Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
No seu artigo da Folha de São Paulo deste domingo, Elio Gaspari desce o sarrafo na privatização das rodovias feitas à época de FHC, considerando que as recém feitas por Lula o foram com muito maior competência, em razão da diferença de preços nos pedágios. Com Lula o custo para o motorista será de 1/3 das de FHC.
A verdade é a seguinte: preço baratinho qualquer um faz, ainda mais, anotem aí, quando a concessão é feita DE GRAÇA. É isto mesmo: de graça. E Lula ainda, da forma mais cínica do mundo, se põem a criticar o que os outros fizeram. Mas tem mais: as concessões rodoviárias ainda precisam provar que foram competentes mesmo. Porque uma coisa é inegável: a tendência do asfalto, em razão de que os preços do petróleo estão subindo cada vez mais, é tornar-se também cada vez maior. Assim, antes de soltarem rojões quanto ao preço baratinho, seria bom aguardar os investimentos e as melhorias efetivas a serem feitas pela espanhola OHL. Porque, no fundo, as rodovias privatizadas em São Paulo, discuta-se o preço dos pedágios do jeito que se quiser, porém é um fato tratarem-se das melhores rodovias do país.
Somente depois que as rodovias ora privatizadas estiverem recapeadas, com sinalização de ponta a ponta, com serviços estendidos ao longo de todo o seu percurso, então poderemos ver as condições de uma e outra, e aí então comparar preços. Antes, qualquer coisa que se diga é mero papo furado.
Vários foram os engenheiros com quem conversamos nos últimos dias e a posição de todos é a mesma: até aqui não foi dito, a menos em tom de previsão, e não de certezas, o quanto de investimento a concessionária espanhola irá de fato fazer. E qual o padrão de qualidade que resultará no final para a otimização do tráfego. E em que tempo.
Não há dúvidas de que estamos lidando com um canalha no poder a praticar o poder do canalha. Entregou as rodovias de graça justamente para, numa primeira análise, parecer que os pedágios são mais baratos, e deste modo, dizer que privatizou melhor. Vamos ver quando a espanhola estiver com as estradas em iguais condições das rodovias paulistas já privatizadas, qual será o pedágio que irão cobrar. Receber de graça, no estado em que se encontram, convenhamos, se ainda for cobrar um centavo que seja, é muita cretinice.
Portanto, creio que Elio Gaspari se precipita em “elogiar” Lula e Dilma Rousseff quanto ao espetáculo privatista que Lula reinaugurou em seu governo, já que o primeiro passo foi e está sendo a privatização de trechos da Amazônia. Muito embora ainda paire sobre este processo imensa dúvidas sobre os reais interesses do governo atual.
Segue trecho do artigo do Gaspari. Leiam este artigo primeiro, e depois o comparem com os detalhes no post seguinte, no artigo do Carlos Sardenberg, sobre em que “condições” o vossa excelência privatizou as rodovias tão “comemoradas” pelo Gaspari. Em tempo: “a “gordura” a que se refere Gaspari é apenas e tão somente o preço inicial a ser pago ao governo federal pela concessão. Claro que retirando-se este “preço” do leilão, qualquer pedágio fica baratinho. Assim, entrega-se a rodovia de graça. Quanto a comparação entre um modelo e outro, sentem e esperem: levará , no mínimo, entre três e quatro anos para que as rodovias privatizadas num período e noutro, possam ser comparadas efetivamente. Aliás, o modelo adotado pelo governo atual é muito parecido com o praticado há alguns anos no México. Adivinhem o que aconteceu ? Fracasso total. Assim, vamos rezar para que, no Brasil, dê certo.
Dilma detonou a privataria dos pedágios
Na tarde de terça-feira concluiu-se no salão da Bolsa de São Paulo um bonito episódio de competência administrativa e de triunfo das regras do capitalismo sobre os interesses da privataria e contubérnios incestuosos de burocratas. Depois de dez anos de idas e vindas, o governo federal leiloou as concessões de sete estradas (2,6 mil km). Para se ter uma medida do tamanho do êxito, um percurso que custaria R$ 10 de acordo com as planilhas dos anos 90, saiu por R$ 2,70.
No ano que vem, quando a empresa espanhola OHL começar a cobrar pedágio na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, cada 100 quilômetros rodados custarão R$ 1,42. Se o cidadão quiser viajar em direção ao passado, tomará a Dutra, pagando R$ 7,58 pelos mesmos 100 quilômetros. Caso vá para Santos, serão R$ 13,10. Não haverá no mundo disparidade semelhante.
Se essa não foi a maior demonstração de competência do governo de Nosso Guia, certamente será lembrada como uma das maiores. Sua história mostra que o Estado brasileiro tem meios para defender a patuléia, desde que esteja interessado nisso. Mostra também que se deve tomar enorme cuidado com o discurso da modernidade de um bom pedaço do empresariado. Nele, não se vende gato por lebre. É gato por gato mesmo.
No seu artigo da Folha de São Paulo deste domingo, Elio Gaspari desce o sarrafo na privatização das rodovias feitas à época de FHC, considerando que as recém feitas por Lula o foram com muito maior competência, em razão da diferença de preços nos pedágios. Com Lula o custo para o motorista será de 1/3 das de FHC.
A verdade é a seguinte: preço baratinho qualquer um faz, ainda mais, anotem aí, quando a concessão é feita DE GRAÇA. É isto mesmo: de graça. E Lula ainda, da forma mais cínica do mundo, se põem a criticar o que os outros fizeram. Mas tem mais: as concessões rodoviárias ainda precisam provar que foram competentes mesmo. Porque uma coisa é inegável: a tendência do asfalto, em razão de que os preços do petróleo estão subindo cada vez mais, é tornar-se também cada vez maior. Assim, antes de soltarem rojões quanto ao preço baratinho, seria bom aguardar os investimentos e as melhorias efetivas a serem feitas pela espanhola OHL. Porque, no fundo, as rodovias privatizadas em São Paulo, discuta-se o preço dos pedágios do jeito que se quiser, porém é um fato tratarem-se das melhores rodovias do país.
Somente depois que as rodovias ora privatizadas estiverem recapeadas, com sinalização de ponta a ponta, com serviços estendidos ao longo de todo o seu percurso, então poderemos ver as condições de uma e outra, e aí então comparar preços. Antes, qualquer coisa que se diga é mero papo furado.
Vários foram os engenheiros com quem conversamos nos últimos dias e a posição de todos é a mesma: até aqui não foi dito, a menos em tom de previsão, e não de certezas, o quanto de investimento a concessionária espanhola irá de fato fazer. E qual o padrão de qualidade que resultará no final para a otimização do tráfego. E em que tempo.
Não há dúvidas de que estamos lidando com um canalha no poder a praticar o poder do canalha. Entregou as rodovias de graça justamente para, numa primeira análise, parecer que os pedágios são mais baratos, e deste modo, dizer que privatizou melhor. Vamos ver quando a espanhola estiver com as estradas em iguais condições das rodovias paulistas já privatizadas, qual será o pedágio que irão cobrar. Receber de graça, no estado em que se encontram, convenhamos, se ainda for cobrar um centavo que seja, é muita cretinice.
Portanto, creio que Elio Gaspari se precipita em “elogiar” Lula e Dilma Rousseff quanto ao espetáculo privatista que Lula reinaugurou em seu governo, já que o primeiro passo foi e está sendo a privatização de trechos da Amazônia. Muito embora ainda paire sobre este processo imensa dúvidas sobre os reais interesses do governo atual.
Segue trecho do artigo do Gaspari. Leiam este artigo primeiro, e depois o comparem com os detalhes no post seguinte, no artigo do Carlos Sardenberg, sobre em que “condições” o vossa excelência privatizou as rodovias tão “comemoradas” pelo Gaspari. Em tempo: “a “gordura” a que se refere Gaspari é apenas e tão somente o preço inicial a ser pago ao governo federal pela concessão. Claro que retirando-se este “preço” do leilão, qualquer pedágio fica baratinho. Assim, entrega-se a rodovia de graça. Quanto a comparação entre um modelo e outro, sentem e esperem: levará , no mínimo, entre três e quatro anos para que as rodovias privatizadas num período e noutro, possam ser comparadas efetivamente. Aliás, o modelo adotado pelo governo atual é muito parecido com o praticado há alguns anos no México. Adivinhem o que aconteceu ? Fracasso total. Assim, vamos rezar para que, no Brasil, dê certo.
Dilma detonou a privataria dos pedágios
Na tarde de terça-feira concluiu-se no salão da Bolsa de São Paulo um bonito episódio de competência administrativa e de triunfo das regras do capitalismo sobre os interesses da privataria e contubérnios incestuosos de burocratas. Depois de dez anos de idas e vindas, o governo federal leiloou as concessões de sete estradas (2,6 mil km). Para se ter uma medida do tamanho do êxito, um percurso que custaria R$ 10 de acordo com as planilhas dos anos 90, saiu por R$ 2,70.
No ano que vem, quando a empresa espanhola OHL começar a cobrar pedágio na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, cada 100 quilômetros rodados custarão R$ 1,42. Se o cidadão quiser viajar em direção ao passado, tomará a Dutra, pagando R$ 7,58 pelos mesmos 100 quilômetros. Caso vá para Santos, serão R$ 13,10. Não haverá no mundo disparidade semelhante.
Se essa não foi a maior demonstração de competência do governo de Nosso Guia, certamente será lembrada como uma das maiores. Sua história mostra que o Estado brasileiro tem meios para defender a patuléia, desde que esteja interessado nisso. Mostra também que se deve tomar enorme cuidado com o discurso da modernidade de um bom pedaço do empresariado. Nele, não se vende gato por lebre. É gato por gato mesmo.
O lote das sete rodovias entrou no programa de desestatização do tucanato em 1997.
Desde então, desenhavam-se editais restringindo a disputa a empresas de engenharia nacionais. No final de 2002, após uma trombada com o Tribunal de Contas da União, o caso foi para a mesa de FFHH. O monarca desconfiou da pressa e deixou o assunto para o novo governo. Em 2003, o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, armou outra concorrência. Nova trombada com o TCU. Alguns preços baseavam-se em custos do mercado paulista, o mais caro do país. O tribunal determinou que o ministério largasse o osso, entregando-o à Agência Nacional de Transportes Terrestres. Ela achou R$ 300 milhões de gordura nas planilhas, y otras cositas más.