sexta-feira, fevereiro 22, 2008

“Lula, por que não te calas ?”

Adelson Elias Vasconcellos

Lula nunca “vê” crime nos atos dos companheiros.

A notícia é de Maiá Menezes - enviada especial do Globo; O Globo Online. Abaixo, você irão ler a declaração pra lá de infeliz e inoportuna daquele que deveria ser o primeiro a garantir o cumprimento dos preceitos constitucionais. E, para quem ainda sabe não sabe, a patética e imbecil declaração é em conseqüência da ação movidas por inúmeros desviados religiosos da tal Igreja Universal, aquela mesma do auto-intitulado bispo, mas reconhecidamente empresário de sucesso com o dinheiro alheio, obtido através das sessões de descarrego, milagres dentre outros badulaques marcantemente mistificadores (aliás crime reconhecido e descrito no Código Penal como “crime”) e que resolveram agir a comando dos “bispos” como intimidação explícita aos meios de comunicação que tem esta mania de publicar notícias e fatos que nem sempre “agradam” aos “senhores bispos”. São os Torquemadas do século XXI, tentando aplacar a voz dos dissidentes ao melhor estilo inquisitorial.

Claro que tais figuras imbecilóides se esquecem do que seja um país livre, democrático. Querem calar à força todos quantos não se submetem ao seu jugo ou ao seu ideário. Esta seita, aliás, acha-se no direito de agredir, atacar com mentiras e calúnias toda e qualquer, sem nunca apresentar uma procuração lavrada por Deus que lhes assegura o poder da verdade uma e indivisível sobre a própria existência divina. Mas eles neste bambolê macabro do qual se valem para valer-se da boa fé de seus fiéis para construírem seu império pagão.

Claro que a recorrer à Justiça é um direito de todos, porém ela não pode ser manipulada para intimidar da forma como a Igreja Universal tem feito para com jornalistas e órgãos de imprensa. Isto se caracteriza por genuína usurpação de direito, o que também é crime.

Diante da reação dos órgãos atacados pela tal seita, sequer o senhor Lula deveria manifestar sua opinião até em razão de sua condição de presidente. Até porque o assunto estava aos cuidados do Poder Judiciário. Porém, e como tem sido praxe deste desgoverno desde que assumiu, a imprensa boa é aquela que se ajoelha e se torna submissa aos caprichos do governo da hora. Do alto de sua ignorância, deveria ter se esquivado, já que não é de sua competência avaliar ou tecer juízo de valor em assuntos da alçada exclusiva de outro poder da república. Mas, claro, se fosse assim, Lula não seria o velho caboclo de guerra metido e inoportuno quando se trata de avaliar o que deva ser um país guiado pelo estado de direito democrático pleno.

Mas, antes da notícia de Maia Menezes, convém transcrever nota da Folha de São Paulo – o principal órgão de imprensa atacado pela seitinha dos milhões da fé – para que o leitor possa fazer seu julgamento.

Contudo, mesmo no STF, há juízes que simplesmente decidem alicerçados com base na lei. E na lei inteligente como fez o ministro Carlos Ayres de Brito que simplesmente disse “não” para a tal Lei de Imprensa, uma da heranças malditas do tempo da escuridão criada pela ditadura militar. Infelizmente, ainda no STF, há outros tantos que ainda apelam para os instrumentos de tortura daqueles tempos para justificar decisões absurdas, tal como fez o ministro Ricardo Lewandovsky, ao negar a quebra do sigilo dos gastos com os cartões corporativos, que ignorou simplesmente a constituição de 1988, e foi se valer de um instrumento maluco de 1967 para embasar-se. Aliás, para aqueles que acompanharam as sessões do Supremo, quando analisou e acatou a denúncia e dos denunciados pelo Procurador da República na ação do Mensalão. Vão lembrar bem do triste papel desempenhado pelo ministro Lewandovsky.

Voltando à Lula, ainda nesta semana ele como que “abençoou” a ex-ministra Matilde pelo indevido uso de cartão corporativa em despesas pessoais. Que ela cometeu crime, não se tem a menor sombra de dúvida, e tal ponto que se viu obrigada a renunciar para não ter de responder de uma ação penal. Mas para Lula, a ministra cometeu não mais do “falhas administrativas”. Ridículo e patético, no mínimo !

Portanto, com tal histórico, e lembrando que Lula candidato à reeleição deu um chute no traseiro da CNBB, aliada de longa data do PT, para de forma absolutamente cínica e mentirosa, declarar-se um fiel seguidor da seita do “tal bispo”.

Nos posts abaixo, portanto, teremos a nota da Folha, depois a declaração do Lula e, por fim, a decisão do ministro Carlos Brito do STF que, se serve para por ordem na confusão, também serve como um “cala-te boca” para Lula aprender a respeitar o aparato jurídico do país, e principalmente, para entender de uma vez por todas qual o significado real da “liberdade de expressão”.