas por exemplo, os exportadores de manufaturados, a classe média sempre a grande penalizada na repartição dos impostos a pagar, um grande contingente de estudantes universitários, de profissionais liberais, é que as mudanças que acima apontamos, e que eram desejadas na eleição passada e para as quais o PT se apresentava com autoridade para implementá-las, frustaram as expectativas, pela razão de não terem sido realizadas. Sequer esboçou-se um gesto de boa vontade nesta direção. Os grandes projetos que são apresentados como realizações, são meras continuidades dos governos anteriores. Como também, a ética que se sonhava alcançar com o PT no governo não passou de mera ilusão. Ao apresentar-se à Nação igual ao outros, o PT não apenas maculou e desonrou sua história. Ele banalizou a imoralidade na coisa pública. E neste dantesco quadro de horrores que foram os seus quatro anos, o que também repelimos é a arrogância (que aliás é histórica), a banalização da mediocridade, a glamourização da ignorância, o arrebatamento e megalomania do "nunca antes como agora", e a indesculpável omissão aos atos escusos de gente intimamente próxima do poder,(e que aliás já está viranda folclore), na base do "eu não sabia de nada, fui traído", ou a pérola dos "recursos não contabilizados", porque tais afirmações além de beirar o ridículo, é a tentativa de impor em todos nós a pecha de otários sublimes da excrecência ignorante dos omissos retumbantes incompetentes da ociosidade, da preguiça, da desfaçatez e da mentira. Como resposta, parte do povo brasileiro saberá dar nas urnas em outubro; NÃO MAIS QUEREMOS ISTO, FORA VOCÊS TODOS, PORQUE OS TRAÍDOS FOMOS NÓS, 53,0 MILHÕES DE OTÁRIOS QUE VOTAMOS NO SENHOR LULA PARA PRESIDENTE.
Mas para a grande maioria, estas informações não estão disponíveis. Não sei se os candidatos opositores terão tempo e, principalmente, competência para dar este recado a tantos desinformados. Os desinformados formam um contingente de mais de 50,0 milhões, espalhados em 8,5 milhões de quilometros quadrados. É muita gente para informar, num imenso território para ocupar, e num espaço de tempo de que não dispomos. O que sei é que o PT do segundo mandato, além de fragilizado em termos de base política, o que o deixa sem poder de barganha na casa em frente ou ao lado como queiram, o Congresso Nacional, também estará fragilizado em relação à confiança popular. E isto, para quem pretendia e pretende tanto, é até constrangedor. A oportunidade para realizar um grande governo foi dada, a confiança foi afiançada por 53,0 milhões de votos. E se não fez, das duas uma: ou porque o projeto que apresentou era mentira pura, porque o projeto verdadeeiro era de poder e não de governo, ou faltou competência. Em ambos os casos, mais quatros anos no poder, diante do quadro atual, podem levar um triste fim para a corrente petista como força política, mas, e isto é o pior dos mundos, ao apagarem a luz do túnel porque não liberaram as verbas, podem sumir com o próprio túnel.