quarta-feira, setembro 13, 2006

TOQUEDEPRIMA...

E-mail de um morto
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Leitor Willian Andrade enviou-me um comentário sobre sauposto e-mail do Amadeo Aguiar para o Presidente da FEBRABAN, publicado na coluna do Elio Gaspari, informando que o ex-presidente do Bradesco já morreu. Willian, disso já sabíamos, tanto que no "e-mail" criado pelo Gaspari (no que aliás ele é mestre), não sei se você observou, há um "PS" em que o Amadeo transmite um recado do "Carlos Lacerda" que estaria ao seu lado. Mas considerei importante o artigo do Elio Gaspari pela maneira jocosa como ele abordou a farra patrocinada pela FEBRABAN para 47 juízes e desembargadores, sabendo-se que são os bancos alvos costumeiramente de ações judiciais e litigiosas de clientes que sentem lesados em diferentes operações. Portanto, soa a "farra" como algo bastante suspeito. De qualquer forma, obrigado Willian.
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Brasileiro, profissão: tanto faz.
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Um estudo do "Observatório Universitário" confirmou o que o cotidiano nos mo stra:53%, a maioria dos trabalhadores formados (em um universo de 3,5 milhões), atuam numa atividade distinta daquela para a qual se formaram.
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A taxa de correlação entre a área de formação e a de trabalho varia conforme a carreira.Em enfermagem, o índice é de 84%. Em geografia é de só 1%. Susana Su, 30, engenheira civil, hoje é dona de loja de produtos orientais. Renata de Abranches, 27, psicóloga, trabalha numa agência da Caixa Econômica Federal. Gustavo Furtado, 36, jornalista, atua na gerência de projetos do Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz.
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Os três são exemplos de profissionais que foram trabalhar numa área distinta da de sua formação."Quando perguntam minha profissão, não sei se respondo que sou bancária ou psicóloga", diz Renata.
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Para Gustavo Furtado, a formação em comunicação o ajuda a lidar com os projetos. Susana Su diz que consegue aplicar parte do que aprendeu no curso de engenharia civil: "Acho que uso só 10%, mas a formação ajuda a fazer cálculos para ver se temos lucro ou prejuízo."
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A baixa correlação encontrada na ampla maioria dos casos levou os pesquisadores Edson Nunes e Márcia de Carvalho a definir, no título do trabalho, esse quadro como "A Grande Besteira Educacional Brasileira: um Ensino Profissional que Não se Aplica às Profissões que o Defendem". Na avaliação de Nunes, presidente do Conselho Nacional de Educação, isso ocorre porque o Brasil escolheu "o pior dos mundos" na elaboração de seu modelo de ensino:"O Brasil oferece uma educação secundária de péssima qualidade e uma profissional muito precoce, o que faz com que nossos filhos tenham sua vida de estudantes secundários pautada por vestibulares.Meninos de 16 anos já têm que começar a decidir se vão ser médicos ou advogados, o que faz com que deixem de ter uma formação e passem a se preocupar com uma angústia.Muitos serão profissionais frustrados."
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Nunes defende a tese de que o objetivo maior do ensino superior é preparar pessoas competentes e com formação sólida o suficiente para dominar linguagens que as permitam aprender qualquer profissão. Para ele, um dos elementos que engessam a educação é a pressão das corporações profissionais para limitar a atuação no mercado, regulamentar as profissões e interferir na definição dos conteúdos ensinados:"Há 43 profissões de nível superior reguladas por lei e uns 14 pedidos para outras. Essas profissões respondem pela vasta maioria dos universitários, que estudam hoje para fazer concursos, participar de concorrências ou ter o diploma."

FONTE: Folha de São Paulo e Observatório Universitário
COMENTANDO A NOTICIA: A notícia acima recolhemos no Blog Minuto Político, e ela só vem corroborar aquilo que já afirmamos anteriormente. Quando o Governo Federal se gaba de estar investindo maciçamente na abertura de novas faculdades e universidades, esquece do principal, ou seja, que mercado de trabalho vai absorver toda esta gente ? Não somos contra a abertura de novos espaços , somos contrários e críticos de que se privilegie a quantidade em detrimento da qualidade. E até exemplificamos em outro comentário, que no Estados Unidos, por exemplo, com população maior e mesma dimensão geográfica, existem 250 faculdades de Direito, enquanto no Brasil já são mais de 1.000 unidades, e na sua maioria de baixíssima qualidade. E até onde se sabe, nossos advogados não são melhores dos que os de lá, e tampouco se sabe dos alunos norte-americanos reclamarem por se aumentar o número de faculdades. E vejam, basta que se observe os resultados ridículos das provas da OAB para se saber que seguimos em direção oposta.
Além do mais, e mais adiante iremos demonstrar, o nível mais carente e que exige investimentos, é o ensino fundamental. É neste nível que devemos direcionar o esforço prioritário de nossa educação. Contudo, é justamente ele que menos recursos recebe se comparado com o ensino superior.
Também precisamos reavaliar que, sem crescimento econômico, sem investimento em pesquisa e conhecimento científico, de nada vale abrirmos nossas faculdades e universidades, se, depois de formados, os jovens precisarão buscar outras carreiras para suas realizações profissionais, por absoluta falta de oportunidades no mercado de trabalho, e que o estudo do Observatório Universitário acima revela. E reparem como o poder público é incoerente: ao passo em que investe em abertura de novas faculdades, contingenciou os investimentos em pesquisa científica até 2010, e dentro de ridículos 0,7% do PIB, quando se sabe que países emergentes investem em média cerca de 13% de seu PIB !!!
Portanto a seguir do modo como o governo Lula vem fazendo, a leitura do estudo acima, dentro de 10 anos se lida novamente, não perderá seu prazo de validade, perigando o índice apontado ser ainda maior.
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Bancos pagam feriado na praia de 47 juízes
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Da Folha de S.Paulo:

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"O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
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O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote.
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Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel. A lista completa de participantes não foi divulgada. A agenda em Comandatuba foi leve. As palestras começavam às 16h. Terminavam por volta de 20h30, com jantar e algum show. O restante do tempo era livre.
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O domingo também foi aberto para passeios." Da Folha de S.Paulo, hoje: "O feriado de Sete de Setembro foi especial para 16 ministros (dois aposentados) do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 31 desembargadores de sete Estados: eles receberam passagem e estada grátis no resort de luxo Transamérica da Ilha de Comandatuba, no litoral baiano, para assistirem a algumas palestras sobre como funciona a arquitetura do crédito do sistema bancário brasileiro.
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O patrocínio do evento foi da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que arcou com uma fatura de ao menos R$ 182 mil com hospedagem e transporte dos 47 juízes. Esse valor é estimado com base no número de magistrados presentes e de seus acompanhantes multiplicado pelo preço básico promocional cobrado pelo pacote.
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Os magistrados podiam trazer familiares para o hotel. A lista completa de participantes não foi divulgada. A agenda em Comandatuba foi leve. As palestras começavam às 16h. Terminavam por volta de 20h30, com jantar e algum show. O restante do tempo era livre. O domingo também foi aberto para passeios."
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COMENTANDO A NOTICIA prefere transcrever a seguir na íntegra um e-mail enviado pelo Presidente do Bradesco ao Presidente da FEBRABAN, publicado hoje na coluna de Elio Gaspari, na Folha de São Paulo. Que cada um reflita e tira sua conclusão. De nossa parte, estamos rezando muito para que Deus devolva aos homens deste País o bom senso necessário para entenderem que, uma grande nação, não se constrói sem a valorização da ética nas relação entre os seus indivíduos, tenham estas relações a natureza que tiverem.
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ELIO GASPARI
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De amador.aguiar@bradesco para marcio@febraban.com
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Esse negócio de reunião com juízes em hotéis com piscina é coisa que
lá no banco nunca admiti. Isso já deu encrenca

ESTIMADO MÁRCIO Cypriano,
Resolvi escrever este bilhete por sugestão do meu amigo Jakob Fugger.
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Quem é? Passei 87 anos nas terras de vocês e nunca ouvi falar dele.
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Conheci-o aqui, graças ao Mário Henrique Simonsen. Cortando a conversa fiada, vamos lá.
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Desde 1999, você dirige o banco que fundei em 1943 e há dois anos acumula a presidência da
Federação de Bancos, a Febraban. Como dá conta de dois empregos, não sei, mas meu assunto é outro. Esse negócio de reunião com juízes em hotéis com piscina é coisa que lá no banco nunca admiti. Isso já deu encrenca.
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O doutor foi à boca-livre de Comandatuba, nós pagamos tudo e, ainda assim, ele cobrou R$ 500 em diárias ao erário. Vocês escorregaram em casca de banana usada. No meu tempo, diretor do Bradesco não podia ter Mercedes. Também nunca achei bom misturar nossos negócios com a Febraban. Dê uma olhada na galeria dos marqueses da finança nacional. Tiveram duas coisas em comum: odiaram o Bradesco e quebraram.
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Tenho boas lembranças suas. Como poderia esquecer um gerente que se orgulhava de ter passado um domingo, com a mulher, fazendo faxina numa agência que seria inaugurada no dia seguinte? Mesmo assim, achei bobagem deixar que os puxa-sacos anunciassem que você foi o primeiro presidente do Bradesco com curso superior. Acabam mostrando sua gaveta de meias na revista "Caras".
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A boca-livre de Comandatuba é coisa desastrosa para a imagem de qualquer banco. A Febraban deveria se chamar Ferraban. Em janeiro, ela divulgou uma nota solidarizando-se com os tamboretes metidos em trambiques dos comunistas. Depois, implicou com o José Serra porque ele queria cobrar multas pela demora nas filas das agencias. Eu tenho horror ao Serra, mas, se estivesse aí, pediria a ele para me deixar coletar pessoalmente o preço da incompetência. Quem fica na fila é o cliente, ou seu motoboy. Foi essa gente que fez o Bradesco.
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No dia em que a Associação de Magistrados convidar os diretores do Bradesco para um churrasco em Muriqui, você devem ir, mas parem de convidá-los para Comandatuba. Eu não gosto de citar americanos, mas o professor Leitão de Abreu (pessoa de quem gosto muito, mas de quem não consigo me aproximar) estava conversando com um tal de Potter Stewart, que trabalhou na Corte Suprema dos Estados Unidos. Para ele, a marca da boca-livre debochada é difícil de ser codificada: "É como a pornografia. A gente não consegue definir, mas quando a vê, reconhece".
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Finalmente, uma palavrinha sobre meu amigo Jakob Fugger. Ele morreu em 1525 e foi o maior banqueiro da Europa. Cacifava reis e emprestava aos dois lados de uma mesma guerra. O Jakob viveu num mundo em que a Igreja Católica considerava pecado cobrar juros (como hoje esses vigários de esquerda fazem por aí). Pois em 1515, Johann Eck, um padre-professor, construiu um sistema que levava gente como eu e você para o céu. A igreja alemã condenou-o. Ele foi trabalhar sua causa na Itália e prevaleceu. Quem pagou a viagem do Eck? O Jakob. Ele pede que lhe diga o seguinte: evite espetáculos, mas, se eles forem inevitáveis, não os misture com idéias.
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Atenciosamente,
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Amador Aguiar
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P.S.: Está aqui ao lado o Carlos Lacerda (é um chato) insistindo para que eu registre: "É mais fácil encontrar jornalistas do que magistrados nas bocas-livres".