domingo, fevereiro 24, 2008

E a farra federal com o dinheiro do contribuinte continua

Ei, você aí, que paga impostos, e que chega a abrir mão do essencial para não ser taxado de sonegador, e ir preso em alguma operação da PF: você pensa que o governo que te expropria sem dó nem piedade e nada em troca te oferece, nem saúde, nem segurança, nem estrada e sequer educação, conforme-se. Esta gentalha indecente é incansável e imbatível na desonesta arte de burlar as “controladorias” que nada controlam para gastar o dinheiro do país sem nenhuma cerimônia, e o que é pior e mais indecente, ainda querem sigilo. Não, eles não se sentem culpados. São abençoados pelo presidente que considera sua gastança ilegal e imoral como “pequenas falhas administrativas”. Bem que alguém poderia presentear o Luiz Inácio com o código penal, e claro, torcer para que ele consiga ler e entender alguma coisa.

As duas notícias seguintes, do Jornal O Dia e do Portal Terra, são pequenas amostras de como os canalhas se comportam quando se trata de desviar para seu proveito exclusivo, dinheiro que deveria ir para atendimento da população. Leiam e divirtam-se, para depois se encherem de raiva. Pelo menos ameniza a decepção de sempre vê-los impunes.

Órgãos federais gastam R$ 54 mi em diversão
Michel Alecrim, O Dia

O site Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que o governo federal gastou no ano passado R$ 54,6 milhões com artes, cultura, esporte e recreação. A verba é mais que quatro vezes o gasto de 2004, que foi de R$ 13,4 milhões. Órgãos federais usaram dinheiro do orçamento em clubes e outras diversões.

A Marinha está entre os órgãos que mais utilizaram verba em lazer. A Capitania Fluvial do Rio Paraná gastou R$ 522 no Bilhar Foz, de Foz do Iguaçu, uma empresa que aluga e vende mesas de sinuca. A firma fez a "recuperação de material destinado ao conforto" da tripulação que faz pernoite em serviço, alega o Comando da Marinha. O gasto está dentre as despesas do programa "Segurança da Navegação Aquaviária".

Colônia de férias
Em Manaus, o Depósito Naval gastou R$ 6.443 na empresa de recreação Amazonas Play e R$ 222,80 no Bilhar Mirim. Segundo a corporação, o dinheiro foi usado em colônia de férias para filhos de servidores militares e civis.

Já a Base Naval de Aratu, na Bahia, também da Marinha, inovou ano passado. Contratou a agência de matrimônio Aloizio Pereira dos Santos, que recebeu R$ 1.000,29 dos cofres públicos no dia 7 de dezembro.

Segundo o Comando da Marinha, a empresa de Salvador foi contratada para "recuperação de bens imóveis nas instalações do Hotel de Trânsito da Marinha na Base Naval de Aratu", que atende oficiais e servidores da corporação em trânsito "tanto por interesse do serviço quanto em caráter particular". A empresa não aparece na lista telefônica. No endereço registrado na Receita Federal, há telefone residencial, que ninguém atende.

Já a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), ligada ao Ministério da Agricultura, gastou no ano passado R$ 7 mil no Clube de Tiro de Cacau, em Itabuna. Segundo o órgão, a verba foi usada no treinamento de vigilantes da unidade de Itabuna e não em lazer. A Polícia Federal informou, no entanto, que os únicos servidores públicos que podem fazer vigilância armada são policiais.

Finatec seria fachada para contratos sem licitação
Redação Terra

A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), fundação ligada à Universidade de Brasília (UnB), estaria sendo usada como fachada por empresas de consultoria para fechar contratos com órgãos públicos sem licitação. A denúncia foi publicada nesta semana na revista Época, segundo o Jornal Nacional.

Entre 2001 e 2005, a Finatec teria pago R$ 22 milhões às consultorias Intercop e Camarero para que estas empresas prestassem serviço a prefeituras do PT. O dono da Intercorp, Luiz Antônio Lima, foi assessor da prefeitura petista de Porto Alegre, segundo a Época. Em 2003, a Prefeitura de São Paulo contratou a Finatec por mais de R$ 12 milhões. Pagou R$ 9 milhões, sendo que quase R$ 5 milhões teriam ido para o consórcio composto pela Intercorp e pela Camarero.

Na época, a administração de São Paulo estava a cargo da ex-prefeita Marta Suplicy (PT). O atual prefeito, Gilberto Kassab, anulou o contrato e quer entrar na Justiça para recuperar o dinheiro. "Desde o início, a gestão manifestou estranheza com esse contrato. Todos sabem, isso é público, e eu ratifico aqui a estranheza", afirmou.

O ex-secretário das Subprefetrituras de São Paulo na época em que Marta era a prefeita, Antônio Donato, negou as acusações. A Camarero e a Finatec não foram encontradas para comentar a reportagem do Jornal Nacional.