Ontem, num dos boletins do TOQUEDEPRIMA, sob o título “Ignorado pelo Mundo”, comentamos aqui a afirmação de Lula "Eu conheço o mundo, e o mundo me conhece", e que já tinha sido matéria de uma artigo do Clóvis Rossi na Folha de São Paulo, falando do equívoco do presidente em colocar-se acima da realidade, uma vez que, em matéria de política externa o seu governo convertia-se de um total desastre. Ainda complementamos com o seguinte: “Vai ver que é por conhecê-lo que os investimentos no País caíram em 50% quando comparados ao período de FHC. Falta de confiança. Também quem mandou mentir tanto, não é mesmo ?”.
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Em outras ocasiões, em diferentes artigos, também criticamos a maneira dúbia como muitas vezes o Brasil se posicionou em questões pertinentes, ora ficando à margem, outras assumindo um posicionamento ideológico de partido político, diferentemente dos governantes que o antecederam, que inclusive serviram de verdadeiros abridores de caminhos diplomáticos com indesmentíveis lucros e vantagens para o país.
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O Brasil nunca viveu à margem do mundo em que se acha inserido. Fazemos parte da dita civilização ocidental, democrática e capitalista, com uma pluralidade que sempre foi admirada pelos demais países. Pois bem, a partir de Lula esta noção e este posicionamento sofreram uma transformação radical. Por exemplo, no âmbito do Mercosul. Distanciamo-nos de parceiros tradicionais já integrantes do Bloco para buscar uma aproximação com a Venezuela de Hugo Chavez e uma tentativa de apoiar Fidel e tentar inseri-lo na comunidade internacional. Posição patética que nos custará ainda muito caro. Uruguai e Paraguai sentiram-se preteridos e buscaram uma aproximação com Estados Unidos, a quem o Brasil tem insistentemente repelido a partir do soterramento da ALCA, cujo caixão fizemos questão de carregarmos quase sozinhos. Do mesmo modo, temos insistido em mantermo-nos distante do Chile, hoje seguramente o país que melhor se desenvolve na América do Sul, com melhores indicadores econômicos e melhor qualidade de vida. Além de situar-se muito acima do Brasil no combate à corrupção e facilidade para abertura de novos mercados e negócios.
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Ontem, ainda a respeito deste tópico informamos aqui que a pequena Costa Rica, dentro do bloco latino-americano já havia nos ultrapassado, conforme estudos do Banco Mundial.
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Tudo tem um efeito perverso para o país: os primeiros a afastar-se são os investimentos, não sem razão, aliado claro a outros fatores, mas o governo Lula nestes 45 meses de governo, teve reduzido em 50% o volume de investimentos produtivos, muitos deles vindos de fora. Além disso, o governo Lula, caso seja reeleito para mais quatro anos de mandato, deverá rever obrigatoriamente sua política externa. Primeiro, porque os favoráveis ventos da economia mundial parecem estar diminuindo de velocidade. Neste caso, importante termos mercados que assegurem espaços para comercialização dos nossos produtos, de forma ampla e diversificada. Segundo, porque se percebe que os Estados Unidos pouco a pouco está nadando de braçada na América do Sul através de inúmeros contratos bilaterais de livre comércio, o que dificultará em futuro próximo acesso de produtos brasileiros a estes mesmos mercados. Terceiro, porque tais acordos comerciais facilitam a atração de investimentos produtivos, geradores de emprego e renda, coisa da qual não podemos nos dar ao luxo de perder.
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Na edição deste domingo, a Folha de São Paulo traz-nos na coluna do Elio Gaspari, um retrospecto das derrapadas em política externa do governo Lula, o qual se pode resumir em uma só palavra: desastroso. Leiam: “
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“O CHAPÉU dado pelo companheiro Evo Morales na petrodiplomacia de "nosso guia" (expressão criada pelo ministro Celso Amorim), é o rubi da coroa da política externa petista. Houve setores do governo onde os fracassos, como o Fome Zero, conviveram com êxitos, como o Bolsa-Família. Só na diplomacia deu tudo errado. Pior: Lula e seus çábios encrencaram coisas que funcionavam direito. É o caso das relações com a Bolívia, o Uruguai e o Paraguai.
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A diplomacia marqueteira disputou as presidências da Organização Mundial do Comércio e do BID, assim como reivindicou uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Pluft. Passados quatro anos, ela briga no FMI para impedir que a China e o México tenham mais peso nas decisões do Fundo Monetário Internacional. No Mercosul, trocaram a ligação geográfica com o Uruguai e o Paraguai pela conexão política com os delírios venezuelanos e a agonia fidelista.
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Nas negociações tarifárias globais, "nosso guia" acreditou que abalaria o protecionismo agrícola da Europa e dos Estados Unidos. Chegou a dizer que estava "muito perto" de um acordo. Pluft. O jogo virou, e os americanos ameaçam tirar o Brasil do seu Sistema Geral de Preferências, que favorece 15% das exportações nacionais para o seu mercado.
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Diante da prensa, o chanceler Amorim apresentou-se numa cena coreográfica com a negociadora americana Susan Schwab, como se fossem Fred Astaire e Ginger Rogers.
A diplomacia do espetáculo teve um grande momento há poucos dias, quando a exaltação governista louvou a "capacidade convocatória" do Itamaraty. Traduzindo: a política externa brasileira, como o PT, é forte porque faz reuniões. Os observadores da teatralidade aprenderam a lidar com "nosso guia". Franqueiam-lhe o palco e desossam-no nos bastidores. Os americanos consolidaram a aliança com o Chile, atraíram o Uruguai e engraçaram-se com o Paraguai. Com toda calma, apertam os cravelhos que favorecem seus interesses na América do Sul e no Brasil.
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Como diria Lula, nunca na história deste país tanta coisa deu tão errado em tão pouco tempo. Afinal, no seu tenebroso estilo, ele disse o seguinte em dezembro: "Imagine o que significa se o Evo Morales ganhar as eleições na Bolívia. São mudanças tão extraordinárias que nem mesmo nossos melhores cientistas políticos poderiam escrever, porque não tinha livros antecedentes mostrando que isso seria possível".
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Em outras ocasiões, em diferentes artigos, também criticamos a maneira dúbia como muitas vezes o Brasil se posicionou em questões pertinentes, ora ficando à margem, outras assumindo um posicionamento ideológico de partido político, diferentemente dos governantes que o antecederam, que inclusive serviram de verdadeiros abridores de caminhos diplomáticos com indesmentíveis lucros e vantagens para o país.
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O Brasil nunca viveu à margem do mundo em que se acha inserido. Fazemos parte da dita civilização ocidental, democrática e capitalista, com uma pluralidade que sempre foi admirada pelos demais países. Pois bem, a partir de Lula esta noção e este posicionamento sofreram uma transformação radical. Por exemplo, no âmbito do Mercosul. Distanciamo-nos de parceiros tradicionais já integrantes do Bloco para buscar uma aproximação com a Venezuela de Hugo Chavez e uma tentativa de apoiar Fidel e tentar inseri-lo na comunidade internacional. Posição patética que nos custará ainda muito caro. Uruguai e Paraguai sentiram-se preteridos e buscaram uma aproximação com Estados Unidos, a quem o Brasil tem insistentemente repelido a partir do soterramento da ALCA, cujo caixão fizemos questão de carregarmos quase sozinhos. Do mesmo modo, temos insistido em mantermo-nos distante do Chile, hoje seguramente o país que melhor se desenvolve na América do Sul, com melhores indicadores econômicos e melhor qualidade de vida. Além de situar-se muito acima do Brasil no combate à corrupção e facilidade para abertura de novos mercados e negócios.
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Ontem, ainda a respeito deste tópico informamos aqui que a pequena Costa Rica, dentro do bloco latino-americano já havia nos ultrapassado, conforme estudos do Banco Mundial.
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Tudo tem um efeito perverso para o país: os primeiros a afastar-se são os investimentos, não sem razão, aliado claro a outros fatores, mas o governo Lula nestes 45 meses de governo, teve reduzido em 50% o volume de investimentos produtivos, muitos deles vindos de fora. Além disso, o governo Lula, caso seja reeleito para mais quatro anos de mandato, deverá rever obrigatoriamente sua política externa. Primeiro, porque os favoráveis ventos da economia mundial parecem estar diminuindo de velocidade. Neste caso, importante termos mercados que assegurem espaços para comercialização dos nossos produtos, de forma ampla e diversificada. Segundo, porque se percebe que os Estados Unidos pouco a pouco está nadando de braçada na América do Sul através de inúmeros contratos bilaterais de livre comércio, o que dificultará em futuro próximo acesso de produtos brasileiros a estes mesmos mercados. Terceiro, porque tais acordos comerciais facilitam a atração de investimentos produtivos, geradores de emprego e renda, coisa da qual não podemos nos dar ao luxo de perder.
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Na edição deste domingo, a Folha de São Paulo traz-nos na coluna do Elio Gaspari, um retrospecto das derrapadas em política externa do governo Lula, o qual se pode resumir em uma só palavra: desastroso. Leiam: “
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“O CHAPÉU dado pelo companheiro Evo Morales na petrodiplomacia de "nosso guia" (expressão criada pelo ministro Celso Amorim), é o rubi da coroa da política externa petista. Houve setores do governo onde os fracassos, como o Fome Zero, conviveram com êxitos, como o Bolsa-Família. Só na diplomacia deu tudo errado. Pior: Lula e seus çábios encrencaram coisas que funcionavam direito. É o caso das relações com a Bolívia, o Uruguai e o Paraguai.
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A diplomacia marqueteira disputou as presidências da Organização Mundial do Comércio e do BID, assim como reivindicou uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Pluft. Passados quatro anos, ela briga no FMI para impedir que a China e o México tenham mais peso nas decisões do Fundo Monetário Internacional. No Mercosul, trocaram a ligação geográfica com o Uruguai e o Paraguai pela conexão política com os delírios venezuelanos e a agonia fidelista.
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Nas negociações tarifárias globais, "nosso guia" acreditou que abalaria o protecionismo agrícola da Europa e dos Estados Unidos. Chegou a dizer que estava "muito perto" de um acordo. Pluft. O jogo virou, e os americanos ameaçam tirar o Brasil do seu Sistema Geral de Preferências, que favorece 15% das exportações nacionais para o seu mercado.
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Diante da prensa, o chanceler Amorim apresentou-se numa cena coreográfica com a negociadora americana Susan Schwab, como se fossem Fred Astaire e Ginger Rogers.
A diplomacia do espetáculo teve um grande momento há poucos dias, quando a exaltação governista louvou a "capacidade convocatória" do Itamaraty. Traduzindo: a política externa brasileira, como o PT, é forte porque faz reuniões. Os observadores da teatralidade aprenderam a lidar com "nosso guia". Franqueiam-lhe o palco e desossam-no nos bastidores. Os americanos consolidaram a aliança com o Chile, atraíram o Uruguai e engraçaram-se com o Paraguai. Com toda calma, apertam os cravelhos que favorecem seus interesses na América do Sul e no Brasil.
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Como diria Lula, nunca na história deste país tanta coisa deu tão errado em tão pouco tempo. Afinal, no seu tenebroso estilo, ele disse o seguinte em dezembro: "Imagine o que significa se o Evo Morales ganhar as eleições na Bolívia. São mudanças tão extraordinárias que nem mesmo nossos melhores cientistas políticos poderiam escrever, porque não tinha livros antecedentes mostrando que isso seria possível".
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E se tal coleção de desastres não fossem suficientes, nesta semana sofremos nova derrota. Na reportagem de Fernando Canzian, para a Folha de São Paulo:
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“Brasil, Argentina, Índia e Egito ficaram isolados ontem na reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional), em Cingapura, e acabaram derrotados em sua tentativa de barrar uma reforma nos termos em que o Fundo está organizando para mudar a representatividade de seus países-membros.
E se tal coleção de desastres não fossem suficientes, nesta semana sofremos nova derrota. Na reportagem de Fernando Canzian, para a Folha de São Paulo:
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“Brasil, Argentina, Índia e Egito ficaram isolados ontem na reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional), em Cingapura, e acabaram derrotados em sua tentativa de barrar uma reforma nos termos em que o Fundo está organizando para mudar a representatividade de seus países-membros.
(...)Sem nomeá-los, Mantega disse que vários outros países se posicionaram ao lado do Brasil, mas em número insuficiente. O peso do Brasil no FMI é de 1,42%.
(...)A reforma prevê um imediato aumento do poder de voto de quatro países: China, México, Turquia e Coréia, que têm 5,33% das cotas do Fundo. Com a mudança, passam a cerca de 7%.
(...)
Se o critério for o PIB em dólares, o Brasil corre o risco até de ver sua participação encolher. Isso porque como o país tem crescido menos do que vários outros emergentes, o peso proporcional de seu PIB cai.”
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(...)A reforma prevê um imediato aumento do poder de voto de quatro países: China, México, Turquia e Coréia, que têm 5,33% das cotas do Fundo. Com a mudança, passam a cerca de 7%.
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Se o critério for o PIB em dólares, o Brasil corre o risco até de ver sua participação encolher. Isso porque como o país tem crescido menos do que vários outros emergentes, o peso proporcional de seu PIB cai.”
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Como desgraça pouca é bobagem ainda teremos problemas futuros com a China, para a qual o Brasil acenou com sua aceitação e declaração de “economia de mercado”, lhe permitindo ter assento na OMC, e esta em troca votaria a favor da pretensão brasileira para uma cadeira no Conselho de segurança na ONU. Agora, há questão de 30 dias, a China proclamou a mesma oferta para a Venezuela !
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Moral da história: estamos ficando isolados de parceiros tradicionais e nos aliando com mercados que em nada beneficiam os interesses brasileiros. Para ilustrar, em uma interessante entrevista disponível no site da Revista Exame, o economista I.M. Destler, da Universidade de Maryland, e considerado um especialista em relações comerciais dos Estados Unidos, ele critica as atuais alianças do Brasil e defende que o país só diminuirá o protecionismo americano se oferecer sua cota de concessões. Leiam um trecho da entrevista, com link para acesso à sua íntegra:
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Moral da história: estamos ficando isolados de parceiros tradicionais e nos aliando com mercados que em nada beneficiam os interesses brasileiros. Para ilustrar, em uma interessante entrevista disponível no site da Revista Exame, o economista I.M. Destler, da Universidade de Maryland, e considerado um especialista em relações comerciais dos Estados Unidos, ele critica as atuais alianças do Brasil e defende que o país só diminuirá o protecionismo americano se oferecer sua cota de concessões. Leiam um trecho da entrevista, com link para acesso à sua íntegra:
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Diante da crise do Mercosul e dos fracassos nas negociações da Alca e na Rodada de Doha, é correto dizer que a política comercial brasileira fracassou?
O Brasil conseguiu se estabelecer como líder global em comércio, o que é positivo. Por outro lado, o país está tentando se alinhar aos interesses de nações que estão menos prontas para abrir suas fronteiras. Com isso, o Brasil está perdendo a chance de obter ganhos em liberalização de mercados no curto prazo. É como se o país estivesse amarrando as próprias mãos.
(...)
Qual a visão que o governo americano tem hoje do grau de abertura da economia brasileira?
Os Estados Unidos vêem o Brasil como um país com indústria e agricultura fortes, que deveriam estar mais abertas. Nesse sentido, a liderança do país no G-20 constrange a política comercial brasileira.
(...)
O que o senhor faria para obter a redução das barreiras que os Estados Unidos hoje impõem a produtos brasileiros, como o aço e o suco de laranja?
Ofereceria outras coisas em troca. A comunidade de negócios americana certamente teria mais incentivos em reduzir as barreiras contra os produtos brasileiros se o país adotasse melhores regras para investimento, além de reduzir suas tarifas industriais, que ainda são muito altas. (Leia na íntegra aqui.)
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Qual a visão que o governo americano tem hoje do grau de abertura da economia brasileira?
Os Estados Unidos vêem o Brasil como um país com indústria e agricultura fortes, que deveriam estar mais abertas. Nesse sentido, a liderança do país no G-20 constrange a política comercial brasileira.
(...)
O que o senhor faria para obter a redução das barreiras que os Estados Unidos hoje impõem a produtos brasileiros, como o aço e o suco de laranja?
Ofereceria outras coisas em troca. A comunidade de negócios americana certamente teria mais incentivos em reduzir as barreiras contra os produtos brasileiros se o país adotasse melhores regras para investimento, além de reduzir suas tarifas industriais, que ainda são muito altas. (Leia na íntegra aqui.)
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Em resumo: o Brasil está se isolando daqueles países que realmente poderiam fazer a grande diferença para investimentos produtivos. Não se espere que Cuba e Bolívia possam suprir esta carência. Estes países são dependentes da pujança da nossa economia, portanto, o sucesso deles depende do nosso. Como também não se alimente ilusões quanto a atrair investimentos chineses para o Brasil. Até pelo contrário: seriam muito mais negativos economicamente para nossas necessidades do que ao contrário.
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Se nosso desejo para os próximos anos é dar impulso e velocidade ao crescimento econômico, deveremos rever nossa política externa, obrigatória e urgentemente, e entender que para o crescimento se sustentar, ela deverá atrelar-se muito mais à dinâmica do capitalismo internacional, do que a conceitos ideológicos que nos afastam deste dinamismo. Já dissemos aqui em outra ocasião, que muito embora nosso comércio em termos de valores estejam batendo recordes históricos sucessivos, isto se dá muito mais como reflexo destes ventos favoráveis que o mundo tem experimentado nos últimos 5 anos, do que propriamente motivado por políticas internas patrocinados pelo governo federal. A conjugação de diversos fatores nos tem proporcionado aumentos financeiros e queda de quantidades. E diga-se ainda que muitas cadeias econômicas deixaram de exportar faz tempo. Nada melhor faria o Brasil do que olhar para as experiências que muitos emergentes seguiram e deram resultados.
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O mundo independente do Brasil. Ou nos ajustamos a ele, ou ficaremos à margem do progresso que ele poderia nos proporcionar. Nada é mais ridículo do que acenarmos bandeiras ideológicas como justificativas para a burrice, enquanto vemos quase 50% da nossa juventude desempregada e sem perspectivas, vendo milhares indo para outros países todos os anos, e mais de 10,0% históricos da massa trabalhadora aceitando qualquer coisa para sobreviver. Ninguém aceita viver na miséria, ou sob o paternalismo estatal. As pessoas querem progresso, melhoria na sua qualidade de vida. E isto independe de ideologia. E por fim pensem no seguinte: o único bloco econômico de que participamos é o MERCOSUL.
Em resumo: o Brasil está se isolando daqueles países que realmente poderiam fazer a grande diferença para investimentos produtivos. Não se espere que Cuba e Bolívia possam suprir esta carência. Estes países são dependentes da pujança da nossa economia, portanto, o sucesso deles depende do nosso. Como também não se alimente ilusões quanto a atrair investimentos chineses para o Brasil. Até pelo contrário: seriam muito mais negativos economicamente para nossas necessidades do que ao contrário.
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Se nosso desejo para os próximos anos é dar impulso e velocidade ao crescimento econômico, deveremos rever nossa política externa, obrigatória e urgentemente, e entender que para o crescimento se sustentar, ela deverá atrelar-se muito mais à dinâmica do capitalismo internacional, do que a conceitos ideológicos que nos afastam deste dinamismo. Já dissemos aqui em outra ocasião, que muito embora nosso comércio em termos de valores estejam batendo recordes históricos sucessivos, isto se dá muito mais como reflexo destes ventos favoráveis que o mundo tem experimentado nos últimos 5 anos, do que propriamente motivado por políticas internas patrocinados pelo governo federal. A conjugação de diversos fatores nos tem proporcionado aumentos financeiros e queda de quantidades. E diga-se ainda que muitas cadeias econômicas deixaram de exportar faz tempo. Nada melhor faria o Brasil do que olhar para as experiências que muitos emergentes seguiram e deram resultados.
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O mundo independente do Brasil. Ou nos ajustamos a ele, ou ficaremos à margem do progresso que ele poderia nos proporcionar. Nada é mais ridículo do que acenarmos bandeiras ideológicas como justificativas para a burrice, enquanto vemos quase 50% da nossa juventude desempregada e sem perspectivas, vendo milhares indo para outros países todos os anos, e mais de 10,0% históricos da massa trabalhadora aceitando qualquer coisa para sobreviver. Ninguém aceita viver na miséria, ou sob o paternalismo estatal. As pessoas querem progresso, melhoria na sua qualidade de vida. E isto independe de ideologia. E por fim pensem no seguinte: o único bloco econômico de que participamos é o MERCOSUL.
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Pergunta-se: dá para vivermos só disso ? Acho que está na hora de sairmos de dentro da casca do ovo, se o objetivo for mesmo crescimento econômico e melhoria de vida. Já nem se diga de questões cambiais, que apesar de sua importância, acaba se tornando um detalhe a mais dentre outros: trata-se, claramente, de que lado do mundo queremos ficar.
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Deixemos a filosofia para os filósofos e as ideologias para os acadêmicos. E tratemos com objetividade e realismo daquilo que realmente interessa e preocupa a quase 190,0 milhões de brasileiros.