quarta-feira, setembro 17, 2008

Se não fosse o PROER...

Chega a ser divertido ver o governo atual comemorar a blindagem da economia brasileira diante da crise financeira americana. Tudo que aí está foi alvo de duras críticas por todos eles, quando na oposição assistiram a implantação do Plano Real e todas as medidas adotadas e que serviram para dar a base sólida de sustentação da estabilidade atual.

Dentre outros, um dos atos que mais foi torpedeado por Lula e PT, e que vez por outra ainda recebe críticas ácidas do próprio Lula, foi o chamado PROER, plano pelo qual o governo FHC injetou recursos no sistema financeiro não para salvar banqueiros falidos como mentirosamente as esquerdas difundiram, mas para proteger os recursos dos correntistas. Todos os donos de bancos socorridos, pode-se ver, tornaram-se ex-banqueiros, o que prova a mentira deslavada contada por Lula e seus asseclas.

Contudo, não fosse o PROER haver existido e muito provavelmente o país estaria agora mergulhado em uma crise financeira sem precedentes. E por que ela não nos atinge? Porque o PROER cumpriu o papel que lhe cabia que era a de sanear e preservar a integridade do sistema financeiro nacional, resguardando assim intactos os recursos aplicados pelos milhões de brasileiros. E graças ao plano, as instituições bancárias passaram a adotar regras mais conservadoras, o que também acaba por mantê-las estruturalmente fortes e equilibradas.

Quanto vemos o FED americano, e os Bancos Centrais da Inglaterra e da Comunidade Européia injetando bilhões de dólares em seus sistemas financeiros, impossível não reconhecer a correção na aplicação do PROER aqui no Brasil.

A crise até pode nos atingir, mas certamente seus efeitos não se refletirão nas instituições bancárias brasileiras, dada a sua solidez.

Teremos, sim, problemas em nosso balanço de pagamentos que se projeta fechar no vermelho, numa faixa que se imagina de 27 a 34 bilhões de dólares. Contudo, este”vermelho” se deve especificamente a ações implementadas pelo atual governo. E quanto mais os preços das commodities despencarem no mercado internacional, maior tende a ser nosso déficit. O doloroso, no caso, é ver o quanto é perturbador o nível de endividamento interno. Diante dele, e sabendo-se que a maior parte deste bolo acha-se em mãos estrangeiras, nossas “enormes” reservas acabam por tornarem-se pó.

Como dissemos ontem, toda a publicidade oficial não consegue mascarar a realidade de que, diante de uma situação aguda na crise que se desenha, nossa vulnerabilidade se mostrará em toda a sua grandeza. Qual o significado disto? A de que jogamos no lixo um precioso tempo no qual não realizamos nosso dever de casa. Diante da farra e da festa, em que o mundo inteiro sorriu e respirou progresso, foi fácil enganar o povo com discurso imbecil e propagandas cretinas. Enquanto a direção dos ventos muda rapidamente, continuamos comemorando resultados que se tornaram mais do que obrigatórios face o cenário anterior e que ficaram muito aquém do que se poderia ter alcançado. Nunca as condições foram tão positivas e favoráveis ! Espera-se, contudo, que, diante do novo cenário, “alguém” tenha juízo suficiente para adotar medidas preventivas para não sermos atingidos. Repito o que venho afirmando há muito tempo: o governo comemora um resultado que, rigorosamente, se repete em todos os países emergentes do globo. Não é apenas o Brasil que não está sendo atingido pela crise, todos os emergentes estão na mesma situação que a nossa. Porém, bastará que a crise se intensifique e, por certo, nossa vulnerabilidade mostrará o quanto de vazio é feito o discurso oficial. Rezemos, amigos, rezemos.