Adelson Elias Vasconcellos
Agora, no início da tarde, a BOVESPA acionou seu circuit-breaker, os negócios atingiram os negativos 10%. O risco país ultrapassa os 450 pontos. Só de compulsórios dos bancos, o governo já liberou mais de 160 bilhões. Some-se a isto os leilões diários e muitas vezes de mais de uma vez ao dia, feitos pelo Banco Central para conter a subida do dólar, e mais os pacotes para exportadores e agricultores e o não-pacote de Lula já ultrapassou módicos 200 bilhões, praticamente um quarto do pacote americano onde se concentra, junto com a Europa, o epicentro da crise financeira. Ora, para um país tão blindado, conforme cantarola o presidente, convenhamos que a marolinha já está ultrapassando seus limites, e há muito tempo.
Claro, Lula continua culpando os países ricos pela atual crise, esquecendo-se, porque não lhe é conveniente lembrar, que o Brasil foi bastante beneficiado pelo circo da ciranda financeira.
Lá da Índia, onde passeia com seu séquito de cachorros perdigueiros, leia-se cordão de puxa-sacos, ele não poderia deixar de palpitar sobre o que menos entende, justo de economia.
Sapeca um "se os bancos não liberarem os compulsórios para o crédito, o Banco Central tomará o dinheiro de volta". Isto seria lícito se o tal compulsório não fosse de propriedade dos bancos, e não do Banco Central ou do Tesouro. O compulsório, que no Brasil, como não poderia deixar de ser diferente, é um dos mais altos do mundo (no ruim, de novo,um dos piores do mundo), é a parte do dinheiro dos Bancos que estes são obrigados a depositar no Banco Central, para garantia da política monetária do próprio governo. Assim, quando o governo afrouxa o laço dos compulsórios, ele nada mais faz do que liberar um dinheiro que não lhe pertence, para que seus legítimos proprietários, no caso, os bancos, poderem utilizá-lo.
Mas o que está acontecendo de tão terrível para, apesar da liberalidade do governo, os bancos continuarem com o crédito estrangulado ? Bom, primeiro, a própria crise explica este comportamento. Capital, seja de que lado do mundo for, tem aversão a risco. Ninguém sabe o que acontecerá amanhã, portanto, o sistema, necessariamente, tende a se proteger. Além disto, há a política de juros do próprio governo, que, prá variar, são os mais altos do planeta. É lógico se esperar que os capitais busquem conforto e segurança justamente em papéis de menor risco, como acontece com os títulos do Tesouro americano e o dólar, ou para papéis de boa liquidez, e excelente remuneração, como os título do próprio governo brasileiro.
Assim, é o próprio governo que provoca a retensão de dinheiro dos compulsórios pelos bancos. Mas, Lula não seria quem é se, no caso, ele não distorcesse os fato a seu favor e empurasse as responsabilidades para os outros.
Mas o medo do poderoso "executivo" do Planalto Central é de que, se a crise se extender demais, reflitando consequências ruins e até desastrosas para a economia real, seus planos para 2010 acabem se esborrachando no chão.
Ninguém quer a desgraça de ninguém, mas esta crise de que também temos participação, e não tão pequena como o governo sustenta, talvez seja a salvação da lavoura de um futuro melhor para o Brasil. Afinal, como diriam os filósofos de plantão, crise no governo dos outros sempre foi refresco, não é mesmo ?