Wilson Barbosa, jornalista
Jonas Marcolino diz que Brasil pode responder perante as cortes internacionais por incompetência
Jonas Marcolino: com o conflito quem perde é a própria sociedade indígena e o Estado
Na visão de Jonas Marcolino, um dos diretores da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), o conflito que aconteceu na última segunda-feira na área Raposa/Serra do Sol, quando agentes da Polícia Federal armados causaram intranqüilidade na região, é um fato que já era previsível.
De acordo com o líder indígena, caso haja um derramamento de sangue na área m questão, que resulte na morte de uma, de dez ou de cem pessoas não é interessante para ninguém, pois quem perde com isso é a própria sociedade indígena além do Estado de Roraima.
Jonas Marcolino diz que Brasil pode responder perante as cortes internacionais por incompetência
Jonas Marcolino: com o conflito quem perde é a própria sociedade indígena e o Estado
Na visão de Jonas Marcolino, um dos diretores da Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur), o conflito que aconteceu na última segunda-feira na área Raposa/Serra do Sol, quando agentes da Polícia Federal armados causaram intranqüilidade na região, é um fato que já era previsível.
De acordo com o líder indígena, caso haja um derramamento de sangue na área m questão, que resulte na morte de uma, de dez ou de cem pessoas não é interessante para ninguém, pois quem perde com isso é a própria sociedade indígena além do Estado de Roraima.
“Eu creio que o Brasil, pode até responder perante outras cortes internacionais, por não ter a competência de conduzir esta política com inteligência e perspicácia”, ressaltou Jonas Marcolino.
Para o diretor da Sodiur a solução para evitar o derramamento de sangue na Raposa/Serra do Sol, se faz necessário que o Estado brasileiro já que não foi muito humano com o seu maior patrimônio, que é o seu povo, mas deve oferecer todos os instrumentos, disponibilizar se possível todas as suas forças, seus recursos para impedir que haja qualquer morte na área.
Segundo Jonas o conflito que ocorreu semana se deu pelo fato de que as terras homologadas, não foram disponibilizadas espaços para as vilas e para os produtores, nós tínhamos certeza de que poderiam acontecer alguns imprevistos como esse de natureza conflituosa. “Muitas pessoas que lá estão nós sabemos que elas têm o direito de permanecer, pois nasceram e foram criadas na Raposa. É uma questão imprevisível, não poderia ser de outra forma, mais é uma decisão do Estado nacional soberano e é impossível que a gente reverta de maneira reivindicatória, pois é uma decisão política administrativa que está sobrepujando a questão judiciária”, disse Marcolino.
Guerra
A possível guerra de índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima (CIR) que defendem a Raposa em área continua e os que são favoráveis a região em ilhas, na visão do diretor da Sodiur é certamente um ponto crucial, até determinante para se criar um conflito. “Se realmente os índios do CIR quiser proibir que indígenas da Sodiur e de outras entidades transitar na região é inadmissível, pois as terras indígenas da maneira como foi criada, homologada apenas para uma organização, elas foram destinadas para usufruto de todos os índios que devem ter o direito de ir e vir, o direito de usufruí-la, de permanecer, da defesa do solo. Se a decisão do CIR for mantida, certamente vão se registrar inúmeros conflitos na Raposa/Serra do Sol”, afirmou Marcolino.
O fato que ocorreu em 1998 quando índios ligados ao CIR quiseram obrigar Jonas Marcolino a impedir a entradas de pessoas na comunidade que ele dirigia, foi uma estratégia que o CIR adotou. Conforme adiantou o diretor da Sodiur, toda esta questão indígena implementada pela política ingenista, ter o cerne, ou tem seus fundamentos e seus princípios nas Organizações Não-Governamentais (ONGs) ou qualquer outra entidade não indígena, que motivou ou que pelo menos deu aos indígenas o Estado de Nação ou de povo soberano, autônomo e que deveriam manter e reivindicar a sua autonomia é o que gera esse conflito.
Insegurança
“É muito preocupante aquela questão que a própria Constituição não diz que o usufruto é exclusivo dos índios, que deveria ser. Mas ela própria diz que os índios podem resolver no interesse da soberania do País. Este fato para nós é uma insegurança jurídica e total o que é perigoso para nós e para todo o povo do Estado de Roraima”, concluiu Jonas Marcolino.