sábado, fevereiro 02, 2008

Impossível permanecer calado


Foi um longo período de silêncio, no qual presenciamos a repetição quase à exaustão das mesmas práticas de parte de nossas ditas “autoridades públicas”. E “quase” aqui se aplica perfeitamente, em razão de que para estes “bravos” parece não haver limites para se colocarem acima do mal, do bem e da lei. Quando se trata de usar o dinheiro público, políticos brasileiros, regra geral, se lambuzam a mais não poder, sem ter um pingo de decência, de respeito, de dignidade para consigo próprios e, principalmente, para com aqueles que, de fato, trabalham e produzem.

Praticamente o que o noticiário tem trazido à baila tem sido a repetição das mesmas práticas. As mentiras que surgem vindas de Brasília tornam este governo sem moral para si mesmo, quanto mais para comandar os destinos do país. Não há um só dia que a imprensa estampa escândalos, falcatruas, roubalheira, corrupção, malversação, etc. Como agora, com os tais cartões de crédito corporativos. Aqui, e o nosso arquivo aí está para comprovar, sempre denunciamos a imundície que o governo Lula com seu “fausto imperial” tem praticado. Os exageros, a falta de fiscalização, falta de limites.

Precisava chegar mesmo ao ponto em que chegou para que a sociedade como um todo, e principalmente a oposição, dar-se conta de que os “bacanas” instalados no poder pouco estão se importando com o decoro, e com a responsabilidade que lhes cabe. A seguir, leiam a Carta ao Leitor, da edição de final de semana da Revista VEJA, “É HORA DE IMPOR LIMITES”, período em que o país estará mergulhado mais uma vez na fantasia do Carnaval, enquanto o poder permanece contagiado pela praga que o assola desde 01° de janeiro de 2003. Para esta gente o que importa é que mais de 180,0 continuem sendo expropriados diariamente em nome de seu projeto ganancioso de poder, de ostentação. Pobre pátria amada, em teu nome quanto canalha se realiza ao preço da escravidão de quantos te fazem ser o que és!!!

Mas vamos em frente. Não podemos continuar calados diante destes dos desmandos destes vigaristas e cretinos que nos desgovernam .

Carta ao leitor
Revista Veja

É hora de impor limites

Os ministros de pastas exóticas e rápidos para sacar seus cartões de crédito funcionais, objeto de uma reportagem da presente edição de VEJA, são um péssimo sinal dos tempos em que vivemos. Constituem mais uma evidência de que a carreira pública nos altos escalões é encarada menos como missão e muito mais como um meio de rápida ascensão social feita à custa dos bolsos dos cidadãos que trabalham e pagam seus impostos. Nunca é demais lembrar que governos não produzem um centavo de riqueza. Tudo o que seus burocratas gastam em proveito próprio ou não com seus cartões de crédito é fruto do suor da camada da sociedade que recebe e paga salários, que investe e se arrisca em atividades produtivas.

É triste constatar isso, mas a noção de servidor público que tem o povo como seu senhor praticamente inexiste nas altas esferas do poder em Brasília. Vê-se isso tanto no gesto automático da autoridade que saca um cartão de crédito oficial para pagar despesas pessoais quanto na leveza de alma com que se distribuem cargos com a chave do cofre aos partidos amigos dos donos do poder. O loteamento e o fisiologismo e mesmo os cartões de crédito funcionais não são invenção do atual governo. Este se responsabiliza, sim, pelo uso abusivo sem precedentes desses mecanismos.

Todos sabem as dificuldades que os governos têm para atrair e manter quadros de alto nível. Faltam salários adequados e carreiras mais sólidas e atraentes impulsionadas pelo mérito e não pelo tempo de serviço. Mas esses obstáculos não justificam as recompensas desonestas que muitas autoridades se dão e que acabam sendo o grande motivo de disputa pelos cargos que ocupam. É preciso tirar da esfera de influência dos partidos políticos os cargos públicos mais vitais para o funcionamento da máquina estatal. A tarefa é hercúlea. Ela pode parecer utópica e inalcançável aos olhos da atual geração de brasileiros, mas passa da hora de o Brasil contar com uma elite burocrática politicamente neutra, eticamente enquadrada, competitivamente remunerada e patrioticamente motivada.